<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533</id><updated>2011-10-15T19:43:37.655-03:00</updated><title type='text'>Clotilde Zingali</title><subtitle type='html'>Crônicas publicadas no Jornal A NOTÍCIA de Joinville/ Santa Catarina. Caderno ANEXO pg.09</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>131</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7966165059191891090</id><published>2011-10-11T20:09:00.000-03:00</published><updated>2011-10-11T20:09:24.449-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CLARA E A EVOLUÇÃO DA BILIS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Clara olha dentro dos olhos de Raul e desentende o que quer que seja. De algum modo o que quer que saiba vira nada. Não que ela saiba qualquer coisa. Nos últimos tempos tem pensado que sabe mesmo é nada. Possui da vida um conhecimento empírico, que pra ela, substancialmente, é o oposto daquilo tudo que é científico. E sem ser científico, aos olhos dela, no desespero, vira nada. Científico é algo que atesta para ela o que é insondável e o homem diz é. Está provado. Tem amor e horror a isso. Pensa nas coisas como jogo de forças, trocas energéticas e disparos acidentais. No mistério. Não se sabe nada de uma coisa e então aquilo é que encanta. O não saber. O navegar em dúvidas. A inconstância dela própria e das coisas. Então olha de longe as discussões inflamadas. Parece ver que o chão se move enquanto as pessoas tentam obsessivamente segurar-se. Lembra-se de alguém que disse: “O gosto é um achamento”. A vida para ela é um encantamento que surge de frases esparsas. Como Racine disse: “O que é bom em segredo é melhor em público”. Ela segue captando os segredos que escapam. Escapam e ela pega. Pensa se para ser homem ou mulher é preciso provar transgeneridade. É? A vida é um espaço para se produzir ensaios, afinal. E mesmo que seu jeans largo e desbotado desagregasse os olhos dos homens, ainda assim essa experiência não provaria nada. Seja como for, ela pensa em escavações e em Fernando Pessoa. Tudo porque outro dia escutou alguém dizer alguns versos dele. As indagações do poeta, e que imediatamente tomou para si:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;“Se em certa altura&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Se em certo momento&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Se em certa conversa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Se tudo isso tivesse sido assim,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Seria insensivelmente levado a ser outro também”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Assim é, não é? Sabe que se o pequeno príncipe não existe, o baobá fica lá na África. Árvore garrafa que pode armazenar mais de 120 litros de água. Aliás, um baobá pode armazenar muita coisa. Até uma casinha. Já o homem que escava a madeira, esse não pode ingerir sal ou ter relações sexuais durante a tarefa... contaminaria o baobá e a água. Estranho e maravilhoso mundo e seus homens. Sabe também que o pé da jabuticaba gosta de ver as pessoas nele, chupando as frutas. Lembra-se dela mesma fazendo isso em sua infância. Ela que não era pássaro. Sabe, em seu dentro, que mesmo que se sinta como um beija-flor, não poderia alçar vôos batendo asas 25 vezes por segundo. Seus músculos se distenderiam antes que ela sequer tirasse os pés do chão. Seja como for, toma água com regularidade, come feijão branco, lentilha e verduras verde-escuro que promovem a limpeza dos rins e do fígado. E diz convicta e satisfeita: Hepatobiliarmente, eu estou muito bem. E ri cândidamente e com a brejeirice que lhe é peculiar. E isso - entre muitas e inumeráveis coisas, inclusive o olhar de Raul que a faz desentender tanto - é o que realmente importa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7966165059191891090?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7966165059191891090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/10/clara-e-evolucao-da-bilis-clara-olha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7966165059191891090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7966165059191891090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/10/clara-e-evolucao-da-bilis-clara-olha.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2077860686819810113</id><published>2011-10-09T15:19:00.000-03:00</published><updated>2011-10-09T15:19:20.031-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Olá queridos amigos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com o término de meu trabalho no jornal, deixo este espaço como registro dos textos feitos com essa finalidade. Entre umas e outras estarei postando novos textos no meu blog de poemas. Caso queiram visitar, segue o endereço! Grande abraço, Clotilde Zingali&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.poemasclotildezingali.blogspot.com/"&gt;http://www.poemasclotildezingali.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2077860686819810113?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2077860686819810113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/10/ola-queridos-amigos-com-o-termino-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2077860686819810113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2077860686819810113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/10/ola-queridos-amigos-com-o-termino-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1168557895691531664</id><published>2011-09-23T23:05:00.000-03:00</published><updated>2011-09-23T23:05:27.201-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;PALAVRAS E VENTOS&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Caros leitores, depois de quase três anos escrevendo aqui neste espaço, chega aquela hora denominada despedida. A flutuação das coisas trouxe minha vida para o Rio de Janeiro e, embora esteja enlaçada com Joinville, é preciso seguir o fluxo. Ver os presentes que flutuam em todos os movimentos. E como não estar feliz quando o presente extrai o que nos passa pela alma? Foi isso que, sobretudo, recebi com o presente de estar aqui: a oportunidade de, a cada quinta-feira, extrair o que assoberbava ou assolava. Fosse a chuva sobre o transparente do meu guarda-chuva ou a folha que redemoinhava na calçada. Presente sem preço. E por falar em presentes e coisas que redemoinham ao vento, penso em uma miniatura de fusca para colocar na estante, um livro com palavras que já li, uma comida preparada com especiarias leves ou um sabor inusitado no meio da maionese. Um sorriso largo em uma foto ou os cabelos voando com o vento. Uma paçoca, um pé-de-moleque ou aquele doce de flocos de arroz. Quantas coisas pode haver para se dar para alguém? Um torpedo enigmático pelo celular, um texto qualquer no jornal da cidade, uma letra de música. Dizer palavras ensaboadas, com cheiro de côco, e depois dizer as mesmas palavras enxaguadas em amaciante de roupas. Quantas voltas se deve dar para atingir alguém em cheio? Para estar na praia em um ponto qualquer onde somente ele saiba e ficar lá esperando só para deixar claro que não há nada que se possa fazer? Quantas vezes os olhos podem escorrer como manteiga por detrás dos óculos escuros sem que ninguém saiba? De quantas tentativas se pode lançar mão para alcançar o céu com as unhas e tentar riscar ou perfurar para encontrar o azul? Eu talvez pudesse pensar em mais coisas, mas o fato de ser meio de setembro anuncia a chegada próxima da primavera e contorna momentos de despedida. É com esses pensamentos que me servi de palavras com o intuito de transpassar rios e mares, descer e subir por estradas e ladeiras, redemoinhar em bueiros e entrar por soleiras de portas. Em quase 150 textos, toda semana eu enviei palavras que entraram sorrateiras e desordenadas por vãos de porta, que repousaram sobre mesas nos cafés da cidade e me conectaram com pessoas que me receberam sempre com muito carinho. E como alguém já disse, fiz isso com prazer lexotânico. E por falar em palavras jogadas ao vento, outro dia, depois de devorar uma paçoca, fui até a lixeira na esquina da rua para jogar o papel. Não é que bateu uma lufada de vento que desviou meu gesto e fez o papel alçar vôo sem que eu pudesse alcançar? Pois é. Palavras e papéis de paçoca estão no vento junto com partículas de tudo que pode haver nos encontros, nas chegadas e nas partidas, na boa surpresa que o contato pode propiciar. E foi isso que eu tive aqui. Obrigada e um grande abraço a todos. Continuaremos a nos ver nas curvas dos ventos.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1168557895691531664?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1168557895691531664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/palavras-e-ventos-caros-leitores-depois.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1168557895691531664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1168557895691531664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/palavras-e-ventos-caros-leitores-depois.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1995159410617604672</id><published>2011-09-20T10:13:00.002-03:00</published><updated>2011-09-20T10:13:35.863-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O GRITO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;O 7 de setembro de 1822 já passou. 189 anos atrás. Mas a simbologia atravessa os anos. Cantar o hino. Hastear bandeiras, desfile de tropas e de estudantes. Lembrar e pensar o quanto esta data, mais do que comemorativa de um fato, exprime o desejo de uma nação. O ato de Dom Pedro é repleto de controvérsias históricas que não cabe aqui falar. Quero dizer é da importância do simbólico na comemoração do dia. E não é à toa que faço isso uma semana depois da data. A despeito de como tenha sido decretada a independência, penso no que isso representa pra nós hoje. No que significa viver em uma nação independente e que tenha força e competência para trilhar esse caminho. Bem sabemos que a independência é um ideal. Não é real porque não existe independência por si só e sim a que se estabelece no contato, nas inter-relações, no jogo de direitos e deveres e tantas outras coisas. No ceder e avançar das diferentes frentes, dos diferentes lados. E isso pode acontecer de forma equilibrada ou não. Enfim, a declaração de D. Pedro envolvia o interesse de muita gente. Pactos com uns e rupturas com outros. E se foi ele que apareceu quando se abriram as cortinas, as coxias e os bastidores fervilhavam. Como se sabe, se o grito do Ipiranga não libertou efetivamente o Brasil, cada bandeira hasteada no dia 7 de setembro aponta para a simbologia do desejo de cada brasileiro e que vai se reconfigurando na passagem no tempo. Vão se ajustando as velas. E isso não ocorre sem embates. Isso se faz com a consciência de que sempre haverá interesses em jogo, e com o conhecimento de que é preciso que o povo detenha consciência política para engajar-se em um desenvolvimento sustentável, organizado e equilibrado. Para que possam ser promovidas mudanças que culminem em uma nação humana, soberana e agindo em inter-relação com outras nações. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;D. Pedro I, montado em seu cavalo, desembainha, ergue a espada e proclama: “Independência ou morte”. Um ideal em contraposição ao real. Seja como for, 189 anos depois a simbologia resiste. Por isso a razão dessas datas existirem e serem comemoradas. Porque a simbologia permite que se atravesse o real. Com todas as suas circunstâncias e inconstâncias. Com toda a problemática que pode haver nos enfrentamentos. É só daí que esse sonho de independência pode tomar corpo como algo mais próximo do real. A independência de uma nação está atrelada à independência do indivíduo, coisa só possível mediante o livre acesso à educação e ao conhecimento, entendendo-se aí a concretude de coisas básicas como saúde, alimentação e transporte. É a partir da existência de cidadãos-pessoa que o verdadeiro grito de independência de uma nação é dado.&lt;/span&gt; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1995159410617604672?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1995159410617604672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/o-grito-o-7-de-setembro-de-1822-ja.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1995159410617604672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1995159410617604672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/o-grito-o-7-de-setembro-de-1822-ja.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-687548181701702001</id><published>2011-09-08T18:36:00.001-03:00</published><updated>2011-09-19T22:31:34.010-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;No permear a metade do que pode haver entre ter 40 e 50 anos, penso no formato que as coisas têm e que tentamos dar. Tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo. Elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos porque sei que projetar implica construir. Implica costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Isso há de estar representado nalguma estética. Eu bem sei que, definitivamente, não importa ser. Há também que parecer. Alguém já disse que intencionalidade e criação caracterizam nosso ser. Seguimos por aí subindo e derrapando em ladeiras. Andamos a pé e de avião. De carro e carrinhos rolemã. Saltamos com ou sem para-quedas e nos estatelamos ou não no final de cada percurso.  Com mais ou menos escoriações. Somos máquina e matéria com digitais específicas e por vezes mais de um registro de identificação. Com contas aqui, no exterior ou mesmo sem absolutamente nenhum dinheiro no banco. Por vezes sem conta nenhuma em banco e sem nenhum tostão dentro dos bolsos. Podemos também ser e estar nus de toda ordem. Não importa. Entre a possibilidade de uma vontade ordenadora, por baixo ou por cima de qualquer escombro, somos portadores de sentido e talvez necessitemos de um tratamento estético. De modelagem. O quanto o mergulho nesse ato pode nos afundar ou fazer emergir é coisa que não se sabe. Mas sei bem que em algum momento devemos introduzir uma separação, um corte qualquer para canalizar o desejo e dizer: agora eu vou. Com mais ou menos luz. Com luz ou na total escuridão. Seja como for, até o formato de minhas unhas indicam uma coisa qualquer que é relativa ao meu desejo e que me estrutura em meio a vazios e alguma névoa. O vazio que me estrutura seja eu um monumento em pedra e cal ou um painel misto de opacos e transparências e que me apresentam mais ou menos nua, mais ou menos sólida. Sempre nua e mais ou menos diluída. Não faz mal, na aventura pela vida sei que sou criatura de desejos. Que vive interpretando e sendo interpretada diante do insondável nas relações. É aí que moram todos os desafios. Os meus e os de qualquer pessoa. A estética é algo que se liga ao novo e que se produz no laço. No contato. Se for criativo, melhor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-687548181701702001?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/687548181701702001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/minha-sua-nossa-estetica-no-permear.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/687548181701702001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/687548181701702001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/minha-sua-nossa-estetica-no-permear.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5896366844965703204</id><published>2011-09-01T23:30:00.002-03:00</published><updated>2011-09-01T23:30:54.469-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;VAZIOS, SUPER E ANTI-HEROIS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;Dia desses me vi a pensar em super-herois e em mundos de fantasia, onde a principal protagonista, parodiando a língua do espetáculo, é a espetacular, a majestosa, a surpreendente... Imaginação. Aquele lugar onde o inconsciente tem voz e palco. Que espaço mais absoluto os super-herois, esses seres sobre-humanos poderiam ocupar? Se há quem possa estar na base das cenas da ilusão e de toda uma sorte de desejos, esses são eles. E o bacana com relação aos super-herois é que suas aventuras expressam fantasias comuns a algumas pessoas ou grupos, e isso carrega o conceito de uma questão que também é do campo da energia. O desejo de poder, por exemplo, é uma das expressões de desejo inconsciente que ganha asas no mundo da fantasia, onde, quase sempre, não há farol vermelho. É lá estão os super-herois rompendo os limites e atuando na busca de valores como justiça e defesa dos necessitados. E é lá então que se vêem coisas como voar, virar pedra, água, fogo, elástico, rede e tantas outras manifestações. Tornar-se invisível, por exemplo. Seja como for, mesmo o mais destemido dos super-heróis possui pontos fracos. Quem não conhece a temível criptonita para o super-homem? Ou, o que seria da Mulher-Maravilha sem seus braceletes? Como se isso não bastasse ela ainda tinha um avião invisível! Enfim, a imaginação é que é um presente. Eu cresci, a Mulher-Maravilha não é mais minha heroína e eu mesma é que tenho que dar conta de descobrir meus super-poderes reais e imaginários para lidar com o dia-a-dia. Isso me coloca no ponto que eu pretendia chegar: Falar de um super-herói que conheci em 2006 e que desde então, sou, absolutamente, fã. Ele é o intrépido, o corajoso, o poderoso, o super, o ultra Super Empty!!! Quem não conhece, segue a sugestão para buscar conhecê-lo. Mora em um livro publicado pela Editora Planeta, de autoria de Luciana Pessanha e José Carlos Lollo.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um livro branco com um furo na capa. Uma ótima ideia que representa muito bem o super-heroi que traz um buraco, um furo, um vazio, bem no meio do peito. Buraco que depois de incontáveis desventuras, ganhou um E lá dentro para representar o heroi. Ou o anti-herói. Não faz mal. Ele conhece o poder das palavras que nem sempre funcionam, ele fracassa, ele deprime, reconstitui-se e o principal, descobre que através do seu vazio pode enxergar possibilidades de ver mais além. A partir daí atua sobre as perguntas e perguntas sem fim que as pessoas se fazem. Como dizem os autores, não se chama o Super-Empty em casos urgentes como incêndios, crimes, barragens se rompendo ou vilões ameaçando a humanidade; dado que para isso existem os bombeiros, o exército, a polícia e até outros heróis. Super-Empty atua em funções praticamente insolúveis, mas ele senta ao seu lado e mostra como é olhar além. Olhar através dos vazios que temos e enxergar possibilidades. E o melhor: faz isso em 127 páginas deliciosamente ilustradas e repletas de bom humor. Ele é, sem dúvida, uma deliciosa caricatura do desejo de Luciana e José Carlos que descortinam uma heroica maneira de pensar em heroicas soluções para certos estados de caos que desabam vez por outra sobre nossas cabeças. É bem aí que o Super-Empty pode aparecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5896366844965703204?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5896366844965703204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/vazios-super-e-anti-herois-dia-desses.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5896366844965703204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5896366844965703204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/09/vazios-super-e-anti-herois-dia-desses.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7185219053993599033</id><published>2011-08-26T17:14:00.002-03:00</published><updated>2011-08-26T17:14:39.105-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O BALANÇO DE CECÍLIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Quando a mãe de Cecília perde sua calça preta e a carteira de motorista, não sabe se a carteira está no bolso da calça ou mesmo se estão no mesmo lugar. Sabe apenas que estão perdidas. Procura em lugares possíveis. Também nos impossíveis. Telefona para os filhos e perscruta com afinco seus últimos 6 meses. Nada. Conversando com Cecília, diz: “Filha, olha bem aí na sua casa que eu posso ter deixado cair atrás de algum móvel. Ah, sei. Você arrastou todos os móveis na limpeza da última semana... E aquela bolsa que eu usei quando estive aí? Você lembra? Ah, andou vendo isso ontem mesmo? Não achou nada... Está certo. O quê?”. Ouve a filha dizer o quanto isso é simbólico. “Não vê a contundência do desejo que está expresso nesse sumiço, mãe? A calça, que guarda suas pernas que andam, está desaparecida junto com a carteira de motorista, que é seu passaporte para dirigir e dirigir-se aos lugares. Elementar, caro Watson. É um claro indicativo de que calça e carteira estão juntas na mesma empreitada. São átomos se movendo para mostrar a direção que você deve tomar. Ir embora da sua vida para outra vida a ser conquistada. Esquece o sumiço das coisas e pensa nisso. É muito claro, mãe. Claro e simbólico”. Riem-se. Cecília é moça que não gosta de meio-termo. Meia-ação, meio-honesto, meio chateado. Gosta de sentimentos inteiros. Por isso não cansa de afirmar aos seus alunos que não existe essa bobageira de não se usar todo o potencial do cérebro. A cada momento e para cada coisa, usamos 100% do nosso cérebro. Agora, qualitativamente, isso pode sim variar. De modo que ela gosta mesmo é da inteireza de Fernando Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim como em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”. E por mais que ela seja recoberta de vazios de todos os tipos e ria muito ao acreditar ser muito mais que um barco furado, assume também a inteireza de seu desejo. Diz: “Sou um barco metralhado”. O mesmo quando admite sua paixão por Fred e sonha carnavais inteiros com ele. Os dois deflagrando ruas e êxtases. Chora a falta quase absoluta que o sorriso dele lhe faz com toda a circunstância de seu exagero. “Morro sem ele”. Mas para não se evadir completamente da brincadeira que ela adora de por e tirar os pés do chão, vai vivendo feliz e triste, inteira e despedaçada e de muitos outros controversos modos. Vai domando a vida no laço e se ajeitando com a flutuância das coisas. Vai rindo a vida que não é sempre engraçada. Quase todas as tardes ela senta em sua cadeira de balanço. Uma cadeira de diretor com balanço onde sua avó sentava e dirigia, balançando, a vida da família inteira. De onde mais poderia dirigir os espetáculos que ela e Fred descortinam? Agora mesmo ele está contando para ela o seu dia de trabalho, e tem sempre um momento no meio da fala em que ele desata a discursar. Então Fred fala tanta besteira que não há outra maneira de resolver a situação que não seja tomando medidas de emergência: súbito ela inclina na cadeira e beija-o emergencialmente para lhe calar a boca. Riem-se e ela volta a balançar enquanto ele retoma de onde se perdeu só para poder se achar no riso dela.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7185219053993599033?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7185219053993599033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/o-balanco-de-cecilia-quando-mae-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7185219053993599033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7185219053993599033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/o-balanco-de-cecilia-quando-mae-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6595454240606407639</id><published>2011-08-19T08:20:00.002-03:00</published><updated>2011-08-19T08:20:29.674-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CATARINA E A ECONOMIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Catarina, a moça que tira cópias de sua monografia na sobreloja de um centro empresarial na cidade, pensa na palavra copiar. Ela lembra, quando era mais nova, que copiar era pedir o caderno emprestado para copiar à mão as aulas que tinha perdido. Era trabalhoso, mas eficiente. Um modo de estudar o conteúdo que havia perdido. Pensa que as coisas no mundo estão ficando bem mais simples desde que inventaram a roda.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Até dizem isso em tom de sarro quando alguém está querendo recompor os primórdios de qualquer coisa... e lá vem a frase: “Você quer o quê? Inventar de novo a roda? Na natureza nada se cria, tudo se copia”. Copiam até dinheiro... Nesse ponto ela se assevera. Por vezes lhe parece difícil compreender a economia e as coisas do dinheiro. Ela sabe que quando o governo imprime o papel que todos, inclusive ela, tratam como dinheiro, os juros sobem e acontece a tal matemática que os economistas chamam de inflação. Porque que quando se coloca mais dinheiro no mercado (e isso é uma ideia falsa de que há mais dinheiro em jogo) o que acontece é que a entrada desse dito papel-moeda provoca uma redução no seu valor, ou seja, seu 1 real passa a valer, por exemplo, 0,80 centavos. Mas em relação a que? Ela pensa que devem ter um padrão de estabilidade qualquer... Pensa se é o ouro dos tempos de D. Pedro ou o dólar. Mas se for o dólar, é dinheiro em relação a dinheiro? Quem tem as respostas certas? De tanto ver televisão, Catarina pensa que não importam as respostas e sim as perguntas. E o que a intriga muito são as perguntas... “Quem determina, quem desencadeia, quem deseja, quem impulsiona e faz acontecer?”. Seja como for, depois da era virtual ela não entende mais quase nada. Desde que criaram a palavra crédito, vive-se em ilusão. O que é crédito? É algo que não se pode ver ou tocar e que um outro te dá em nome de garantias quaisquer. E o pior, essa “coisa” virtual compra coisas reais. Catarina explode isso à enésima potência e pensa de quem é essa conta. Minha é que não é! Ela pensa no seu extrato bancário e no dinheiro que está lá. O extrato diz que o dinheiro está lá (e ela pode tirá-lo se quiser), mas ao mesmo tempo, sabe que o banco está usando esse mesmo dinheiro, emprestando para alguém, comprando algo... sabe lá! Quantos são donos do dinheiro que ela pensa ter no banco? Parece é que o valor do dinheiro que ela tem é multiplicado muitas vezes. E isso desde que mundo é mundo porque ela sabe muito bem que houve tempos em que a moeda era de prata, com o tempo foi perdendo a quantidade de prata em sua liga até virar cobre... inflação igual. Ela só sabe, a despeito da monografia que vai apresentar à banca na semana que vem (e isso é bem real), que em tempos de cólera muitas dúvidas emergem e pairam. Depois ficam indo e vindo. Que nem a moda. Agora, por exemplo, talvez quem tenha nascido depois de 80 não saiba a resposta para uma antiga pergunta que volta à baila: quem matou Salomão Hayalla? É ver para saber, ou perguntar para alguém que já sabe. É mais fácil do que saber o que acontecerá com ações que comprou e pensava estar fazendo um grande negócio... Quem, afinal, rebaixou a classificação dos títulos do tesouro americano? Ela é tão introspectiva, mas não pode nem deve ser alheia ao que pensa ser e ao que pensa ter. O seu lastro não pode ser perdido.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6595454240606407639?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6595454240606407639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/catarina-e-economia-catarina-moca-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6595454240606407639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6595454240606407639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/catarina-e-economia-catarina-moca-que.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-344402985480121274</id><published>2011-08-11T09:30:00.002-03:00</published><updated>2011-08-11T09:30:47.713-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; mso-outline-level: 2;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="mso-font-kerning: 18.0pt;"&gt;CÉLIA É UM MAMÍFERO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Célia, funcionária de uma empresa de telefonia móvel, olhando-se no espelho, admite que é um mamífero. Afinal, tem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;sangue quente e respira pelos pulmões. Quando está na água e usa o snorkel, sente-se inadvertidamente adaptada e em comunhão com as espécies todas que ela descortina. É sociável dentro e fora da água. Olhando a coisa desse modo, pensa que o que de fato lhe falta são nadadeiras. Olha seu corpo com cuidado, os braços e pernas que podem movê-la. As narinas para respirar. Tudo a contento. O que lhe falta mesmo é uma grande cauda, como as baleias. Algo que dê propulsão ao seu desejo de deslocamento. E mais uma grande camada de gordura para ajudar na flutuação e manter o calor. De posse desses itens, não tem dúvida de que atravessaria o Atlântico e todos os mares. Faria grandes travessias e de quando em quando iria emergir e expelir o ar quente e úmido dos pulmões. Daria um show formando colunas de água cada vez mais altas. Sabe que é bom poder habitar e desabitar as profundezas. No caso da baleia, bom e uma questão de sobrevivência quando rondada por caçadores. De qualquer modo, é claro que com essas propriedades, não lhe faltaria o canto e nem sublime audição para se localizar na imensidão dos mares e fazer contato com os seus. Pensa que deve ser por isso que quando canta sente-se absolutamente em comunhão. Lembra de ter lido que as baleias, quando se comunicam em distâncias superiores a que 24 km, fazem essa troca através de uma mesma janela de freqüência. Em função de seu trabalho, faz logo analogia ao verificar que usuários de telefone celular também se sintonizam nas áreas mais silenciosas do espectro sonoro. Atenta para a obviedade do fato de que a comunicação entre as baleias seja feita através de uma mesma janela de freqüência. Sorri. Não pode mesmo haver contato em freqüências desconexas. Há que, minimamente, se o usar o mesmo canal. E nem assim há garantias de comunicação. Frases e palavras podem se perder no canal, irremediavelmente. Pensa que deve ser por isso que as baleias cantam. Porque cantar coloca o eu e o tu na mesma faixa. Deve ser nesses momentos de conexão que a baleia sofre uma alegria insana e salta rompendo a água com seu corpo de algumas toneladas. Quantos segundos ela poderia ficar suspensa nesse desejo, vencendo a gravidade da água? Dizem que nessas ocasiões as nadadeiras, normalmente atrofiadas, chegam a medir até 1/3 de seu comprimento. Elas quase pássaros em uma metamorfose movida pela alegria do contato. Um vôo de puro desejo. Sustentado por esse desejo. Célia está certa que quer comunicar e não tem medo de distâncias. A água tem propriedades acústicas onde o som se propaga mais rápido que no ar, e ela sabe fazer seu espadanar chegar onde quer. Sabe, a despeito do tom quase puro e de baixíssima freqüência com que se comunica, que sua combinação de estalidos é uma espécie de assinatura sonora que a identifica e chega ao seu interlocutor em sequências de pulsos e intervalos. De que modo ela poderia desejar mais?&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-344402985480121274?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/344402985480121274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/celia-e-um-mamifero-celia-funcionaria.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/344402985480121274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/344402985480121274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/celia-e-um-mamifero-celia-funcionaria.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6722026370623065372</id><published>2011-08-06T10:27:00.000-03:00</published><updated>2011-08-06T10:27:11.670-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;DOIS DIAS PARA MARA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Mara está próxima de completar 40 anos e só consegue pensar em princípios de aerodinâmica e combustão. Liga para sua amiga toda afeita em pequenas magias e coisas transcendentais e diz: “Amiga, preciso de uma garrafada! Aquela de aloe vera e formol será que me adianta? Resolve meus problemas?” E a amiga se ri. E se riem juntas. Gisele lhe diz que tudo que ela precisa são dois dias. Sempre e para todas as coisas. Não tem quaisquaisquais. Iniciar um regime, cair na esbórnia, aceitar ou não uma proposta, sair de casa ou mudar de vida. De métodos. Isso principalmente. Dois dias de concentração nessa máxima e não vai ter aloe vera que faça páreo. Formol nem pensar, não é, Mara? Por acaso você deseja, aí bem no seu fundinho, estacionar esse estado de coisas ou qualquer outro? Gisele diz para ela deixar as coisas fluírem, que esse é o segredo. E mais os dois dias, claro. Mara talvez ache muito difícil a transição, o deslocamento. Certas vezes pega seu caderno de angústias, um caderno amarelo que ela comprou especialmente para isso. E escreve e escreve. No início, as palavras saem ajustadamente sem ajuste, mas com o decorrer do desabafo, ela percebe que toma cuidado ao usar as palavras e preocupa-se em não deixar fios soltos. Mas eles lá estão. Tem fio solto em tudo quanto é canto. Tem palavra que ela escreve feito aquelas redes usadas em circos para segurança dos trapezistas. Palavras rede. Mas Mara não percebe que então ela se aprisiona no conforto que certas palavras dão. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Nessas ocasiões ela vê abrir uma fresta no caderno e sente ir com pés e pernas e o corpo inteiro pelo vão. Fecha correndo o caderno. Enfia na gaveta e deixa que ele se esqueça dela. Vai para a praia e corre entrar na água. É quando ela bóia no mar e sente seu corpo mover-se com o ondular da água. Fecha os olhos porque tem desejo de fechá-los e ficar com as sensações ampliadas. Mas a água do mar tem correntes que ela desconhece e então pensa que seu corpo seguirá nesse fluxo. E fica em pé, sai do estado de alguma coisa por ela e retoma o controle. Isso a irrita profundamente, pois tudo fica em evidência quando está suspensa no mar, seja pela leveza do seu corpo, seja pela densidade da água. Até as palavras suspendem e vem uma mudez que a acalenta. Nessas ocasiões olha para as coisas e em tudo vê música e poesia que ela cala por dentro. Feito a borboleta que ela olha agora e que parece pétala, parece flor que dança com o vento. Uma espécie de harmonia entre a força que impulsiona as asas e um viver que é tão fugaz. Um estado de fenômeno que ela leva às últimas conseqüências. Pensa que é isso que Gisele quer dizer com os dois dias. Duas semanas para a borboleta. Dois dias para ela. Um tempo de intensidades antes da transformação de um estado. Antes do vôo que sucede um acúmulo de reservas. Mara sorri sua amizade com Gisele. As trocas, a que continuadamente se permitem. Entre outras coisas, constante metamorfose. Uma espécie de vôo que desloca as coisas de seus lugares e torna a elas depois. Feito vida.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6722026370623065372?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6722026370623065372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/dois-dias-para-mara-mara-esta-proxima.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6722026370623065372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6722026370623065372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/08/dois-dias-para-mara-mara-esta-proxima.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9059489599972628904</id><published>2011-07-28T12:42:00.003-03:00</published><updated>2011-09-27T23:18:06.166-03:00</updated><title type='text'>AMY WINEHOUSE</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;AMY WINEHOUSE&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É verão. Durante a noite a lua estará em seu quarto minguante no Atlântico Norte. Brilhará, ainda que a temperatura tenha caído. Talvez o vento sudoeste que flanasse a 8 km por hora fosse o suficiente para dar arranque nalgum moinho e talvez isso gerasse energia para alguém em algum lugar. Talvez folhas rodopiassem num canto qualquer fazendo com ele uma valsa, uma reza, um pedido. Talvez pequenos blocos de átomos se movimentassem num jogo de agregar e desagregar moléculas. Não importa. Fechando os olhos parece ser possível escutar um canto que vem da alma. Com todo o drama que pode haver em almas. Talvez fosse uma canção Soul, que ironicamente, significa alma. Um gênero de música que nasceu do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;rhythm and blues&lt;/i&gt; e do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;gospel&lt;/i&gt; durante o final de 1950 e início de 1960. Talvez. Não importa. Talvez tenha escolhido o gênero pela imensidão que ele carrega. E conjugou em si todo o desejo pulsante que flui com a melodia. Torvelinho de caos e dores. E fez isso em primeira pessoa. Nem era preciso ver para sentir. Bastava fechar os olhos e escutá-la. Escutar sua voz e letra. Voz e mensagem. A emotividade contida em meio aos ornamentos e aos improvisos. Surpresa e suspensão. Contágio. Musa e mulher. Diva de pés descalços sobre um tanto de angústia e apelo. Interpretação dramática e genuína que nascia de um viver com intensidade. Com excessos correlatos ou não. Um vivenciar de corpo inteiro. Como quem está no mundo e suplica a transposição e a transvaloração das coisas. De zero a 1000 em vinte e sete anos, se uma vida pode, de algum modo, ser medida desse modo ou de um modo qualquer. Não desejava medidas. Desejava a intensidade. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Em alta velocidade desenhou sua história para agora dar sua graça noutras paragens. Teria sentido desabrochar um desejo de inverter o estado das coisas? &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Um sopro de sobrevida antes da palavra calar? Antes de a boca fechar? Ninguém saberá. Não bastasse a intensidade da interpretação, escrevia as letras das canções. Escrevia pungências. Tinha coisas para dizer e disse em meio ao vermelho sempre misturado. Sempre como pano de fundo. Até o final. Gostava muito da música &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Monkey Man&lt;/i&gt;, de &lt;span style="border: 1pt windowtext; mso-border-alt: none windowtext 0cm; padding: 0cm;"&gt;Frederick Hibbert: . “&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Nunca vi você, só ouvi de você. Abraçando o grande homem macaco. É mentira sua, é mentira sua. Abraçando o grande homem macaco. Agora eu sei disso, agora eu compreendo. Abraçando o grande homem macaco. la la la, la la&lt;/i&gt;”. &lt;span style="border: 1pt windowtext; mso-border-alt: none windowtext 0cm; padding: 0cm;"&gt;Cantava em quase todos os shows. Um gosto que talvez falasse dela. Um gosto permeado de estranhezas e com um tom muito &lt;/span&gt;familiar. Não importa. Cada olhar para ela desperta os mais diversos estranhamentos. Olhares diversos e, igualmente, de uma estranheza familiar. Não importa, ou pelo menos, não importa mais. A temperatura varia entre 16 e 18 graus.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O céu é nublado e a umidade está em 64%. A despeito da previsão de sol entre nuvens para o domingo, é sábado e ela morre dentro de seu quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9059489599972628904?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9059489599972628904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/amy-e-verao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9059489599972628904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9059489599972628904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/amy-e-verao.html' title='AMY WINEHOUSE'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6952815003605149198</id><published>2011-07-21T12:29:00.000-03:00</published><updated>2011-07-21T12:29:51.363-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;OLÍVIA, ULYSSES E AS MANGAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;Quando Ulysses disse para Olívia que ia embora, ela ficou, assim por dentro, tão feliz. Não demonstrou, é claro, isso para ele. Ao contrário, assustou-se, quase indignada. E essa demonstração não era mentirosa, afinal perguntava-se o que tinha dado nele para dizer isso dessa maneira. Ela não podia encher a boca e dizer: “Sou feliz”. Mas vivia bem, achava. Ontem mesmo foram ao cinema, comeram pipoca e ficaram um longo tempo conversando sobre o filme enquanto tomavam um café. Isso sem contar o fim de semana na praia, o sol aquecendo seus corpos em meio ao inverno que fazia na sombra. Ela quase sente de novo o quanto estava bom. De qualquer modo, volta a si e a seus questionamentos. Isso tudo não tem nexo. “Ulysses, isso não faz nenhum sentido”. Não cabe aqui dizer o que ele disse. Foram tantas palavras simples e definitivas que a Olívia coube responder “tchau” quando ele finalmente se encaminhou para a porta e disse um “eu vou – a gente se fala”. Agora, depois de um banho prolongado, ela resta dentro do roupão com os cabelos molhados. O que ela teria feito para despertar nele esse rompante? As palavras que ele disse, somadas, não disseram uma só que tivesse um significado para ela. Mas ela está, finalmente, livre. Isso tem significado. Não está dando pulos pela sala porque ainda está submetida ao arrasto do susto. Amanhã pulará. Tamborila os dedos no braço da poltrona onde ele sempre se sentava. Qualquer lugar na casa agora é dela e mais todo o resto. Livros, discos e os quadros. Todas as coisas de que ele gostava tanto. Arranjará outras coisas para gostar. Olívia tem certeza disso. E ela? Sente um formigamento nas pernas, algo que lhe impulsiona a buscar o celular e ligar para Ulysses. Que bobagem... Esperou anos para que ele tivesse essa atitude e agora vai ligar? Pedir para ele voltar? De jeito nenhum. Pensa nas atitudes que devem ser tomadas quando alguém quer fazer regime. Sentiu fome fora de hora? Tome água. É isso que ele deve fazer. Vai tomar uma taça de vinho e acabará esquecendo esse desejo infantil. É maio e o vinho vai combinar perfeitamente com o que ela vai preparar para comer. Campeia no armário algo que possa lhe servir. Ele ia ao mercado e acabou não indo... Isso, junto com tantas outras coisas, agora será com ela. Deixa o pensamento passar. Espia na fruteira duas mangas exalando cheiro que Ulysses tinha trazido para sobremesa. Quase escuta sua voz dizer que elas olharam para ele e pediram: Me leve! Ele ouvia o desejo das coisas e assim fez. Agora é com ela. Pega uma, descasca e corta em pedaços de bom tamanho. Amassa um dente de alho bem miudinho e doura na frigideira com um pouquinho de manteiga. Doura e refoga ligeiramente os pedaços da fruta. Na cozinha, desfruta da iguaria amanteigada. Sorve a vida entre os dedos. Polpa agridoce e quente. No mais, amanhã ela pensa e resolve. Provando a fruta assim, saboreia o inusitado da vida e sorri ao imaginar o que Ulysses diria da mistura. Ele ia gostar, está certa disso. Qualquer dia liga para ele e convida para jantar. Se ainda tiver a dúvida que tem agora, perguntará também porquê foi embora. E se ele se sentir à vontade, ele diz. Caso contrário, desfrutam a fruta. Para ela está tudo bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6952815003605149198?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6952815003605149198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/olivia-ulysses-e-as-mangas-quando.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6952815003605149198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6952815003605149198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/olivia-ulysses-e-as-mangas-quando.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5266846232410086331</id><published>2011-07-15T08:54:00.002-03:00</published><updated>2011-07-15T08:54:48.647-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-family: Calibri; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;SUZANA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Suzana está aguda. Olha-se no espelho e diz com voz firme: É hoje. Olha mais uma vez: De hoje não passa, Su. Afinal, tem que ser carinhosa com ela mesma nessa hora de enfrentamentos. Toma um café mais forte que o habitual e solta todo o verbo de frente para o espelho. Escuta a sonoridade das palavras. Deixa que ocupem o espaço que precisam ocupar. Começa a sentir algo se deslocar dentro dela, mas nem atina com o que vai acontecer. Só dá tempo de empurrar a cachorrinha e se jogar por cima da mesa de canto e dos cacarecos todos que estão lá. Espreme o berimbau contra o canto da parede e sente a haste a lhe esmagar as costelas. Toca o instrumento com as vísceras. Deixa o estrondo gerado pela queda terminar seu ressoar dentro dela e pensa no susto dos vizinhos. Principalmente no de baixo. Fazer o que quê? Armários caem. Isso acontece. Mas não às quinze para as duas da manhã. Continua sobre a mesa pensando o porquê daquele desabar. Será cupim? Bruxaria. Isso sim. Um móvel desse não desaba assim. Não pode ver, mas imagina o espelho de cristal todo estilhaçado. A maçaneta de louça que ela comprou em um brechó em Buenos Aires, idem. Pipoca, enfiada que ficou no canto perto da mesa quando foi empurrada, ainda lá está. Olha para Suzana, com cara de interrogação? Na verdade, o olhar dela parece mais de alívio. Elas se entendem. Um armário ir ao chão é algo muito simbólico. Inda mais aquele armário. Trazia tanta história dentro que pesava toneladas mesmo vazio. E vinha sendo arrastado por Suzana há muitos anos. Era hora mesmo disso acabar. Bom seria se ela o tivesse lançado ao chão. Mas como? O armário, igual certas coisas na vida, era difícil de derrubar. O que ela sentia por ele era um misto de preservação e culpa. Amor e ódio. Devoção e desdém. Então a vida fez isso por ela. Jogou o armário, de angústias e sentimentos controversos, no chão. Suzana, moça que também é muito viajada em si, acha ainda mais simbólico a queda do armário justamente nessa noite. Durante o dia, passou sua hora inteira de análise desconstruindo o armário e tudo que ele significava. Lembra de alguém dizendo que as palavras têm poder. Acha que de fato elas têm. A consubstanciação disso é o armário atravessado no meio da sala. Não fosse agora quase 3 da manhã, pegaria o martelo na lavanderia e terminaria o serviço sabe lá de quem. Martelaria até restarem pedaços de bom tamanho para a lareira e teria uma noite calorosa. Abriria uma garrafa de vinho e poderia sorver, aos goles, sua libertação. A queda do armário. Não tem problema. D&lt;/span&gt;e uma hora para outra seus pensamentos transfiguraram-se em noite. E o azul da noite seda qualquer coisa nela. A trilogia de Krzysztof Kieslowski diz que a Liberdade é azul. Na noite, a perda de Suzana é azul, e nesse momento, ela pode justapor-se a ela e dizer “está tudo blue”. Adentrar a utópica liberdade da cena. Respirar a queda do armário. Amanhã, Suzana põe toda a madeira para queimar. É lenha, não é armário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5266846232410086331?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5266846232410086331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/suzana-suzana-esta-aguda.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5266846232410086331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5266846232410086331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/suzana-suzana-esta-aguda.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5319522589096694886</id><published>2011-07-07T23:04:00.002-03:00</published><updated>2011-07-07T23:04:57.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;MARISA E AS PALAVRAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Marisa é moça leitora, mas não leitora como os leitores de fato. Não lê também como os escritores, que dizem, precisam ler muito. Ela apenas ama as palavras e ama certas formas delas se encadearem. Pensa que algumas palavras têm ímãs para outras, e juntas formam coisas engraçadas. Coisas tristes. Coisas belas. Marisa acha que algumas palavras vêm dentro de uma espécie de saco quando as pessoas nascem. A bolsa estoura e caem o nenê e as palavras... Palavras de tantos tipos. De todos os tipos. De tipos que a gente nem imagina. Talvez nem todas sejam lembradas, mas Marisa acredita que ficam em algum lugar dentro de nós. Um lugar onde procuraremos sempre por elas sem jamais achar. Quais foram mesmo? Essas palavras, Marisa imagina que moram debaixo da pele. Entre a derme e a epiderme. Outras ficam em camadas mais profundas e por isso não se pode pinçá-las a qualquer hora. Diz que é preciso muito cuidado na busca por palavras entranhadas. Os pensamentos por vezes usam as palavras que estão nos subterrâneos. Eles emergem pela força propulsora delas. Marisa diz que são como foguetes disparados por controle remoto dos píncaros de algum lugar. Não se sabe o autor e nem o nome desse desconhecido que aperta o botão. Certos pensamentos vêm e pronto. Não dá tempo de evitar o disparo. Ela diz que é acidente. Simples assim. Por isso Marisa caminha sem parar. Sai de um lugar para ir a outro lugar. Não fossem os carros, ela nem pararia. Acha que certos carros são como os pensamentos. Vêm não sabe de onde e quando se percebe só dá tempo de ser acossado pelo susto. Por isso ela não lê. Ela apenas olha as coisas que estão escritas. Ama as palavras, seus duplos sentidos e os equívocos que se instauram quando fazemos uso delas. Ao passar os olhos por coisas escritas, de quando em quando algo lhe salta. Então ela aproveita o impulso e se desloca. Marisa gosta da palavra “desloca”. Uma palavra bonita que para a física, significa o deslocamento de um corpo, a variação de posição de um móvel dentro de uma trajetória determinada. A porção da trajetória pela qual o móvel se deslocou. E aí tudo muda para Marisa. Nos seus deslocamentos ela subverte a física da trajetória determinada e se ri. Diz que seus passos são, definitivamente, indeterminados e por isso tropeçam no tentar seguir seus pensamentos. Os pensamentos de Marisa voam e ela queria correr mais para voar com eles. Não pode. Lembra-se que eles são disparados pela força das palavras e então deixa que eles deslizem por ela sem tentar prendê-los. Sente o fluxo das idéias e segue. Dobra e desdobra sobre cada coisa. Às vezes estaca. Diz que estacar assusta o foguete dos pensamentos. Libera palavras subterrâneas da pressão de querer sair. Então estaca diante da folha que redemoinha num canto da calçada ou nos olhares que redemoinham seu olhar. Isso é quando ela se deixa capturar e fica muda. É quando ela mergulha em seus recuos. Marisa diz que nessas ocasiões tudo o mais se ausenta. Até o pensamento. E não tem carranca, trator nem alavanca que a faça falar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5319522589096694886?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5319522589096694886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/marisa-e-as-palavras-marisa-e-moca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5319522589096694886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5319522589096694886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/07/marisa-e-as-palavras-marisa-e-moca.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8311590075977833187</id><published>2011-06-30T17:53:00.002-03:00</published><updated>2011-06-30T17:53:48.066-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;ENTRE ROLL-MOPS E OVOS COR DE ROSA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Uma filósofa de plantão no boteco do Saldanha disserta com o garçon sobre Mozart enquanto manuseia o ovo cor de rosa entre goles da cachaça envelhecida nos píncaros de algum lugar. Francisca, na mesa ao lado, pensa nesse lugar e no homem a extrair o líquido que desce agora pela garganta da mulher e que talvez, deixe sua língua dormente feito perna quando se senta em cima dela e depois tem que esticar e fazer três sinais da cruz como sua avó ensinou – um no pé, outro na canela e mais um na coxa para a dormência passar. Parece ter tanto a explorar essa moça, que não percebe Francisca que a olha, atenta a cada movimento, gesto ou palavra que ela diz ou silencia. Diz ou engole enquanto engole a pinga. Francisca pensa que ela talvez durma atravessada no meio da cama. Porque não é saudável deixar um lado vazio quando não há ninguém mais nela. As pessoas precisam de romance. Precisam brincar. E Francisca, que não é diferente, vai dando asas à sua imaginação. Tem 53 anos, está completamente apaixonada e, assustadoramente, perdeu a necessidade de se proteger. Tem muitos momentos na sua vida e se apropria deles como pode. Transforma as coisas e faz palavra, faz estória. Faz cenas. Que mais Francisca, escritora de peças teatrais, pode querer? Enquanto pensa, tateia a mão pelo queixo e sente o pelinho insistente apontar outra vez. “Eles voltam embora eu os arranque com a pinça!”. Olha de novo a mulher que agora olha para ela agora com os olhos arregalados. Será que escutou seu espanto? Francisca deixa o protocolo na sua mesa e vai até a mesa dela. Leva junto sua porção de roll-mops. Sorri, puxa a cadeira e senta. Posso? A mulher vai direto ao assunto: “Você também tem pêlos no queixo, não é? E quando ele desponta e você o sente entre os dedos, quer extirpá-lo, não é?”. (Sorriem). “Pois é. É assim que estou. Precisando extirpar umas coisas de mim. Colocar um chapéu lilás de enorme aba na cabeça e sair vaporosa no meio da avenida. Dizer bom dia aos passantes e jogar-lhes flores”. Francisca aceita um gole do líquido que a outra oferece e se serve de um ovo rosa. A mulher, enquanto se serve do roll-mops, diz que vai contar o que a trouxe ali no boteco. E conta. “Dia desses saí de casa batendo atrás de mim a porta. Segui passo atrás de passo até o endereço contido num pedaço de papel colorido que uma cartomante me entregou um dia no meio da rua e disse: “Deixa eu ler seu futuro, moça”. Guardei o papel e nem liguei. Eu lá sou mulher de me dar a ler? Meu futuro eu escrevo! Mas um dia sucumbi e bati à porta da cartomante. Mandei que ela colocasse todas as cartas de uma vez. Que começasse do mais imediato. Das urgências da vida, sabe? Meu desejo era contundente e atravessou o olhar da cartomante, que suspensa, dentro do vácuo que eu criava, deitou as cartas sobre a mesa e me leu. Você acredita? O que ela viu eu não fiquei para ver. Antes que abrisse a boca eu pedi licença e saí. Chamei um táxi, pedi para ele me deixar aqui e aqui estou. Muito prazer, sou Antonia. Francisca estende a mão e riem-se deleitando-se entre os quitutes e golinhos de pinga. Desconhecem contra-indicações quaisquer que possam advir de tal combinação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8311590075977833187?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8311590075977833187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/entre-roll-mops-e-ovos-cor-de-rosa-uma.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8311590075977833187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8311590075977833187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/entre-roll-mops-e-ovos-cor-de-rosa-uma.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3163161790581984925</id><published>2011-06-23T23:47:00.002-03:00</published><updated>2011-06-23T23:47:47.016-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CLARA (MENTE) INVERTIDA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Clara está de ponta cabeça no meio da sala. No meio da novela, e nem era propaganda, ela saltou do sofá e foi para esse lugar. O meio do tapete da sala. Achou cabalística a idéia. Posicionou-se para tentar a “invertida”, uma posição da yoga em que se fica de ponta-cabeça. Ela pode não assumir, mas eu sei qual foi a cena que detonou esse arranque. O beijo que tirou seu ar. Natural ela querer fazer a invertida. Oxigenar o cérebro e pegar mais ar para respirar. Não bastasse isso, amanhã precisa estar linda porque Vítor e o resto do pessoal do escritório virão para jantar. Ela adora juntar os amigos e fazer festa, mas queria era puxar Vítor para dentro do banheiro e ficar lá com ele até a festa dos dois acabar. Dado que isto está fora de questão, fica para ela a boa e velha possibilidade de estampar a cara de paisagem. Está tão acostumada a manter o protetor de tela ligado que não sabe ainda como não queimou. Anda já soltando fumaça. Invertida como está, o ideal é que abstraia. Tente pensar apenas na sua respiração ritmada e buscar e desenvolver determinação, tolerância, disciplina, entre outros. Mas ao invés disso, pensa: “Qual o quê? Como posso esquecer que meu único desejo é que ele me arraste para um lugar qualquer e me dê ar?”. Invertida ou não, o celular está ao seu lado e ela liga para Soraia. Precisa desabafar. “Sim, amiga. Preciso urgentemente de uma respiração boca a boca, sabe? Estou tentando me catequizar com a estória de que posições da yoga dão força à coluna vertebral e respondem por manter a saúde do ser humano. Saúde! Garanto a você que se ele me beijar eu saro. Sim, é verdade que também posso ficar doente de vez. Eu sei que a respiração e as posições agem diretamente sobre a produção hormonal. Eu sei que me acalmaria caso eu pudesse me concentrar. Mas como se ele está em tudo que eu vejo?”. O jantar acontece. Clara está tão oxigenada que até sua pele tem outro viço. Vitor nota, diz que está bonita. Ela sorri um obrigada. Sorri obrigada. Queria pular no colo dele. Dar um vexame. Beijá-lo até que ele ficasse sem ar. Ele e todos na sala, não é? Súbito uma idéia. Esparrama o saco de cerejas em cima da mesa e elas vão caindo no chão. Não sabe como, todos vão tentando desviar e nesse tentar vão caindo. Menos ela e Vitor. Não entende o frisson de todos desabando entre cerejas. É bizarro. Estranhamente, como se o tempo congelasse, ela e Vitor estão absurdamente atracados pelo olhar. E todos atados ao chão e às cerejas. Isso não está acontecendo. Só pode ser resultado do exercício. As inversões proporcionam ao praticante mudança radical na sua forma de ver as coisas. De estar no mundo. Afinal, ver tudo de pernas para o ar desbaratina a pessoa! A percepção visual se altera e dizem os manuais que pode até promover maior tolerância e adaptabilidade às mudanças. Deve ser isso que acontece agora com ela. Isso tudo é efeito da invertida. Lembra quando começou as aulas. A dificuldade que tinha. Agora, só consegue escutar as risadas e o cata-cata das cerejas. Nem percebe quem lhe mete uma delas na boca e volta ao chão para pegar as outras. Estoura a fruta dentro da boca sem tirar os olhos de Vítor que não tira os olhos dela. Fruto sumarento essa paixão que os dois têm e que se revela numa noite de risos, suposições e cerejas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3163161790581984925?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3163161790581984925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/clara-mente-invertida-clara-esta-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3163161790581984925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3163161790581984925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/clara-mente-invertida-clara-esta-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6511556470444606970</id><published>2011-06-16T19:35:00.002-03:00</published><updated>2011-06-16T19:35:50.613-03:00</updated><title type='text'>DIOGO E RAFAELA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;DIOGO E RAFAELA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Dúvidas, meu irmão, não há jeito. A única maneira é se apropriar delas. Aprender a conviver. Sabe a morte? Pois então. É igualzinho. Ninguém gosta muito da idéia, mas sabemos que um dia vai acontecer. Certo como dois e dois são quatro. E se apropriando das dúvidas, você sempre pode evoluir para as técnicas de como lidar com elas. Duas camisetas iguais. Uma azul e uma verde. Fecha os olhos, embaralha, embaralha, pega uma, solta a outra. Abre os olhos. Pronto: leve aquela que ficou na sua mão. Mas tem que definir isso no começo ou corre o risco de se perguntar: levo a da mão ou a do balcão? Pode também perguntar qual o vendedor prefere. Mas é preciso confiar no que ele vai dizer! Se questionar por um segundo, já foi. Convidar aquele amigo “super seguro” também pode ser uma ótima idéia. Mas que fique bem entendido que confia nos critérios dele. Quando for comprar para presentear e surgir a pergunta clichê: será que ela vai gostar?, assuma de uma vez que isso será problema dela a partir do momento que lhe oferecer o pacote. Trocas são feitas todos os dias. Menos aos sábados. É a coisa mais comum no comércio. E sempre vai restar o nobre da intenção. Sim, aquilo mesmo com o qual dizem que o inferno está cheio! A moça parece, de fato, muito resoluta ao falar isso com Diogo quando ele adoece ante o caminho a seguir. E mesmo que ele não possa perceber o quanto isso custa a ela, resiste. São amigos numa amizade que tem cor e tem cheiro. Dizem: somos amigos coloridos. E mesmo que ele não possa preencher todas as frestas que ela percebe, ela gosta quando desafia seu olhar. Aceita ou nega seu desejo. Como quando dormiram juntos. Um desejo de intimidade cheio de estranhamentos e dúvidas. Ela bem sabe que não pularia no seu colo se ele gritasse que a ama. Sente mesmo quase uma dor por isso. Ele desnorteia quando é ela quem faz um chamego ou lhe estala um beijo. Quando o acompanha nos caminhos de passos e paradas. Ele admira sua impulsão e pergunta-se de onde vem. Rafaela diz que é da fome. E repete Adélia: “Não quero faca nem queijo: quero a fome”. Sua amiga é um arco-íris e ele gosta de olhá-la. De vivê-la. E mesmo contra toda a evidência e previsibilidade das coisas, sabe profundamente da não existência de garantias. Mas quer o jugo. Se perder e se achar através dos olhos dela. E mesmo que essa revolução sucateie seu amor sabe que a relação entre as pessoas deve ser feita de trocas. Mesmo que componham uma relação de poder. O poder sempre pode trocar de mãos. Para evitar equívocos, assumem que sua convivência está submetida aos ventos e à poesia. É um jogo, afinal. Rafaela e ele vão construindo uma tragicomédia autobiográfica. Riso e choro. Um jogo de exibição e da ocultação. De beiras. Eles bem sabem que em volta do grande buraco que é a vida, tudo é beira. E deslizam nessa superfície, no jogo com as palavras. O abismo sempre como pano de fundo. É a forma que descobriram para andar ao contrário. Pairar nas dúvidas que compõem o avesso das coisas e desnudar seus meandros. No mais, café com pão nas padarias da cidade e tudo que resvala e rescende. Não querem mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6511556470444606970?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6511556470444606970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/diogo-e-rafaela.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6511556470444606970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6511556470444606970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/diogo-e-rafaela.html' title='DIOGO E RAFAELA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8520734515292363663</id><published>2011-06-09T21:17:00.000-03:00</published><updated>2011-06-09T21:17:04.232-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-D5hLUAJqPe0/TfFiGzTmvYI/AAAAAAAAAT0/OhshEjwjlFs/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+O+olhar+de+Isabel+Marcelo+Oliveira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-D5hLUAJqPe0/TfFiGzTmvYI/AAAAAAAAAT0/OhshEjwjlFs/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+O+olhar+de+Isabel+Marcelo+Oliveira.jpg" t8="true" /&gt;&lt;/a&gt;ilustração: Marcelo Oliveira&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O OLHAR DE ISABEL&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Isabel olha as coisas à sua volta. De dentro do barco, observa a imagem do horizonte que se debruça sobre o seu olhar. Olha do verbo fitar com os olhos. Mira, encara, contempla, sonda. O dicionário diz, e não erra, que olhar é também “tomar em consideração”, ocupar-se de alguma coisa. É exatamente isso que ela faz a cada encontro com o que paira. Tanto se ocupa que se perde. É que Isabel mergulha naquilo que olha. Vai às profundezas. Emerge e lembra do olhar de peixe morto, sem expressão qualquer ou o olhar de vaca laçada com todo o susto dentro. Tudo aquilo que ela olha em profundidade, ela guarda. Seja um ponto estratégico, uma criança, ovelhas. Ela guarda. Conserva. Não revela nem oculta. Gosta de guardar. E acha que até calar-se é guardar o silêncio. Elocubra sob o olhar da poesia e sobre o que ela guarda em seu olhar para o mundo. Para as coisas. E vela e é por elas. Segue guardando o horizonte que gira ante o balanço das águas. Se deixa estar no balanço para conectar-se ao que não é estável. Ao que flutua. Lembra de Zac balançando a rede para ela. Lembra do desejo do vôo e do peso da gravidade prendendo seu corpo ao chão. Prendendo a rede ao chão. Deixou-se balançar nessa interface que não é real e não é sonho. Pensa que o nome disso é ilusão voluntária. E que quando uma ilusão voluntária coincide com a ilusão voluntária de outra pessoa, passa a ser sonho. “Sonho que fatalmente viraria pesadelo”. Então não é a gravidade que prende coisas e pessoas ao chão. É o medo. Tenta organizar a sua memória. Lembrar das ações de Zac em ordem alfabética. Das ações onde ele aparece apenas e tão somente como resultado delas. É por isso que Isabel sorve toda a ausência que sente. Deixa-se estar nela. Aconchega-se em seus braços. Sabe que ele vai contentar-se com cartões postais e ela mesma deseja que seja assim. Só uma sobreposição de imagens. Ela sabe da mala pronta e todos os dias a vê no canto do quarto. Está ali como lembrança de que sempre poderá viajar e conhecer lugares novos. Pessoas novas. Sabe que entre o descuido e a premeditação, tem o desejo. Se o aparente erotismo de Zac mancha o branco da sua camiseta ela aproveita e desfila. Isabel é mulher de tentativa e erro. Mulher que aprende fazendo e vai rasgando acasos e estruturas. Até as mais flexíveis. Diz que o que está estruturado serve de apoio para o vôo. Afinal, tudo não passa de um complexo de relações entre o que constitui o indivíduo e o que está ao redor dele. Nas relações que circundam esse processo. No dinamismo. No mais tudo que pode haver entre eles tem só e só um significado potencial. O ofício de Isabel é ser ela mesma. Usar a máscara número 1. Por isso segue sustentando-se naquilo que vê. Naquilo que cria. Porque isso gera condições de suportar todo o limitado que ela reconhece. Por isso brinca. Por isso ama. Afinal, se pegar o telefone e discar o número dele, o que lhe restará? Escutar a surpresa? O susto? Isabel é mulher de ação e sabe que não quer nada disso. Nada. Ela não é cachorra. É sonsa. Tão sonsa que não avisa o momento da mordida. Morde apenas. É da sua natureza e ela não pode e nem quer evitar. Isso tudo parece perfeitamente razoável entre as garfadas que dá e o colorido que resta no branco do prato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8520734515292363663?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8520734515292363663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/ilustracao-marcelo-oliveira-o-olhar-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8520734515292363663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8520734515292363663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/ilustracao-marcelo-oliveira-o-olhar-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-D5hLUAJqPe0/TfFiGzTmvYI/AAAAAAAAAT0/OhshEjwjlFs/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+O+olhar+de+Isabel+Marcelo+Oliveira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2885522916529087851</id><published>2011-06-02T18:16:00.000-03:00</published><updated>2011-06-02T18:16:45.572-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wWdsKfw978c/Tef9knolUhI/AAAAAAAAATw/f8D6I6pBbJI/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+Maria+Tereza.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-wWdsKfw978c/Tef9knolUhI/AAAAAAAAATw/f8D6I6pBbJI/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+Maria+Tereza.jpg" t8="true" /&gt;&lt;/a&gt;ilustração: Fábio Abreu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;MARIA TEREZA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Ela se espanta e não ao abrir a porta do 102. Pede, entre delicadeza e ordem, que os pés sejam limpos no capacho antigo. A limpeza do apartamento é feita uma vez por semana e é preciso conservar limpo. Conservar o que se quer guardar. A limpeza. O conforto do que se tem. Recebe as pessoas na sala de alguns móveis. Tudo ali parece ter uma história. O antigo do lustre aponta que há possibilidade de luz. As janelas semi-serradas denotam um conforto que vem do esconder o externo. Meu lar é meu castelo. Maria Tereza é rainha em vida. Não sei de onde sinto a intimidade. Algo que me convida e incita a estar ali. Ouvir cada uma das histórias que ela tem para contar e me deixar contagiar por um ânimo que profundamente desejo. Ter perto de 80 anos e viver um vigor que sinto de apenas olhá-la. Penso na história de seu nome. Todas as letras fincadas no dia do nascimento. O signo. O ascendente. Tudo sobre a vida que paira na sala de alguns móveis e tanta história. Há algo em mim que se desabilita. Quem sou frente à mulher de nome, idade e signo? Leão. Ela diz que é leonina e procura um amor para restar nos dias. Que não importa o gênio que tenha. Quer sua companhia e há de domá-lo. Queria dar o homem para ela. Criá-lo em minha imaginação, cheio de amor e desejo de amar, e inscrevê-lo repentinamente na vida de Maria Tereza. Na vida repleta desse desejo”. Caminha a mostrar o imóvel. As marcas de si nas fotos de família. A mãe com a qual ela parece. “Sou muito parecida com mamãe. Eu, que tudo perscruto com os olhos e com o desejo, vejo em cada coisa a mulher. Em cada mínimo canto. Esquadrinho uma idéia da fome e da vontade dela e do que pode haver depois da porta do refrigerador. O desejo do café com bolo de laranja é meu ou dela? Como me serviria um copo de água se eu pedisse? Como afagaria meus cabelos se eu deitasse a cabeça em seu colo? Afagaria? O tempo espreme a todos dentro da sala e ela não quer que ninguém se vá. Talvez trocasse todo o seu desejo por continuar a nos contar uma história enredada na outra. Uma história só. Uma colcha de retalhos estendida sobre a cama. Talvez quiséssemos todos restar ali a ouvir as histórias coladas umas nas outras, histórias cheias de ar a fazer respirar todos nós. Maria Tereza pega o caderninho pequeno de espiral. Que guarda ali? Anota nossos nomes e pede os sobrenomes. Escreve nossos nomes numa das folhas com a doçura e firmeza da sua letra, e o joga sobre o sofá. Restaremos ali. Com esse papel na vida dela. De um momento. Da rua, o canto do olho rabisca para mim sua figura na janela. Qualquer coisa que se estreita entre o que pode e o que não pode ser, e o que será. Tenho saudade de algo que já não é, e sem ter sido, apenas é. É e paira. Ela está lá. Eu estou aqui. E mesmo que Maria Tereza pudesse propiciar meus sonhos e eu os dela, ainda assim seríamos tão outras e tão as mesmas. O canto do olho desolha e sigo sem olhar para trás. Acarinho a curiosidade de tornar os olhos para ela ou para a janela sem ela. Já a tenho dentro junto de tantas outras ideias. Abraço e me aninho em seu colo, Terê.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2885522916529087851?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2885522916529087851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/ilustracao-fabio-abreu-maria-tereza-ela.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2885522916529087851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2885522916529087851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/06/ilustracao-fabio-abreu-maria-tereza-ela.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wWdsKfw978c/Tef9knolUhI/AAAAAAAAATw/f8D6I6pBbJI/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+Maria+Tereza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4879172420362485239</id><published>2011-05-27T21:51:00.000-03:00</published><updated>2011-05-27T21:51:00.381-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TZ1ryCQj68g/Td7ddCHna7I/AAAAAAAAATs/2y7d71IaIYE/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+AN+O+voo+de+Lidia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="238" src="http://1.bp.blogspot.com/-TZ1ryCQj68g/Td7ddCHna7I/AAAAAAAAATs/2y7d71IaIYE/s320/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+AN+O+voo+de+Lidia.jpg" t8="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ilustração: Marcelo Oliveira&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O VOO DE LÍDIA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Lídia, que acaba de despachar suas malas na esteira da companhia aérea, pensa em Pedro e caminha para o café. Ela administra esse mundo que é tão seu. Nenhuma preocupação que risque seu rosto com linhas que não chegam antes do tempo certo. Sabe que há tempo para tudo. Até para as rugas. Tem o olhar de quem conhece essa afirmação e, nele, a paciência para tudo que ocorre a seu tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Foi assim quando deixou de restar perfumada no balanço da rede. Levantou e saiu. Tem Pedro tão dentro dela. Talvez só ele saiba que ela, quando gorjeia, fica nua entre o choro e o riso. Talvez. E talvez, por sentir-se tão inteiramente nua, é que ela finge. Ela se esconde em tudo que veste. Até nas máscaras. Nas tantas que é. Quando canta e sua voz escorre, se vê deslizar por ladeiras, girar em saias e encontrar as águas. Caminhar rios inteiros e desaguar no mar. Sente na boca o sal se misturar ao doce. Lídia é salobra e tem correntes frias e quentes. Tem micro-organismos. Sorri a vida que há nela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Queria ver Pedro deslizar na água e terra que é. Deslizar no lodo que há por baixo. Tão perto, observa os receios dele. Os receios que a sustentam e permitem que ela possa mentir tão assustadoramente. Às vezes, escuta a culpa espiá-la pela janela. Lídia não sente culpa nenhuma. Apenas desvela sua presença. Sua ronda. Um dia saiu da janela e bateu à sua porta. Lídia destrancou as chaves e a convidou para entrar. Ofereceu o aconchego da poltrona e apoio para os pés. Ofereceu café. Tornaram-se grandes amigas. Pedro vê e não vê. Nodoa. Ora atenta, ora pensa que esquece. Lídia sabe que certas coisas não se pode esquecer. Deixa-o olhar para ela e estar suspenso. Chama para sair. Ri. Chora. Mente. Sabe que enquanto houver sol ela sempre poderá deitar seu corpo na areia quente. Dourar e aquecer. Sente o sol metabolizar suas enzimas e turvar seu pensamento. Quanto à culpa, depois de tanto tempo de confidências no sofá regadas a café, deu um basta. A verdade é que está muito bem, obrigada. Se Pedro quer pairar nessa névoa absurda, que assim seja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Ela prefere o sol. A claridade do sol. Sente seus raios atravessarem o escuro dos óculos e iluminarem as letras que moram nela. As letras de seu nome. Todas juntas demarcam o que disse a astróloga diante das cartas tantas espalhadas pela mesa: “Moça, você é uma contradição! Joga com os opostos em todas as instâncias da sua vida. E o melhor, você não acha isso ruim”. Lídia sorri o que dentro já sabe, mas deixa acontecer o efeito de uma afirmação externa que vem supercolar o que já estava dentro. Adesivar-se à pele. Ela gosta do jogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Nasceu para estar diante da malemolência que permeia o sim e o não. Talvez não queira mesmo saber de nada definitivo. Diz que definitiva é a morte e enquanto ela viver quer o provisório, o que pode mudar sem hora marcada. O que pode assustar. Talvez por isso ela caminhe certa e incerta pelo saguão. Talvez por isso desvie e atravesse a porta que abre ao seu pisar para fumar um último cigarro antes do embarque. Talvez por isso ela acene para o táxi que passa vazio e entre sem dizer palavra. Sabe que precisa abrir espaço para as coisas. Abrir os pulmões para o ar e a fumaça. Dar sorte para o azar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4879172420362485239?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4879172420362485239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/ilustracao-marcelo-oliveira-o-voo-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4879172420362485239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4879172420362485239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/ilustracao-marcelo-oliveira-o-voo-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TZ1ryCQj68g/Td7ddCHna7I/AAAAAAAAATs/2y7d71IaIYE/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+AN+O+voo+de+Lidia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2054626021027627103</id><published>2011-05-19T09:13:00.000-03:00</published><updated>2011-05-19T09:13:10.690-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OKjFTmVKDIw/TdUI_jgMb0I/AAAAAAAAATo/7nj4PCg_a1I/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+marcelo+oliveira+AN+o+cantar+de+isaura.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" j8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-OKjFTmVKDIw/TdUI_jgMb0I/AAAAAAAAATo/7nj4PCg_a1I/s320/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+marcelo+oliveira+AN+o+cantar+de+isaura.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;ilustração: Marcelo Oliveira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O CANTAR DE ISAURA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Isaura está recostada na poltrona de tecido amarelado. Não sabe se é o esmaecido da cor ou se é a própria aura dela que amarelece ainda mais a cena. Ela se apercebe do palco onde atua. Atua? Olha os dedos que tamborilam no colo, nos braços da poltrona. Como se por dentro houvesse uma angústia a devastá-la. Pergunta-se o que poderia fazer para subtrair a dor que vê e sente e que paira sobre a sala, a cozinha ou o quarto. Há uma densidade indevassável que Isaura carrega com ela. Está nos olhos que espiam sua própria vida com rigidez. Uma espécie de dor que ela acalenta e arrasta. Compreende o quanto está misturada com o que vê e silencia. Queria plantar nela própria um desejo que a arrancasse desse lugar. Ver qual sintonia busca enquanto gira o dial da vida. Haverá algo capaz de calar o que fala em mim? Desde pequenina pergunta-se. Nem sabe como cultivou tantas questões e quando desistiu de responder. Desistiu? Há algo que a acalenta enquanto bóia nas dúvidas. Mas ela não vê. O estômago dói. A cabeça e as costas bem na altura da quarta vértebra. Outras vezes o braço, os dedos, as pernas. Diz querer o cheiro do encontro. A temperatura. O gosto que certas coisas têm. Até a dor. “Eu quero ser estreitada na parede que separa o sim do não”. Não ter tempo para a dúvida. Isaura quer, de vez, se situar diante do que fala e do que silencia. Do olhar que se dirige para ela e finca. “Quero que finque morada em mim. Sinta que sou áspera, sou dura, tenho espinhos e adoro rir”. Da poltrona onde está, olha o quadro na parede. Um pedaço de terra e água que ela conhece tão bem. Um lugar que é a soma de infinitas direções trazidas pelos ventos. Assim como a paixão que sentiu num dia tão distante. Pensa em tudo que andou e nos passos que não podem voltar. Pensa no chão esvaído. Nela mesma tão escorrida. Se pudesse levantar da poltrona deixaria para Jonas a exata medida de tudo que amou. Deixaria o disco que ela tanto gosta e todo o resto. Talvez, se ela fosse atriz de um certo filme, diria: “Jonas foi meu erro. Meu primeiro e grande erro”. Sabe que depois dele, todos os outros parecem menores. Justificam-se, ela diz. No entardecer da vida, o que sossobra é a brisa e tudo que vem com ela. A brisa e as canções. E por mais que Isaura tente compreender, quando da janela olha o mar e as ondas que rebentam em sua memória e lá mais na frente, é inevitável a constatação: não há como saber de todas as coisas. Não há como prever os acertos ou evitar os erros. Há apenas as coisas que tamborilam dentro de nós e criam fagulhas. Ela sabe que não pode lamentar o que não incendeia. Nem todas as coisas geram combustão. Mas pode evitar o medo do incêndio. Bem sabe, fechando ou abrindo os olhos, o que crepita. A brisa, ao seu tempo, mostra isso para Isaura e, matreira, faz seu olho piscar com uma fagulha qualquer que vem de um lugar qualquer. É talvez esse impulso que a faz deixar o amarelecido da poltrona, ir até a penteadeira e roçar de leve a cor do batom em seus lábios. Olha no espelho o rosto de alguma vida e os sonhos carmim que sempre encheram seu viver de graça. Cantarola uma música qualquer das tantas que habitam seu imaginário. Haja o que houver, canções colocam coisas no lugar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2054626021027627103?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2054626021027627103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/ilustracao-marcelo-oliveira-o-cantar-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2054626021027627103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2054626021027627103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/ilustracao-marcelo-oliveira-o-cantar-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-OKjFTmVKDIw/TdUI_jgMb0I/AAAAAAAAATo/7nj4PCg_a1I/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25A3o+marcelo+oliveira+AN+o+cantar+de+isaura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-399348490478181624</id><published>2011-05-13T14:31:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T14:31:37.127-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CARTA PARA FRANCISCO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Querido amigo. Desculpe a formalidade, mas penso que seja essa a melhor maneira de chamá-lo a partir de agora. Espero que esteja feliz e que continue dando consultorias para empresas de marketing. Eu acho essa coisa de marketing meio esquisita, mas tenho que admitir: Você é bom no que faz. Sabe convencer a mais incrédula das criaturas. Tem um tipo bom de se vender. Lembra até aquela piada: Se eu te comprasse pelo que vale e te vendesse pelo que pensa que vale, teria um rendimento sem precedentes! Você morreria de inveja ao me ver tão milionária com o seu passe. Mas sossegue. Não comprei. É certo que fiquei anos parada na vitrine. Acreditaria se eu dissesse que até babei? Babei, baby. Babei mesmo. Mas, como sou muito comunzinha, digo uma frase pronta. Clichê: Não há mal que sempre dure ou bem que nunca se acabe. Eu sou clichê. Fazer o quê? E se não comprei, não vendi. Como poderia vender o que nunca tive? Mas deixa de papo furado. Escrevo pra dizer que não fui para o inferno. “Eu não iria tão longe por você”. Mas não tente saber onde estou, não. Prefiro manter silêncio sobre isso. Vai que você tenha ímpetos de me procurar? Deus me livre! O telefone? Puxa, mudei também. Aquele que você sempre soube o número e nunca me ligou, sabe o que fiz? Básico, quando se trata da minha pessoa clichê. Sabe aquele filme “O Diabo veste Prada? Sim, aquele mesmo com a magnífica Meryl Streep. Então, lembra quando a secretária dela, depois de tempos e tempos de abuso, tem um lampejo de lucidez e joga o aparelho celular na fonte em frente ao escritório deixando sua chefe absolutamente de queixo caído? Então... fiz igual. Joguei com aparelho e tudo em uma fonte! Onde? Aposto que se pudesse me ver, diria: sua mentirosa, e aqui por acaso tem alguma fonte? Ah, Chico... (Chico eu posso, não é?), não foi aqui não que eu joguei. Fui para um lugar muito especial e lá tive esse ato heroico. Onde? Paris, Chico. Fui para Paris e aproveitei para fazer isso. Com quem? Ora, com o Túlio, aquele seu amigo, lembra? Ao menos, dizia ser seu amigo. Mas deixa o Túlio para lá. De qualquer modo, agora é que vai ser ainda mais impossível você não se lembrar de mim. Sei como são as coisas. Você sempre disse para eu não me incomodar com as tantas mulheres que viviam dependuradas no seu pescoço. Porque amar mesmo você amava a mim. Não é verdade? Pensava assim mesmo? Pois é, Chico. Sendo assim, não me preocupei quando o Túlio me convidou. Agora, chupa essa manga! E se tiver um tempinho, dá uma olhada embaixo da cama, “nos carros passando, no verde da grama ou na chuva chegando”. Olha bem e vai ver que eu vou estar sempre lá. Sempre minha sombra. Aliás, se quiser saber de mim, procure nas páginas dos jornais, nos classificados ou mesmo na esquina bem ao lado da sua casa. Porque embora você não acredite, “vou estar em tudo que você vê”. Parece incrível e eu nem sou barata (aliás, sou bem mais que isso), mas a música diz e você conhece bem a letra: “Vou estar nos seus livros, nos seus discos. Vou entrar na sua roupa e onde você menos esperar”. Mas me faça um favor: não grite. Até porque, meu bem, eu dentro da sua roupa...ah! vai ser muito engraçado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-399348490478181624?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/399348490478181624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/carta-para-francisco-querido-amigo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/399348490478181624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/399348490478181624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/carta-para-francisco-querido-amigo.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1545734571381268846</id><published>2011-05-06T00:00:00.000-03:00</published><updated>2011-05-06T00:00:24.138-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;NASCE MARIANA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;A moça pergunta-se o que é Terra Natal. Escuta dizerem que tal qual o amor, é coisa única. Um só amor por vez. Uma só terra natal para se ter. Dizem. Mas Mariana, que só conhece o mundo e as coisas “de ouvir falar”, não pensa assim. Pois sente-se capaz de abrigar em si muito amor. Amor simultâneo por coisas, cidades e pessoas. Por isso ama Edgar e Rafael. O vestido com estampa de oncinha e os chinelos. Por isso navega nas ruas da cidade e diz: eu nasci aqui. A muitos lugares ela sente pertencer. Lembra-se das aulas do primário, dos símbolos de&amp;nbsp; pertence e não pertence, no agora Ensino Fundamental. Certas mudanças ela não administra bem. Pensa que fundamental é mesmo o amor. E isso não muda. Escuta a frase que vem de alguém e também outras. Ela não cansa de amar as mudanças. Todas elas. Até do tempo. Talvez porque assim vislumbre possibilidades de recriar-se e sair da mesmice a que todos estão destinados. Estamos todos destinados à mesmice! , diz apocalíptica. De todas as formas possíveis para uma mudança, ela prefere aquelas que não tecem motivos para acontecer. Sem razão ou razões para explicar ou justificar. Diz: gosto daquelas que se interpõem feito tiro – entre o disparo e o alvo. Talvez porque isso a pegue de súbito e ela se renda à surpresa. Ela adora surpresas que a surpreendam, que a suspendam. Um dia caminhava passos sonoros numa calçada da cidade. Vaporosa, balançava o vestido em seu rebolar e tirava e punha no chão a sandália espartana. As tiras amarrando carinhosamente o duro do tornozelo. Nem notou que logo à frente havia um duto de ventilação no desenho da calçada. Quando a lufada de ar se instalou debaixo do vestido, aparou-o com as mãos. O instante em que segurou a saia foi solapado pelo desejo de se largar ali. Brincar com o vento que queria brincar com ela. E debruçou-se sobre o evento. Deixou-se atravessar pela idéia, pela brincadeira. Ali mesmo, no meio da calçada, entre transeuntes e passantes, foi Marilyn Monroe. E porque era a sua cidade, sentiu deflagrar os rastilhos daquela experiência. Admite que qualquer rastilho pode ser mais que isso. E quer mais. Porque Mariana gosta mesmo de incendiar. De experimentar desassossegos, cheiros inusitados, rajadas de vento. Isso é estar no conflito. Como estar no sofá de uma sala de espera, somente no aguardo da sua vez de entrar. Dar ou receber o diagnóstico. Assinar ou não o contrato e assumir as prestações que a farão refém ou algoz. Os papéis todos da gaveta espalhados em cima da mesa. Um foco de luz roendo um pedaço do seu chão. Ela ama cada estrondo. Cada parede que desmorona. Disse para sua amiga que coragem não é ausência de medo – é o medo mais o desejo de fazer determinada coisa, de superar aquele medo. De novo a voz: Há desejo dos dois lados. Sim. Há sim. Deve ser por isso que toma o avião carregando apenas sua bolsa. Sabe que quando se tem muito a perder não há espaço para pensar. Esse é o caso e ela vai perder cada uma das suas coisas. E vai nascer num outro lugar repleto de coisas outras que vai amar e odiar. Uma outra terra natal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1545734571381268846?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1545734571381268846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/nasce-mariana-moca-pergunta-se-o-que-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1545734571381268846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1545734571381268846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/05/nasce-mariana-moca-pergunta-se-o-que-e.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7955894249991094273</id><published>2011-04-28T22:35:00.002-03:00</published><updated>2011-04-28T22:35:32.107-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A ÓTICA DE ADRIANA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Adriana ultimamente tem pensado em rimas. Em combinar e (des) combinar. E vai dando asas para o seu olhar. Um anel feito de uma raiz qualquer que boiava no rio. Um caranguejo cozido na cerveja. Degustar. Muitas braçadas no alastrado do mar. As ondas do mar. Um chocolate. Um livro cheio de aventuras de se perder e se achar. Milhares de palavras. Um enorme ponto de exclamação ou os raios do sol. Dourar e aquecer. Iluminar. Mãos debaixo do cabelo. Um abraço de enrolar os braços. De se perder e se achar. Um poema. Uma música para dançar e se encantar. Uma rede para balançar. Um balanço para ninar. Uma comidinha feita em casa. Um copo de água que mate a sede. Um beijo cheio de sede. A mão quando for preciso. Também o colo. A mão para caminhar. Navegar. Ver os peixes no fundo do mar. Temperos frescos para cozinhar. As margens das coisas. Dunas de uma praia. Todas as praias. Barcos. Velas e claustros. Todas as florestas. Os rinocerontes. As sombras que guardam. Fontes para se banhar. As noites e as manhãs. Estórias e histórias. Flores de todas as cores. Pétalas. Vôos de pássaros. Cantos e silêncio de pássaros. O barulho do mar. Uma concha para guardar. Cócegas para brincar. Uma letra de música que derrame lágrimas. Esboce sorrisos. Um esboço de casa para guardar. Manga. Fruta do conde e um pé de jatobá. Uma palavra sussurrada. Um hino para cantar. Faca boa de cortar. Um violão para acompanhar. Roda de samba, de capoeira e berimbau bom de escutar. Cheiro e gosto de pimenta. Lugar de se esconder e se achar. Uma criança. Um cavalo solto no pasto. Rebanhos para apreciar. Superfícies para caminhar. Caminhos de se perder e se achar. Coisas para desvencilhar. O que se quer. O que não. Uma quadrilha para bailar. Uma casa para voltar. Um beijo de arrasar. Pecados pequenininhos. Um balão colorido subindo para o céu. Contas para pagar. Um terreiro para o olhar. Dúvidas para acalentar. Alguma dor para sentir. Fome. Ânsia de paz e de guerra. O sorriso de um menino. Uma corda para amarrar. Um nó para soltar. Uma pedra para atirar. Uma mentira para ocultar. Segredos para descobrir. Paisagens para desvendar. Quintal. Uma cadeira para recostar. Muitas janelas por onde olhar. Janelas para o vento entrar. Janelas para fechar. Cadeira de balançar. Uma máquina para (des) calcular. Panela boa para grelhar. Um samba de se acabar. Um jardim para plantar. Alguém de quem cuidar. Um vício ruim de tirar. Uma raiva de espumar. Espuma para se banhar. Uma pedra para lascar. Muita lenha para queimar. Fogueiras para se engraçar. Um pau para chutar. Uma cabana para descansar. Toda a vida que há no mar. Um sorriso para fazer chorar. As rugas de um olhar. Tempo para escutar. Um pedaço de pano para enxugar. Alguma monotonia para cansar. Tinta para desenhar e mudar. Portas para destrancar. O que nem sempre se pode escutar. E a doce surpresa de morar no seu olhar. Se perder e se achar. É isso, mais todas as entrelinhas, que Adriana diz no ouvido de Vítor. Ele sorri sem ao certo escutar. Das coisas que ele tem para dar, ela só pega o que esvai na fumaça das horas e ele nem vê. E nem pode alcançar. O que pode queimar. O que não dá para segurar e nem teria cabimento ocultar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7955894249991094273?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7955894249991094273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/otica-de-adriana-adriana-ultimamente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7955894249991094273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7955894249991094273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/otica-de-adriana-adriana-ultimamente.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6829136381531041822</id><published>2011-04-21T20:11:00.000-03:00</published><updated>2011-04-21T20:11:11.698-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O DESCONFIAR DE ANA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Ana, apesar de não ser mineira, é moça muito desconfiada. Sobe os degraus da escada e desconfia estar atrasada. Em meio à correria não sabe se registrou corretamente o horário. Teria marcado três ou três e meia? De qualquer modo, segue seu passo. Caminha. Em algumas horas saberá. Desconfia que não trancou a porta ao sair e que, como se isso não bastasse, esqueceu de colocar água na vasilha de Peni. Peni é o apelido de sua cachorrinha, Penicilina. Escolheu esse nome porque a substância é curativa e Ana precisava curar-se. De quê? Ela desconfia que de “mal de amor”. Natural então essa atitude. As penicilinas constituem uma das mais importantes classes de antibióticos e são amplamente utilizadas no tratamento clínico de infecções causadas por diversas bactérias. E se Dr. Alexander Fleming, em 1928, tivesse conhecido Ana, certamente estudaria a moça em laboratório. Exatamente como fez com variantes de estafilococos, observando que a cultura de um tipo de fungo, Penicillium notatum, produzia uma substância que inibia o crescimento bacteriano. Ana desconfiou que descoberta de tamanha monta era uma razão perfeita para uma homenagem póstuma. Mais de 80 anos depois. E que homenagem melhor do que nomear sua cachorrinha? Afinal, na ocasião, desconfiou severamente que Peni havia de curar seus males. Pergunta-se se o amor pode ser considerado uma bactéria. Desconfia que sim, embora, com o decorrer do tempo, tenha percebido que isso só não seria suficiente. Sabe muito bem que certas dores de amor, assim como as bactérias, são muito resistentes. Mas tudo bem. Como ficou comprovado com a penicilina, soube que seriam necessárias alterações na estrutura química inicial diante da emergência de bactérias resistentes, assim como a necessidade de ampliação do seu espectro de ação antibacteriano. Fácil. Assim é a vida, coisas resistem e coisas capitulam. Como as bactérias. E Ana, que desconfiou de tudo isso, correu atrás de alterações necessárias. Desconfia que está tendo bons resultados, embora não consiga dormir nos braços da certeza. Pensa o que Dr. Fleming diria disso. Do amor como bactéria serííssima a ser tratada com a sua descoberta. Agora conhecida como a boa e velha penicilina. De qualquer modo, olhando desse ponto vista, digamos, científico, ela desconfia que tudo é como alguém lhe falou um dia: uma questão de sobrevivência. E assim é se lhe parece, diria Pirandello. Além do mais, ela desconfia também que alguém lhe disse que as “as coisas não são o que são, mas o que representam para nós”. Então desconfia que tudo ficará bem. Se não pode ter certeza das coisas todas que a rodeiam, desconfia que Peni a ama profundamente. Desconfia disso, sobretudo, pelo seu olhar e sabedoria cã. Ao lhe interpelarem “Será o Benedito que você não consegue ter certeza de nada?” ela responde desconfiando estar certa: Desconfiar é melhor que saber. Afinal, a realidade tem limites, a imaginação não. Realmente, desconfia de maneira muito séria, que lá em 1928, Dr. Fleming não tinha certeza não da magnitude de sua descoberta. Talvez tenha desconfiado apenas. Desconfiado tão assustadoramente, que chegou a ter certeza da desconfiança. Então pisou fundo e foi. Como Ana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6829136381531041822?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6829136381531041822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/o-desconfiar-de-ana-ana-apesar-de-nao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6829136381531041822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6829136381531041822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/o-desconfiar-de-ana-ana-apesar-de-nao.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3594659869513053265</id><published>2011-04-14T19:23:00.002-03:00</published><updated>2011-04-14T19:23:40.894-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;IVONE, O AMOR E A CIDADE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Ivone caminha pela cidade. Dentro dela e do passo ritmado debaixo do sol, descompassos. Um bate estacas crava fundações nalgum lugar. Ivone ama. Carros vão e vêm. Param, disparam. Ivone pensa em César. Uma mão esmola atenção. Ivone esmola o amor de César. “Nunca vou cansar desse oferecimento?”. Por mais que a pressa se deite sobre o dia Ivone não escorre. Caminha por ele e para as coisas que se enfileiram. Pensa em César e diz para ela mesma as palavras. O que diria para ele caso pudesse ouvir: “Você poderia me confortar com maçãs ou algo assim? Uma massagem que me deixasse, inteiramente, relaxada? Eu espero realmente que sim. Meu corpo não gosta de grosserias e só assim eu poderia te receber. Peço, sem nenhuma culpa que me encha de mimos. Poderia, nesse dia, fazer isso? Esquecer do mundo e ficar comigo? Nesse dia quero que viva e me faça viver. Tire meu ar para eu poder respirar. Já pensamos um no outro o resto do tempo”. O farol abre. Ivone entre as pessoas atravessa. Está caminhando para o que quer. Quer? Está dando asas a um desejo qualquer. Desvia do homem que cambaleia. Da vida que cambaleia nas primeiras horas da manhã. Os desejos movem Ivone e ela deixa. Saboreia um café antes dos degraus da escada. Os degraus do mármore pisados desde 1940. Mais de 70 anos de sobe e desce desenharam a lombada invertida nos degraus. Um aprofundamento literal causado pelo uso, pelo desgaste. A cidade pulsa e se admira. A cidade vive. Sorri e cora. A cidade chora. Ivone ama. Continua seu recitar silencioso para César embora esteja cansada do desgaste que isso gera. “Na minha hora, me percorre com demora. Faz pipoca doce para mim”. Um casal namora na praça. Um homem discute ao celular. Um corretor tenta convencer seu cliente. A mãe puxa a mão do filho. A menina carrega o rosa na mochila e o lilás no olhar. Um carro freia. Um susto que dá e passa. Ivone anda e pensa em César. Ivone ama. E por mais que ele lhe pareça tão adestrado, sabe da pulsação batendo forte. Batendo igual. “Eu te daria um pedacinho da minha vida e pecados. Pecados bem pequenininhos. Mas ando um pouco cansada do seu jogo. Eu deixaria você mergulhar no que pode haver no fundo dos meus olhos. O que pode haver?”. Um cachorro dorme alheio. Um homem dorme alheio. Nem Ivone nem César estão alheios ao que sentem. Nem Ivone nem César capitulam. Reais, são tão e simplesmente tocantes. Ócio e Vício. Ivone, debaixo do sol para quem não cansa de se abrir, quer naufragar. Capitular. A cidade almoça. O ar tem cheiro de pão com lingüiça e o cachorro está na porta. Os carros passam. Do ônibus saltam chegadas e embarcam partidas. César não telefona. O carro freia, Ivone passa e o moço pisca. Pisca para Ivone. Ela sorri. Ele pede para ela esperar. Os carros passam, Ivone sorve a água de coco e espera. O moço do carro chega. Ivone sorri. Ele também toma água de coco. Entre o que pode haver e o que há, Ivone desempenha. Se a pipoca doce não sai, fazer o quê? O que quer que possa haver no fundo dos seus olhos, tem agora a sombra do olhar do moço. Moço bonito e cheio de histórias. Os carros passam e fazer o quê? A fila anda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3594659869513053265?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3594659869513053265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/ivone-o-amor-e-cidade-ivone-caminha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3594659869513053265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3594659869513053265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/ivone-o-amor-e-cidade-ivone-caminha.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5875838666471995349</id><published>2011-04-07T23:49:00.000-03:00</published><updated>2011-04-07T23:49:04.659-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;ÍSIS E A LUA &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Ísis, moça muita afeita aos efeitos da Lua, em noite de Lua Cheia se prepara para “acontecimentos”. Ela bem sabe que coisas podem acontecer a qualquer hora. Mas em noites de Lua podem mais. Quando a fase é cheia acha isso absurdamente inquestionável. Certa vez, a Lua era alta e redonda no céu. A saudade de Pedro era devastadora. Pois não é que a moça foi até o quintal, sentou num tijolo que lá estava e encarou fundo o astro? Viu lá dentro São Jorge. O seu São Jorge. Pediu ao santo que trouxesse o moço para ela. Firmemente. Com fé. Falou silenciosamente com ele sobre a paixão que sentia, pediu mais uma vez que ele viesse e agradeceu. Voltou para a sala e os amigos que lá estavam e recostou no sofá. Debruçou perfumada na espera e quase engasgou quando minutos depois ele passou pela porta. Nem sabe se conseguiu disfarçar a surpresa e o rubor no rosto. Isis entrega o que sente. De qualquer modo, quase na sequência voltou ao quintal e agradeceu ao santo. Namorou silenciosamente a Lua e voltou para dentro com novo brilho. Mas isso tudo está lá atrás. A cena está lá atrás. O sentimento, este Isis ainda carrega dentro. Agora, de novo está de frente para o cheio da Lua. “A Lua Cheia me inflama”. Nesse dia, em função da sua órbita oval, a Lua estava mais próxima do que nunca. O “Perigeu Lunar”, ponto mais próximo da órbita de um astro que gira em torno da Terra, estava acontecendo bem na frente dela. Isis foi lá no alto buscá-la. Venceu receios, pedras, degraus e o arfar do peito para fazer sua parte nessa aproximação. Sabe que segundo a Ciência, parece haver uma relação entre as fases de lua cheia e nova e as atividades sísmicas, já que a força das marés fica mais forte nessas épocas. Deve ser por isso que Isis sente dentro dela atividades vulcânicas. Uma força dizendo: “Vai à luta, companheira!” Sente-se como sua mãe um dia lhe disse: um escorpião querendo subir para o céu. Olhando bem dentro do brilho que brilhou mais nesse dia, busca seu santo e lembra-se de Pedro. Há quanto tempo não pensa nele? Não se assusta ao lembrar, de forma inclemente, do vasto do seu sorriso e dos riscos no rosto quando isso acontece. Riscos que significam vida. Lembra-se da paródia de um poema de Manuel Bandeira, “Madrigal Melancólico”, feita por Bruna Lombardi, e baixinho recita sua paixão para a Lua, que, tão perto, havia de escutá-la e soprar isso no ouvido de Pedro:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;O que eu amo em ti &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;não é esse jeito de cereja &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;e esse olhar de seis da tarde &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;não é essa mania de andar bolerodiando &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;nem mesmo a tua educadez &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;O que eu amo em ti &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;não é essa tua boca de vinho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Nem mesmo &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;é a tua gargalhada &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;que transpassa meu ouvido &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;cheia de espuma e sol de agosto &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;com gosto de aventura &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;O que eu amo em ti &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;...são as rugas, meu amor, as rugas... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Sorri docemente para a Lua. Sabe, de um jeito só dela, que atividades sísmicas hão de ocorrer, e ele, de um jeito ou de outro, há de sentir algo vibrar por dentro. E que estrelas podem brilhar e cair diante disso. Como a música de Gil que lhe vem aos lábios: “Hum! Deus fará absurdos contanto que a vida seja assim. Sim, um altar, onde a gente celebre tudo o que ele consentir”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5875838666471995349?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5875838666471995349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/isis-e-lua-isis-moca-muita-afeita-aos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5875838666471995349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5875838666471995349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/isis-e-lua-isis-moca-muita-afeita-aos.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-762727489065927237</id><published>2011-04-04T23:43:00.000-03:00</published><updated>2011-04-04T23:43:19.680-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;DOCE DOMINGO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Açúcar, cacau, extrato de malte, sal, soro de leite e leite desnatado em pó, mais vitaminas C, B3, B2, B6, A e D, estabilizante, lecitina de soja e aromatizantes; tudo estava no pote de 200 gr de achocolatado em pó e agora está em Márcia. Sabe que não engordará nenhum grama por essa desventura de um domingo chuvoso. Amanhã caminhará durante duas horas inteiras e todas as 800 calorias escorrerão pelos dedinhos miúdos de seus pés. Tem o gosto ainda na boca e os dentes com cor de chocolate. Olha o pote que resta vazio sobre o sofá. Não viu nada no fundo do pote além do vazio dele. Paredes de plástico e o ar (um pote vazio está cheio de ar). Não pode fugir da idéia de que o vazio está dentro dela. “Tem um enorme vazio que me habita e procuro suprimi-lo me afogando em potes de achocolatado”. Seja como for, o vazio toma contornos dentro dela. Provoca dores localizadas e esparsas. De quando em quando arrota silenciosamente. Leva as mãos à boca e sente nos olhos um embaraço. O que é que havia antes? E mesmo que essa sensação de prazer intenso e imediato seja pipocada de algumas culpas (como viver sem elas?), pesquisas mostram que chocolate ajuda a combater o estresse e a depressão, além de fazer bem a pacientes com doenças do fígado. Já o exagero cometido por Márcia só vai saturá-la de gordura saturada (Poderia ser pior?). Não liga. Sabe que, no seu caso, vai tudo para o pé. Concentra-se no lado bom: flavonóides, potentes antioxidantes que ajudam a manter o coração saudável, a boa circulação sanguínea e que limitam a ação do velho e conhecido "colesterol ruim". Aliás, aproveita o domingo achocolatado para um banho de banheira. Prepara o espumante da água com o sal rosado que está sobre a pia. Coloca no aparelho de som portátil um cd de blues e relaxa na água. De quando em quando sorve os aromas do vinho que estava na despensa para o jantar em família. Pensa nas pilhas de papel no escritório. Bem sobre a sua mesa. Pensa no panda de pelúcia que seu filho quer no aniversário. Ele disse que pandas comem bambus e são tão fofos. Urso-gato em chinês. Escala árvores e é herbívoro. Come somente de 20 a 30 espécies diferentes de bambu quando a China tem 300 delas. Um dos motivos pelo qual está em extinção. Márcia não é selvagem e não corre esse risco, embora prefira certas marcas de achocolatado diante de tantas enfileiradas nas prateleiras. Além disso, se o panda é o orgulho dos chineses, ela é o orgulho de Heitor. Pensa se ele mora no vazio do pote agora sobre o sofá. Se ele está cheio de ar, não há de restar espaço para o que é dela. Banhada de sais e vinho cola um adesivo verde no vidro da janela e sente a luz que entra e incide sobre o pote no sofá. Sente os elétrons que devem estar vibrando ali. A resistência dos átomos do material pástico prendendo esses elétrons. A luz que entra, escapa e passa por ele. É apenas um pote de achocolatado vazio ou cheio de ar. Plástico injetado. É sua própria cor, forma e textura e não a imagem de um reflexo. A sensação visual da detecção e percepção do comprimento de onda de luz ali refletindo. Agora, com o celofane verde que aplicou na janela, há um filtro para a luz que entra. Uma espécie de subtração de cor espelha tudo isso para Márcia, que sorri as vicissitudes de um domingo achocolatado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-762727489065927237?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/762727489065927237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/doce-domingo-acucar-cacau-extrato-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/762727489065927237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/762727489065927237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/04/doce-domingo-acucar-cacau-extrato-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6413080627107776192</id><published>2011-03-27T21:33:00.000-03:00</published><updated>2011-03-27T21:33:06.783-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;SALA DE JANTAR&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Maria deita o olhar científico e atento para Adelaide e todos que estão na sala. É capaz de se misturar com os pensamentos e de lá retirar sumo. É um jogo perigoso. Apreende o que em vão tenta esconder-se e esparrama-se pelo chão da sala. Uma espécie de sentimento que lhe impinge inadvertida sublimidade. Quer se desapropriar dos discursos, daquilo que fala por ela e não é ela. Olha a cachorrinha e lembra do gosto de correr pela praia e fugir das ondas. Observa Raul. Nada do que diz persiste ante o frenético balançar do rabo roçando-lhe as pernas. Quero ser salva pelo apelo! Me redimir. Então ele diz pra ela não dizer o que escreve. O que nos atravessa não deve ser dito nem escrito. Ela diz para ele que nada resiste ao que se impõe e aniquila, e sorri o ridículo da sua circunstância. Ela ama. O olhar da cachorrinha impede e impele. Para evitar equívocos, toma o cuidado de avisar que é apenas e tão somente a circunstância daquele abanar que a define.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Odair olha o mundo através e por detrás dos óculos escuros. Sabe que eles escondem os olhos de quem olha e despertam em quem é olhado “um não saber como se é olhado”. Ele olha as outras pessoas de um lugar chamado palco – que é uma espécie de tablado mais alto onde uns ficam distintos dos outros – e as coisas são vistas dessa perspectiva. Desse lugar olha para Gisele. Sabe que não fosse a inconstância das coisas nem teria percebido tudo que se transforma em areia na pá do moinho que roda ao vento. Ele desacredita. Sente que nada do que faz é capaz de gerar energia. Sente o peso do vácuo. O mormaço que arde na pele. Ainda há de flutuar ante o apelo do vento. Suspender. Ela sorri a vontade de ir junto. Mandar tudo para o inferno. E pensa onde mesmo é o inferno. Onde?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Maria torna seu olhar doce sobre a mesa. Doces e salgados para degustar. Ela gosta de degustar. Sentir os sabores e o trabalho das papilas. A cachorrinha ainda abana o rabo. Quer degustar. Maria compreende o que pesa em Raul e quer subtraí-lo desse esforço. Mas ele não cede. Quer a cruz. Odair, por detrás dos óculos diz: Você pensa que sabe das coisas. Mas não duraria um só segundo na vida que fervilha e eu seguro nas mãos. Isso eu sei e garanto a você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Maria olha Adelaide e sente uma lufada de desespero. Mas nem que todo o impetuoso calor da menopausa fosse jogado sobre o esverdeado dos olhos dela, nem assim Adelaide deixaria de existir e de mostrar que a vida é um jogo de absoluto risco. Maria tem medo e sabe que não lhe resta alternativa senão tatear o que sobra. O que ela tem, afinal. Tem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Odair olha Adelaide. Olha Maria. Nem sabe o que existe e atravessa e divide sua vontade. Sente o peso da impotência e toda a dor que um homem pode sentir. Nada do que faça o livrará do peso de fazer. Nada que não faça o livrará do peso de não decidir. Sorri a paciência do encalço. Administra o jugo. É homem, afinal. Muda algo saber isso? Pensa o que distingue um homem. O que delimita o que lhe pertence e o que não. Sabe que não pode conter o vento, mas tenta. Nenhuma mulher pertence. Nenhuma mulher é livre. Nenhum homem vive sem a dor. Também as mulheres. Sabe apenas que a caixa ao seu lado, enquanto houver, é sua. E de lá extrai o segundo seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6413080627107776192?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6413080627107776192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/sala-de-jantar-maria-deita-o-olhar.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6413080627107776192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6413080627107776192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/sala-de-jantar-maria-deita-o-olhar.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7893094234631054759</id><published>2011-03-22T20:14:00.000-03:00</published><updated>2011-03-22T20:14:10.347-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;SOBRE DUNAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Maria Alice junta um punhado de areia entre as mãos e deixa cair devagarzinho. Pensa em grãos de areia e em desertos. Na duna encantada nos recônditos de Jericoacoara, que, diferente das outras, nunca se move. Dizem que há um navio dentro dela. Um navio que encalhou e então a duna se formou sobre ele. Que durante a noite, entre feixes de luz, seres encantados festejam e vivenciam esse acaso. Então Maria Alice pensa em seres que vivem na areia. Calangos, répteis, insetos, minúsculas e invisíveis bactérias e homens. De todas as raças. De onde ela agora está, vê a multidão que caminha para subir a duna do Por do Sol. Há muitos anos ela estava em outro lugar e lentamente foi caminhando. Ouve alguém dizer que o mar está comendo a duna, mas o que Maria Alice observa é o vento e compreende o amor da duna. Sabe que ela é quem está se dando ao mar. Ele a quer e ela quer ser dele. Então o vento venta nela e devagarzinho ela vai. Que nem o punhado de grãos que escorre de suas mãos. A moça pensa no que lhe escapa. Naquilo que não é desejo dela e nem de ninguém. É simplesmente a ação do vento sobre ela. Ação que espalha seus grãos e tudo que pode haver de solúvel. Maria Alice é solúvel em água. Dilui-se e recompõe-se pelas mãos dos mistérios que a fazem ventar. É por isso que ela se espalha enquanto pessoas sobem a duna para ver o sol cair no mar. Lembra do navio dentro da duna que não se move e que por isso serve de referência aos pescadores. Pensa que referência é algo que não se move enquanto o homem vai mudando de lugar e então lembra quando rodopiava de mãos dadas com Josué. O mundo todo girava enquanto um morava no olhar do outro. Amparavam-se. Agora tudo virou essa areia que escorre de suas mãos. Maria Alice é duna que se entrega pouco a pouco ao mar. Vai mudar de lugar e de forma. E ela será ela mesma e será outra. Talvez porque a areia se forme pela erosão das rochas, caiba ao vento e a água a tarefa de sedimentá-la. Dar a ela estrutura e tudo que lhe compõe: sílica, quartzo ou recifes de coral. Até sua textura diz dela e dá pistas sobre a distância que percorreu. Leu certa vez que quanto menor o grão, mais fácil a duna é transportada e de mais longe vem. Maria Alice parece saber que o que quer que forme e mova as dunas é ação sobre elas e não o contrário. Uma ação combinada de fatores que ela chama de desejo e os cientistas de saltação, arrasto e suspensão. Foi desejo, ela diz. Desejo do vento. Mas sabe também que o tamanho e a forma dependem da praia. Se a praia tem pouca inclinação, mais areia chega à costa e mais dunas são formadas; se a inclinação é acentuada, mais areia é tragada de volta pelo mar, e as dunas são menores. Dunas e Maria Alice são ecossistemas com incontáveis organismos e saberes. De flores de aroma suave a pequenos roedores, cobras, lagartos e até o girassol, que se adaptaram à vida na areia. E protegem-se mutuamente. Talvez por isso certas dunas cantem. Pela vida que vibra nelas. Praias, dunas e vidas se precisam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7893094234631054759?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7893094234631054759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/sobre-dunas-maria-alice-junta-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7893094234631054759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7893094234631054759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/sobre-dunas-maria-alice-junta-um.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-379939681203475371</id><published>2011-03-20T23:59:00.000-03:00</published><updated>2011-03-20T23:59:01.561-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-family: Calibri; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;VERA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-family: Calibri; font-size: large;"&gt;Vera, a professora de inglês que mora no 508, disse para Isabel sobre sua zanga. Culpou Eliseu por tudo que houve na história deles. Mas deixou claro que não guarda rancor. Parece insensato da parte dela, mas Vera, embora esteja se virando mal e porcamente com o dinheirinho que entra das aulas, tem formação em física e sabe, dentro dela, que isso não é uma condição estática. Ontem, por exemplo, pensava no princípio da incerteza. Sabe que por esse princípio não é possível se ter a certeza da posição e da velocidade de uma partícula, simultaneamente, e que, quanto maior a precisão com que se conhece uma delas, menor será a precisão com que se pode conhecer a outra. É este o princípio que está na base da mecânica quântica. A partir desse conhecimento ela se sente naturalmente impelida a ver o mundo, as coisas e as pessoas por outra ótica. Diz: não tem jeito, conhecer a física quântica mudou quase tudo que eu sabia. Até a imagem de Eliseu. Pois se em 1919, o cientista alemão Werner Heisenberg definiu esse conceito, quase 100 anos depois isso não pode ser negado por ela. Então, quando Eliseu escureceu tudo que ela pensava saber das coisas e ela se viu afundar no que, cotidianamente lhe parecia areia movediça, começou a buscar esse conhecimento. Pelo princípio, a forma mais óbvia de se conseguir medir com precisão a posição e velocidade de uma partícula seria fazer incidir luz sobre a mesma para se ter a indicação de sua posição. E assim fez. Começou a pensar em tudo que Eliseu iluminava para ela. Como se o rapaz pudesse mesmo ser foco de luz. O que ela não contava, ou melhor, o que ela não considerou a princípio, foi que a quantidade de luz sobre as coisas que ela começou a ver pudesse perturbar e alterar suas posições de forma absolutamente imprevista. Lembra-se da física tradicional newtoniana. A Física Clássica. Através dela seria possível, considerando-se a posição inicial, calcular suas interações e prever &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que ocorreria. Mas qual será a posição e o momento exato das coisas? Pode haver uma fórmula que explique e equacione o princípio da incerteza. Heisenberg que o diga. Mas como equacionar e calcular as imprevistas interações? As mudanças das coisas após o foco de luz e a nossa própria mudança? Pensa que a partir daí é só mistério que há. E talvez um efeito dominó... Mas o que haverá depois da queda da última peça? Uma função de 2° grau? Uma parábola? Porque assim o mínimo rende o máximo? De uma migalha a gente faz um bolo de noiva? É. Substancialmente é isso. Não importa o que a vida te dá, mas o que você faz com o que a vida te dá. Pergunta-se se isso é Sartre ou não é. Vera pensa que seria melhor ter estudado filosofia do que física. Talvez então pudesse dar mais respostas para as coisas, ou, quem sabe, fazer mais perguntas (o que importa são as perguntas). Talvez então não estivesse ganhando merrecas dando aula de inglês. Talvez Eliseu nem existisse. Fosse uma projeção dela mesma. Nesse caso, a zanga seria com ela. Seria fruto da sua insatisfação. Mas isso é filosofia ou não? De qualquer modo, descarrega a cartela de tranqüilizante no vaso sanitário, puxa a descarga e corre tomar um antiácido. A efervescência há de lhe abrir algum caminho enquanto a Casa de Pão cheira um delicioso frango assado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-379939681203475371?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/379939681203475371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/vera-vera-professora-de-ingles-que-mora.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/379939681203475371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/379939681203475371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/vera-vera-professora-de-ingles-que-mora.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7433556338815554133</id><published>2011-03-04T20:02:00.000-03:00</published><updated>2011-03-04T20:02:21.469-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;ANA JÚLIA e as coisas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;No banco do ônibus, Ana Júlia vê as imagens correrem pela janela. As imagens que estão passando e ficando. Ela está indo. De quando em quando torna os olhos para o livro em seu colo. Para as palavras que entram nela e se alojam. No mormaço, um cachorro esgueira-se em frente ao bar e se enamora dos frangos atravessados nas hastes sobre o fogo. Ela pensa no fogo e em tanta coisa. Apesar da força de seus braços e da agilidade das mãos, pensa nas coisas que não pode segurar. Pensa em Hugo. Nos braços de Hugo. A despeito de tudo que pode constranger um homem, ele segurou a casa que queria ir embora com o vento. Um homem. Uma casa. Um homem e suas sapatas. Tudo que pode segurar alguma coisa no chão. Que pode sustentá-la ou não. Ana deixa-se encobrir pelo escuro do túnel e pensa na alternativa de escavar para atravessar o que se interpõe. O homem é capaz de atravessar pedras e mares inteiros para chegar onde deseja. Onde precisa. Pergunta-se se ações vêm do desejo ou da necessidade. E se o dono do bar soltasse uma das hastes com os frangos enfileirados e por descuido todos eles restassem no chão? Quem conteria o desejo do cachorro de lançar-se sobre eles? Quem? Pensa se fome é desejo ou necessidade. Acha que a fome de Hugo alimenta a sua. Ou é o contrário? Uma fome alimenta a outra e cria um cordão de energia que busca a saciedade. É preciso andar sobre ele. Sentir e conter o pulso do vento que tenta jogar o corpo para um lado e outro. Lados são coisas que colocam o homem numa posição tal, que ele pende. Pende e cai. Então pensa no que faz o meio restar como alternativa. Ela não quer cair. Ninguém quer. Desce do ônibus, em meio ao dióxido de carbono e os carros. Coloca-se na exata dimensão do que é. Coisa entre outras coisas. E mesmo que ela consiga se estreitar entre o que era e o que será, há o que é. Igual ao desejo de pular no abraço dele. Se enrolar em seus braços. Estreitada entre o desejo e o pulo. E mesmo que aquele cachorro, depois de abocanhar alguns frangos sob o olhar atônito do homem, latisse pra ela, ainda assim não estaria ali. Só porque faz tudo certo. A dieta de carboidratos, muita proteína saudável e o preparo físico. Ana Júlia malhou muito, dormiu oito horas todos os dias. Acordou cedo e seguiu, à risca, todas as orientações. Nenhum dia um vacilo que desviasse seu desejo. Pensa em sua mania de perfeição. Em sua estratégia de distanciar-se das coisas para poder vê-las melhor. Tudo escorre e pede confronto com nossos subterrâneos. Até o amor. Agora, os pés na calçada lhe dão a justa medida da distância que quis. Muitos quilômetros. E nem que ela chamasse um táxi ou saísse correndo para o aeroporto, poderia voltar atrás. Abrir o abraço. Não poderia. Na soleira da porta do bar, observa uma mulher na calçada. Sua mão estendida. Talvez o suco que agora não lhe desce pela boca fizesse bem à mulher. Talvez o suco lhe descesse pela goela com todas as subjetividades de Ana Júlia. Talvez nem a mulher as quisesse e talvez preferisse dizer não a ter que engolir uma falta de ação que não lhe pertence. E nem que Ana tentasse desculpar e entender a falta de ação alheia, nem assim compreenderia a sua. E nem que o cachorro saltasse sobre os frangos e agora lhe aparecesse pedindo água ou um simples afago, nem assim ela saberia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7433556338815554133?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7433556338815554133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/ana-julia-e-as-coisas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7433556338815554133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7433556338815554133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/03/ana-julia-e-as-coisas.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3891010371702223631</id><published>2011-02-26T10:15:00.002-03:00</published><updated>2011-02-26T10:15:41.911-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;ONDE MORAM AS PAIXÕES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Renata está sentada no banco do carro. Parece confortável. O ar condicionado está ligado, mas ela mantém seu vidro quase todo aberto. Os de trás abre apenas uma fresta. Ela, que não gosta de ambientes climatizados, pensa que assim o carro fica naturalmente ventilado e fresco. Escapa para o ar a fumaça do cigarro que ela traga. A fumaça que entra nela e que depois solta. Sabe que um tanto fica dentro dela. Dizem que se aloja nos pulmões, na corrente sanguínea. Mas ela acredita piamente que se aloja no seu cérebro. Sabe que a massa dentro da cabeça tem sulcos e giros. Acredita que a fumaça se aloja nos sulcos. Nesse mesmo lugar onde acredita que as ideias fixas moram. Você acalenta e acalenta certas ideias e então elas vão aprofundando esses sulcos. Caem lá e vão dando dimensão para esses tantos vazios. O castanho do olho de Renata resvala fora da direção que o carro toma. A compreensão é encantadora. As ideias moram nos sulcos. Criam rasgos na massa do cérebro. Que podem ser mais ou menos profundos. As fissuras. A maior delas divide o cérebro em hemisférico direito e esquerdo. E talvez seja por isso que certas ideias nascem mortas. Pelo antagonismo dos lados. Olha pelo retrovisor. Pensa em Pedro. Essa noite mais uma vez sonhou com ele e pensa o que esse homem tem dela. Tem vontade de estreitá-lo na parede e mandar a pergunta: O que você pegou de mim, Pedro? O que é meu e você tomou? Devolve de uma vez o que é meu e preciso encontrar. Eu preciso encontrar o que é meu e está com você. Preciso, entendeu? Interrompe o monólogo sem sentido e pensa nele. Pensa nele. O pensamento caprichoso desenha o sorriso de Pedro e também o dela quando ele aparece. Deriva. O sorriso que dá para ele se desenha na boca, mas pensando sobre as bases cerebrais, agora atina com a idéia de que sorrisos também moram nos sulcos. Nascem ali e de lá acionam os feixes que promovem o desenho da boca. Pensa que o sorriso dele para ela também deve morar no cérebro. Nos sulcos do cérebro dele. Onde moram também as idéias que ele tem e que depois acionam feixes que movimentam sua boca para falar. Também para calar. Sulcos e giros. Palavras e silêncios. Percebe que tudo se encaixa perfeitamente. A fisiologia da cumplicidade. As palavras que não têm força para movimentar as bocas. O silêncio que as emudece. Dizem que cerca de dois terços da área ocupada pelo córtex cerebral estão “escondidos” nos sulcos. Ela pensa em dois terços das suas ideias escondidas nos sulcos. Ideias escondidas. Fixas e escondidas. Dentro do carro, na estrada em que o carro desliza a velocidade sobre o tempo de Renata, ela carrega seu desejo entre tantas coisas. As imagens dos sulcos, as idéias e as palavras que saem ou não das bocas. O retrovisor mostra para ela o que vai ficando para trás. Seja o que for, ela sabe que desaparece quando fazemos a curva. Será? A verdade é que no cérebro, tudo funciona em rede onde todos os elementos exercem papéis regulatórios. E isso, como outras coisas no mundo científico, necessita de maiores explicações. De qualquer modo, aumenta o som do rádio para cantar com Bem Harper: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;“That's it&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;There's no way&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;It's over, good luck&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;I've nothing left to say&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;It's only words&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;And what l feel&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Won’t change”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3891010371702223631?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3891010371702223631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/onde-moram-as-paixoes-renata-esta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3891010371702223631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3891010371702223631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/onde-moram-as-paixoes-renata-esta.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3422365499722191175</id><published>2011-02-17T20:34:00.000-02:00</published><updated>2011-02-17T20:34:11.301-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;MARIA E O ARQUITETO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;Maria anda muito insatisfeita. Sobretudo com as coisas que lhe escapam. Pelas mãos e dedos. Olhos e ouvidos. Pela boca que emana silêncios, sorrisos, frases certas e incertas, mas sempre no momento errado. Repreende-se. É muito dura consigo e pouco exigente com os outros e tanta coisa. Nem sempre é assim. Às vezes vai certeira pro chute. Com ou sem delicadeza, enfia o pé e manda pro gol. Faz cesta, mesmo sendo tão pequenina. Sobe na rede e corta a bola deixando o adversário estacado. Mas logo depois lhe ocorre a pergunta: Por quê? Eu precisava tanto dar essa resposta, falar daquele jeito? Mas o que lhe parece insuportável são as respostas, certas, erradas, doces ou não, que só lhe vêm na boca ao cabo das situações. Por exemplo, horas depois de ouvir algo, lhe ocorre a resposta perfeita que poderia ter dado e que não deu. Calou, sorriu, falou qualquer bobagem. E o incrível é que são ótimas respostas! Seriam, se lhe ocorressem a tempo. Mas levam horas, meses, até anos. O que prova que além de não ter dado a resposta ideal para esta ou aquela situação, ainda carregou sem saber um trauma. Arrastou desnecessariamente o peso de não ter tido respostas porretas no bolso da casaca. Por isso, certas vezes, fica tão cansada. Exausta mesmo. É o peso que carrega pelas respostas certas que saem em horas erradas. Agora, por exemplo, lembra-se de um dia onde todos conversavam em torno de uma cúpula de estrutura geodésica. O interessante dessa estrutura, que naquele momento estava sobre uma mesa e recebia a claridade do sol, é sua versatilidade, sua leveza e resistência. Tudo isso em função do formato esférico e dos triângulos que a compõe, e possibilitam que qualquer força aplicada no domo possa se distribuir igualmente até a base. Foi nesse dia que Pedro perguntou a ela, entre todos aqueles espaços, qual pedaço daquilo era queria. Ao que ela respondeu: tudo, né? Senão for a estrutura toda não tem graça! E fez-se o silêncio. Agora, tantos anos depois, a cena ainda lhe parece viva. Pensa que para Fuller, o “inventor dessa invenção”, a estrutura geodésica foi pensada como abrigo capaz de fazer frente às necessidades de quem a habitasse. Para alcançar esta meta, Fuller desenvolveu como suporte teórico da sua experiência empírica, o que chamou de "geometria energético-sinergética". Uma base teórica que envolve conceitos diversos e onde filosofia e geometria se entrelaçam. E "sinergia" pode ser entendida como o comportamento da totalidade de um sistema, não ser previsível a partir do comportamento das suas partes consideradas isoladamente. “Algo como o todo é maior que a soma das suas partes". Talvez por isso, hoje, anos depois daquela pergunta (Qual parte dessa estrutura você queria?), ela diria apontando alguns dos triângulos: Essa, se por aqui entrar o sol da manhã e a noite, da cama, a gente puder ver a lua. Sabe que ele teria ficado sem chão se dissesse isso anos atrás. Ou não. Mas ela não disse. O todo é maior que a soma das partes. E absolutamente, uma outra coisa. De qualquer forma, a estrutura geodésica não está mais sobre a mesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple;"&gt;﻿&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3422365499722191175?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3422365499722191175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/maria-e-o-arquiteto-maria-anda-muito.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3422365499722191175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3422365499722191175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/maria-e-o-arquiteto-maria-anda-muito.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8858024142706880569</id><published>2011-02-12T11:58:00.000-02:00</published><updated>2011-02-12T11:58:31.311-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Manoela e a beleza das coisas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Manoela olha as coisas tão bonitas e pensa se são bonitas realmente ou ela é quem assim vê. Tem os olhos tão acostumados que ultimamente tem se debruçado sobre esse costume. Sobre a inocência. Que inocência? Se eu pudesse parar de escrever eu perguntava para Manoela. Perguntava isso para ela. Que inocência? Outro dia mesmo uma voz lhe soprou nos ouvidos essa dúvida. Edgar é tão bonito. Uma alegria que sobe da boca para a linha do nariz e enverga os olhos. O olhar que ele tem fica bonito. Fica ou é? Eu grito daqui: Ora, ora, Manoela. Não vê que é apenas seu olhar? Como a letra de música: “A tristeza de um olhar, vem de tanto olhar, vem do outro olhar”. A alegria também. Não vê? “Como assim?”. Eu queria cantar para ela: “pelo olhar pode haver um motim”. Nada. Manoela sequer me escuta. Como poderia? Está tão absorta. Isso começou a acontecer, precisamente, quando ela não quis usar os óculos. Para quê essa bengala? Para quê me pendurar num foco que não é meu, mas dos óculos? Vejo o que me é dado ver. Ajeito a posição, meneio a cabeça, afasto e aproximo. Eu aproximo o que existe ao que imagino e quero enxergar. Há algum mal nisso? Há Manoela, há sim, digo baixinho. Ela retruca: outro dia eu caminhava e ao longe, bem distante, vi um cavalo. Era muito digno o animal. Tinha pose. Tinha tino e atitude. Tinha tônus. Conforme fui me aproximando, vi que não passava de um pangaré. Um lindo pangaré. As dores e o cansaço debruçados sobre a fronte e o lombo. A pele e o pêlo escamados. Mas era tão bonito no seu descansar. O olhar derramava uma sabedoria eqüina. Enquanto escrevo quero que ela veja onde desliza. Onde exatamente é o ponto onde deriva. Sai da visão para a imaginação. Mas Manoela capta grafite, bico de pena e a rapidez da esferográfica. Capta até mesmo o toque dos dedos sobre as teclas. Capta o desejo da escrita e se antecipa ao que penso para ela. E nesse existir vai me impressionando. Sou autor ou retratista? Sou autor e ela me dirige. Estou entregue ao olhar de Manu e repenso minha própria dinâmica. Estar imiscuído no intenso da solidão é o que propicia que Manoela tenha esse impulso. Esse pulso sobre mim. Eu aqui, tão confortavelmente instalado, acato. Manoela é Manu e eu vou deixando ela expor para mim coisas que não posso enxergar. Então Manu mostra. Ela mostra e eu acato porque ela é dona do meu tempo e escreve a mim, que estou tão absorto. E a realidade dela vai fixando a minha e o meu olhar. Vai mostrando a insensatez disso tudo. Mas de que outro modo eu daria voz ao que está submerso? O quê está submerso? Sei que a solidão, Manu e eu nos necessitamos. Um outro eu do meu próprio eu que é múltiplo se apresenta através dela, se cristaliza nela. Eterniza-se, eternizando a mim e minhas aflições. E eu sou mais. Sou outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8858024142706880569?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8858024142706880569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/manoela-e-beleza-das-coisas-manoela.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8858024142706880569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8858024142706880569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/manoela-e-beleza-das-coisas-manoela.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2286918279188577642</id><published>2011-02-04T23:37:00.000-02:00</published><updated>2011-02-04T23:37:08.238-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;MERGULHO (O segredo de Eugênia)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: purple; font-size: large;"&gt;Em frente ao quiosque do chaveiro, em meio ao movimentado da cidade e o calor, o rapaz diz para Eugênia que chaves antigas, daquelas de quarto, têm que ser feitas à mão. O artesão tem que desenhá-las à mão. Eugênia pensa na palavra esculpir. Pensa em chaves e segredos que podem ser esculpidos. Detém-se nos segredos. É preciso que o artesão se detenha também sobre eles. Que segredo? A moça, com alguns anos de estrada e forte senso de observação, pensa o que desconhece sobre segredos. O que é o segredo que o esculpir pode desenhar? O que o homem talha no metal? Dentes. Pensa que dentes cravados na carne são segredos. Dentre os segredos que uma chave pode conter está o formato. Há que ter um perfil. E mais. Ser colocada na posição correta. Toda uma conexão de pinos e reentrâncias. Quando eles se alinham adequadamente, a trava consegue se encaixar nelas e liberar o gancho. Quando inserida na fechadura, a chave empurra os pinos de trás até à posição correta, permitindo que se gire a chave e destranque a porta. Sabe lá desde quando trancam-se as portas e como isso era feito. Mas os segredos, estes existem desde sempre. Ela está certa disso. Eugênia, que não sabe de nada, mas desconfia de muita coisa, sabe apenas que São Pedro é o chaveiro do céu. E que entre o sim e o não tem um vão. Um grande vão. Ela está nele. Edgar, Luis e Eleonora também. Até o menino recostado em seu silêncio está. Pensa nas coisas por detrás. O que sustenta um segredo? O rapaz ao seu lado pergunta para ela com os olhos esgarçados. O que está escondido pode sustentar um segredo? Não sei. Os enigmas sim podem sustentá-los. Nada se sabe deles. É preciso muita arte e maestria para abrir essas portas e descobrir. É preciso esculpir no metal e depois girá-lo lentamente na posição correta. Tanta insistência nesse pensar faz Eugênia derrapar num todo que a atravessa. Perfura. O todo quer descobri-la e ela precisa esculpir as pedras do seu caminho. Talhar. Mesmo que seja inútil. Melhor fazer, ela pensa. É por isso que aprendeu e não cansa de fazer curativos no vazio. Nos vãos que são a falta daquilo tudo que aparece e que não é. O que é escorre dos olhos que disfarçam o que não tem disfarce. O indisfarçável. Mas não são todos que percebem esse escorrer. Esse caldo que esvai pela sarjeta, pela areia da praia e se mistura às águas. Eugênia vê. Talvez Edgar, talvez Pedro e Eleonora. Talvez o menino silencioso que observa tudo. Talvez Eugênia esteja prenha de mistérios e enigmas. Prenha de segredos que quer guardar. Quer? Escuta o poeta Antonio Cícero dizer que “em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa vista”. Por isso ela quer dizer. “Para guardar-se o que quer guardar”. E ela quer guardar todos os vôos. Todos eles. Só a morte pode escancarar o desenho das chaves e os segredos. Ela pensa que enquanto estiver viva, vai preferir sentir a dor. Qualquer dor. Sabe que captar e guardar segredos gera mais segredos. Outros segredos. Segredos que guardam segredos. Guardam enigmas. Como as palavras. É por isso que Eugênia mora na fronteira e exibe o silêncio debaixo do sorriso. O indizível que a habita. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2286918279188577642?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2286918279188577642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/mergulho-o-segredo-de-eugenia-em-frente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2286918279188577642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2286918279188577642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/mergulho-o-segredo-de-eugenia-em-frente.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2139774207943967622</id><published>2011-02-03T10:05:00.001-02:00</published><updated>2011-02-03T10:07:17.945-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 160%; margin: 0cm 0cm 10pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;TEODORA SABE DAS COISAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 160%; margin: 0cm 0cm 10pt; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="color: purple; font-size: large;"&gt;Teodora é moça que sabe das coisas. Sabe e aproveita para “se achar”. Assim mesmo: sem o menor pudor. Humildade? Ah, não senhor. E já que sabe tanto, diverte-se. Olha-se no espelho e ao invés da pergunta “Cinderela” afirma olhando bem dentro dos próprios olhos: Eu sou sim a última bolacha do pacote. Sou mais: sou o gás da Coca-Cola. E ri. Fartamente. Daqui de onde a espio, tenho que admitir: Ela é ótima! Não é à toa que se arvora, sobe no salto e fica por aí dando lição de moral em muita criatura. Feito outro dia que xingou e xingou o rapaz que arremessou uma latinha para fora do carro. Uma pessoa que arremessa latas ou qualquer coisa pela janela do carro não tem a menor consciência de educação e cuidado com o meio ambiente. Eu acho que ela está certa. Já que a maior parte das pessoas é tão condescendente com certos absurdos, ela bota a boca no trombone. E trata de deixar isso muito claro quando acontece perto dela. Também ficou tiririca com Isabel, que sempre faz ares de charmosa e tem sido sempre grosseira com garçons, frentistas e atendentes quando saem jutas. Então foi lá e soltou o verbo. Se uma pessoa é toda charmosa com você, mas grosseira com alguém que lhe presta um serviço, não tem como ser uma boa pessoa. E disse isso para Isabel que foi ficando roxa e vermelha com o inusitado da coisa. Aliás, anda se livrando de pessoas que falam muito de si e não abrem espaço para ouvir o outro. Essas, não estão a fim de compartilhar nada! &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Livra-se delas. Mas o que a tirou definitivamente do sério foi Nestor! Pois não é que o cabra, num só movimento, roubou seu coração? Ah, não! Olha aqui, Nestor, meu coração é meu. Meu, ouviu? Você fica aí dizendo que me quer, mas não é capaz de um só ato significativo e honesto? Pois se o que você quer é ver a coisa rolando frouxa, rolando mole, fica com isso. Toma aqui essas balinhas. Tem chiclete também, quer? Cabra safado. Pega e some. Assim, com um só gesto, me livra de você e dessas balinhas que recebi de troco na lojinha de R$1,99. Recebi porque o cara me pegou num dia ruim e não pude reagir como gosto. Acho um absurdo! Que mania essa de dar balinha de troco! Ah! Se eu chego lá com um saco de balinhas para inteirar o dinheiro do abajur. Aí eu quero ver! Aliás, tá aí uma coisa que preciso fazer qualquer dia. Mas é isso, Nestor. Pega ou não essas balinhas e me erra. Vê se me erra de uma vez. Pra você eu repito o Garfield: “Você não passa de um inseto espatifado no para brisa da minha vida”. Pronto. É isso. Falei e tá falado. Você gosta de chegar e fazer bonito? Então, dessa vez fica pra mim. Arrasei e fui. Fui, Nestor. Da ponta do lápis, de novo eu admiro. E lembro Raul: “Eu que não me sento/No trono de um apartamento/Com a boca escancarada/Cheia de dentes/Esperando a morte chegar...”. Não, não. Há que se reagir. E como o poeta vou de verbo intransitivo: “Teadoro, Teodora”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2139774207943967622?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2139774207943967622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/teodora-sabe-das-coisas-teodora-e-moca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2139774207943967622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2139774207943967622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/02/teodora-sabe-das-coisas-teodora-e-moca.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6878814342129461854</id><published>2011-01-27T23:32:00.000-02:00</published><updated>2011-01-27T23:32:39.541-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #4c1130; font-family: Calibri;"&gt;&lt;strong&gt;FRACTAIS E ROTINA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #741b47; font-family: Calibri; font-size: large;"&gt;Maria da Penha, que concluiu seu curso de matemática em 1991, adora brócolis. E não é só para comer. O que Maria gosta, sobretudo, é a forma como ele se apresenta. Um maço verde de flores verdes. Flores de brócolis. Gostava muito quando via sua mãe prepará-lo para o almoço do sábado depois da feira. O maço por cima das outras coisas. Todo o cuidado para não amassar. Despetalava com cuidado separando os pequenos buquês. Colocava-os debaixo da água corrente e depois numa imersão de água e vinagre. Depois iam para o vapor por 2 a 5 minutinhos para ficarem “al dente” e salteava-os em alho e óleo. Acha que sente esse perfume agora adentrando a janela da cozinha. Será sua lembrança ou o vizinho? Torna para o maço de brócolis em suas mãos e se lembra das aulas do professor Aurélio: um bom exemplo de fractal é o brócolis. Fractal vem do latim “fractus” que quer dizer fragmentado, fracionado. A parte está no todo e o todo está na parte. Como as células que contém a nossa história. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;As principais características dos fractais são: Extensão infinita dos limites; Permeabilidade dos limites e Auto-similaridade das formas e características. É um olhar qualitativo sobre as coisas. Agora ela torna de novo ao cheiro que entra pela janela. É realmente o vizinho quem cozinha. Será que está preparando espaguetti ao alho e óleo? Pensa que se fosse brócolis, teria sentido o cheiro do cozimento. A parte ruim do preparo. Já cruzaram seus olhares algumas vezes desde que mudou para o prédio. Outro dia subiram juntos no elevador quando ele voltava do mercado. Na boca da sacola um maço de brócolis chamou a atenção de Maria. A verdura chamou a conversa. Chamou o olhar que se estendeu até ele saltar. Torna para o maço em suas mãos. A rotina é uma sucessão de momentos que se repetem e compõe o todo que é a vida. Como cada flor de brócolis compõe o maço. E o resultado do maço todo, que é o conjunto das partes, é igual a cada flor. E forma um desenho. Como a vida. Pensa que olhando desse jeito a rotina ganha dimensão. A rotina é um fractal. Ri. Todas as vezes que encontrou com Vítor no prédio são partes de um encontro que se ensaia. E agora ele está na cozinha. Espaguetti ao alho e óleo combina perfeitamente com brócolis. Assim como ele combina com ela e os dois combinam com brócolis. Num átimo suspende da mesa com o maço nas mãos. É um buquê. Atravessa a sala, a porta e o hall. Desce um andar pelas escadas e encosta o dedo na campainha do 304. Quando Vítor abre a porta ela está com o coração na boca e o buquê nas mãos. Ele sorri. Ela sorri. Exatamente como se olhasse um fractal, confere a unidade de medida contida no largo do sorriso dele que se espelha no canto da boca. Quase enxerga o infinito. Percebe a permeabilidade dos limites e o intercâmbio de dados. Observa a semelhança nas formas e características. Fraciona o sorriso e vê a semelhança de cada parte que se estende na boca e toca nela. Lembra Anaxágoras: “mesmo na menor das partes existe um pouco de tudo”. Existe vida. O todo é a soma das partes. Ou não. De qualquer forma, tudo isso faz parte dessa história. Que começou antes e agora atravessa a soleira pelas mãos dele. Eu que nem sabia disso tudo, estou aqui a sentir o aroma que vem do 304. E talvez por isso, pego as chaves do carro e me dirijo ao mercado. Uma súbita vontade de apreciar brócolis, fractais e vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6878814342129461854?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6878814342129461854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/fractais-e-rotina-maria-da-penha-que.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6878814342129461854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6878814342129461854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/fractais-e-rotina-maria-da-penha-que.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7646740261678562645</id><published>2011-01-06T20:20:00.000-02:00</published><updated>2011-01-06T20:20:04.809-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;PESSOAS E CRIATURAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Ciro, olhando bem nos olhos de Adamastor, diz: Ora, ora... para dormir, meu senhor, é preciso apenas, ter sono. Consciência limpa? Tá... Essa é a ideia de felicidade de quem a possui. Só pra quem tem a consciência limpa isso importa. E saiba: são esses mesmos que perdem o sono enquanto os outros são agraciados pelos braços de Morfeu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Liz admite que tudo é poesia. E ela poema o que transparece aos olhos dos outros. Escreve e pensa: Se ele viesse até mim, de que maneira seria? Telefonaria avisando? Irromperia virando a chave da porta? Não me importa. Estou pronta. Por mais que me custe não custa mais do que resignar-me. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Janaína pula as ondas do mar e oferece uma flor para Iemanjá. Que minha vida seja algo como meus cabelos. Um alvoroçado que permeia e conforma. E quando me dizem que estou diferente, eu digo: É que estou grávida. Estou prenha. Sou bicho que carrega um bicho dentro. A vida é um salto e o encaracolado é minha forma de estar doente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Pedro diz que o sentimento que traz essa noite no peito é feito cachorro do mato acossado, bicho perseguido no encalço. Ele se submete à caçada com a única perspectiva de ser devorado. Absorve a adrenalina de estar prestes a ser engolido. E se precipita. Incita o predador. É uma forma de suicídio que eu desejo, ele diz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Indira escreve poemas mergulhada e banhada de ausência. Dessa vez eu voltei para ficar até o final. Eu sempre tive que desaparecer subitamente. Agora eu descosturei os pontos que deram para mim. Costuras inteiras. Bordados com as mais ricas tramas. Conforme eu descosturava e soltava os pontos, lá onde o tecido é a trama que o fez, eu ia me vendo, célula por célula. Eu ia aprendendo a encaixar meu desejo no desejo do momento. Sei uma a uma as várias que sou. Os detalhes. Eu saco as mulheres de mim. Arranco. Eu preciso explicar que não se trata de falsidade? Eu preciso. Não é falsidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Adriana tenta em vão recolher as roupas do varal que ameaçam alçar vôo pelo feio da tempestade que se arma, e diz: eu tento segurar e livrar as roupas da tempestade. Eu tento segurá-las. Tento me segurar por que as coisas ventam em mim. Ventam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Jéssica sonha dias de sol e não preocupações. Alinhava cuidadosamente seus afazeres e regorjita o que não transpassa. Tem estofo para mais dois meses. Os bolsos da casaca quase vazios e tantas contas ainda para acertar. Pensa nos truques que traz na cartola (devem andar a pensar que já não sou capaz de trazer mais novidades). Mas ainda pulsam nela devires. Todas as noites uma piada nova, sorrisos que ainda surpreendem. Jéssica traz tanto em si que desliza. Pensa se no fundo há algum estremecimento. Um medo que as luzes se apaguem. Que não haja aplausos no final. Nem todo o porvir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Pois é, leitor. Eu pouco sei do que se impõe e me atravessa e divido isso com Dona Didi, uma amiga querida de Fortaleza. Sabiamente, ela diz que “Assim como são as pessoas, são as criaturas.” Arremata com um “Perfeitamente”. Perfeitamente, eu repito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7646740261678562645?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7646740261678562645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/pessoas-e-criaturas-ciro-olhando-bem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7646740261678562645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7646740261678562645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/pessoas-e-criaturas-ciro-olhando-bem.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4947793526307468405</id><published>2011-01-02T03:09:00.000-02:00</published><updated>2011-01-02T03:09:06.432-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;&lt;strong&gt;FELIPA E O FIM DO ANO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Felipa está de aniversário. No dia 30 de dezembro, um dia antes do último dia do ano, ela muda sua idade e sua vida. Todo ano assim. Moça cheia de simbologias que é, desde cedo decidiu que essa era uma data para transformações. E diz: sempre, a cada fim de ano, tenho dois motivos para mudar. Duas razões. Pensa que motivo é coisa de menor importância. Razão é a preponderância de algo sobre ela. Pensa em maçãs. Em Adão e Eva. E na serpente. Escapa das contingências e torna à maçã. Que alivia dores de estômago. A maçã do amor. O afrodisíaco da fruta. Seu casamento atingiu a maioridade e ela pensa no ridículo disso. Afinal, maioridade não vem com data marcada. Aliás, nada. Mas é simbologia de novo. De todo modo Felipa sabe que a maioridade vem quando se investe nela. Percebe pequenas mudanças. Agrega coisas. Manda coisas embora. Dribla asteróides que caem por cima. Ela às vezes se recupera de bombas e coquetéis &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;molotov&lt;/i&gt; e pensa o quanto a convivência é uma espécie de mistério. Tudo que se troca. Pensa em Quintana dizendo “Amor é quando a gente mora um no outro”. Ela nem sempre sabe ser sábia assim. Teme e teme a não existência de garantias. Para nada. Sabe que nada é para sempre. Sabe? Logo já vai dando um jeito de reordenar o pensamento que lhe escapa. Tem medo da ideia de que nada é para sempre. Mas o que é pra sempre? Cada fase sua dura um ano e logo vem o aniversário e o ano seguinte pedindo-lhe que seja outra, que esteja em outro lugar, que viva outra. Tem coisas que são para sempre, não tem? Duvida. Acredita que para sempre é enquanto se quer e se trabalha as coisas. Modificando, criando novas tramas para se enrolar. Aprendeu a olhar o em volta bem de perto e sem ansiedade. Se continuar assim vou existir “para sempre”. Ou até quando Deus quiser. Até quando eu acreditar. Assim é o para sempre. Tudo isso porque a vida é uma obra e Felipa constrói e pinta sua arte. Tijolo por tijolo e as cores na palheta. Pincela daqui e dali e vai construindo a vida que é dela. Põe um tanto de azul e desenha um infinito. Põe amarelo, laranja e vermelho e tem um sol sem tamanho que lhe doura e aquece. Ponto por ponto ela desenha e pinta. Constrói, reforma e faz pequenos ajustes. Só não gosta de quebrar paredes. Elas existem, afinal. Então vai dando possibilidades de serem mais. Felipa sabe que paredes podem sempre mais. Para a mudança deste ano preparou algo que a está surpreendendo. Mandou instalar na parede da sala pinos de escalada. Começam na parte inferior e vão subindo até atingir a parede perpendicular, onde está o aparador com a travessa de morangos frescos, e dali para o teto. Felipa olha os pinos e olha para seus pés com sapatilhas especiais para escalar. Usa também uma roupa própria, preta e colada ao corpo. Preta. Esse fim de ano serei gata. Mulher-gata. A meia-noite desliga todas as lâmpadas deixando apenas o pisca da árvore de natal. Coloca as luvas e inicia a subida. Concentrada. Pino por pino ela sobe. Atravessa a primeira parede e depois a outra. A da perpendicular. Prepara-se então para adentrar os 90 graus do teto e esborracha-se no pufe marrom. Ri uma sonora gargalhada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4947793526307468405?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4947793526307468405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/felipa-e-o-fim-do-ano-felipa-esta-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4947793526307468405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4947793526307468405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2011/01/felipa-e-o-fim-do-ano-felipa-esta-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2817911864217157838</id><published>2010-12-24T15:10:00.000-02:00</published><updated>2010-12-24T15:10:38.403-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;&lt;strong&gt;LUZES DE NATAL&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: large;"&gt;Olá, leitor. As festas de final de ano apontam luz por toda parte. Luzes dessa época. Então me vi a pensar para que serve a luz. Como a farinha, que agrega o que está separado e dá consistência ao que não tem, a luz tem suas qualidades. Iluminar o que está escuro. Dar a ver. Que significa propiciar a possibilidade de se poder enxergar. É certo que isso pode ocorrer a qualquer momento, mas a simbologia tem uma força indiscutível. Que nem a luz. Evidencia e pronto. Você não vê se não quer. Sempre aponta algo. Pode ser forte e ofuscante, clareando a ponto de cegar, e pode ser um pontinho bem fraco vindo do abajur. Cria clima. Favorece ângulos. Evidencia ou não os defeitos. Pois é, leitor. A luz evidencia defeitos. Evidencia a vida como ela é. Nessa época tem as luzes de natal. Casas e comércios se iluminam e cidades inteiras exibem suas árvores iluminadas. De garrafa pet, com LED ou de que jeito for, transformam o vivenciar a cidade. É certo que o tanto que falta nessas mesmas cidades não se apaga diante de tanta iluminação. Educação, assistência médica, saneamento básico e segurança. Mas pode ser ofuscado. Assim é a luz. Entre outras tantas coisas, é fenômeno que propaga energia e potencializa nossa crença. Nossa aposta num desejo de bons tempos e na ideia de que aquilo que não possui luz própria, ou a tem em baixa, quando iluminado possa absorver e refletir. Que nem a lua. E dentro da imensidão das coisas relativas à luz, isso é apenas uma pequena parte. Quanto mais pensamos, mais vemos que o assunto ilumina e abre perspectivas. Isso porque nem falamos nas lentes que filtram o olhar, que dão convergência, divergência, distorção, profundidade de campo, mais ou menos foco e outros tantos artifícios que fazem parte do universo de fotógrafos, iluminadores e diretores de imagens. A iluminação é cinematográfica. Altera a perspectiva de quem está vendo, mexe com o imaginário. Esconde, evidencia, nubla, abre o olhar de quem olha. Além disso, tem a luz que o ser humano possui. Que aquece, contagia e alimenta. Que nesse natal, todos os espectros da luz e dessa influência possam ampliar nosso olhar. Nesse âmbito de luzes fugazes e passageiras, que acendem e apagam muitas vezes preenchendo nosso espírito nessa mesma freqüência, que a luz que recebemos e transmitimos não seja passageira. Que possamos reconhecê-la e ampliá-la. E que possa perdurar por todo o ano, independente da crença e do que venha pela frente. Que possamos nos envolver com isso de forma continuada. E replicar esse espírito por todo o ano. Por todo lugar deixar a luz iluminar e dimensionar o contato. Abrir espaço para a luz. Com palavras, gestos e ações que não se apagam. Lindas festas para você, leitor. E muita luz para todos nós. Dessa que ilumina, amplia, dá consistência, alimenta e perdura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2817911864217157838?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2817911864217157838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/luzes-de-natal-ola-leitor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2817911864217157838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2817911864217157838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/luzes-de-natal-ola-leitor.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2268643559326752939</id><published>2010-12-16T21:07:00.000-02:00</published><updated>2010-12-16T21:07:39.743-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;ANA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Demônios são coisas que se acendem e descascam por dentro. Que nem mexerica. Gomo por gomo. Sulco e bagaço. Cheiro impregnado no ar. Ana pensa nisso enquanto o olhar do médico a sabatina. Odeia esse olhar de quem nada sabe do outro e busca atribuir-lhe um diagnóstico. Repete maquinalmente o 33. Caso ele perguntasse, diria que nasceu às 17:53 de um outono distante. As folhas caindo no quintal da casa e tingindo a grama de pós-verão. Sabe o que é pós-verão, doutor? Repita 33. Horário de verão e calor sepulcral na cidade de concreto. Olhos nostálgicos castanho-esverdeados. Sente dores? Eu sou muitas dores. Inclusive as suas. Vai pensando que esse aparelhinho que ausculta nada pode saber dela. Nomear o que borbulha? Impossível. Você fica aí se escondendo atrás desse branco e nem sequer imagina o que palpita na esfera da epiderme. Ossos e músculos me carregam sobre alcunhas diversas e eu existo suturada, doutor. Aberta e precipitada. Esse aparelhinho nada dirá. Nada sabe de mim. Apenas que palpito. Ora mais, ora menos. Os sons internos do meu corpo nada dirão, exceto bobagens. Aliás, doutor, eu vomito bobagens, sabe? Exagero nas cores do que me anima e na amplitude do meu abandono. Coleciono xícaras de café e na estante empilho CDs em linguagem diametralmente oposta às boas leis estruturais. Sou neurologista, doutor. Leio radiografias, reconheço lesões e nervos entranhados. Ausculto possibilidades na esfera de minha existência. Também da sua. Aspiro à fugas e insanos instantes. Sabe diagnosticar isso? Teorias mutantes tramelam seus estampidos e ecoam no aparelho metálico: 33,33,33. E tudo que sabe de mim é que meu coração bate. Meu estômago reverbera. Mas é só saliva que engulo desde ontem à noite. Simples, não é? Meus rins ressoam porque filtram toda sorte de pseudoentendimentos do que eu possa ter, do que eu possa ser. E o fígado tenta inerte metabolizar minha existência. Os órgãos sequer desconfiam que nada seriam sem o que me vai aqui, ó. Bem dentro da minha cabeça. Esse aparelho aí ausculta a cabeça, doutor? Garanto que não. Escuta. Eu só quero que me escute. Tem tempo para isso? Outro dia me internaram. Fiquei maluca com a violência da coisa. Eu presa naquela cama e aquela coisa me entrando pela veia. Aquele branco. É vida isso? Eu vim para a terra para espalhar a mensagem. Contar tudo que escuto. Os fios dentro da minha cabeça são como telefone antigo. Ligo e desligo os pinos. O tempo todo eu escuto. A minha missão é simplesmente revelar a verdade e os espaços. O eterno, o infinito. Aquilo que eu vi. Eu sei porque eu vi. E os espaços, sejam eles verdade ou mentira, são sujos. Debaixo desse branco todo aqui tem sujeira, doutor. Bactérias, vírus, papilomas. Os papilomas estão por toda parte nas mulheres. Querem-nas. Estejam onde estiverem. E eu estou em toda parte. Que nem os papilomas, as leptospiroses. Até aquele líquido que entrava em mim pela agulha era eu. Porque sou líquida, sou sólida. Eu sou imaterial. E não escondo não a minha mão. Eu mostro. Jogo a pedra e mostro a mão. O líquido quer me dopar, mas eu não quero. Querem me nomear, doutor. Mas eu não deixo. O que transborda em mim grito em palavras estampadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2268643559326752939?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2268643559326752939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/ana-demonios-sao-coisas-que-se-acendem.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2268643559326752939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2268643559326752939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/ana-demonios-sao-coisas-que-se-acendem.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5855256351827442050</id><published>2010-12-09T18:45:00.000-02:00</published><updated>2010-12-09T18:45:17.964-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;A REVOLTA DE MARIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Maria é moça de muita candura e delicadeza. Tão singela que Jair tem medo de tocar. Tem medo dela desmanchar. Ela diz para ele que isso tudo é fachada, que por dentro, é pura fortaleza. Ele estranha. Há, de fato, muita coisa que lhe escapa. Por exemplo: as respostas inadvertidas. Nunca consegue sabê-las. Nunca está preparado quando Maria as dá. Assim mesmo: sem a menor delicadeza e no meio daquela candura toda, ela solta a farpa doída que o atravessa. Jair pensa sobre isso. Conversa com os amigos. Pede a Maria que olhe com cuidado para isso, que entenda porque reage assim. Ela desacata. Diz a ele que o que causa estranhamento em si é a doçura que ele contempla. O sorriso que escapa da boca e ela não quer dar. O espaço que ela abre e não quer abrir. Houve um tempo em que sentia mesmo certo estranhamento quando isso acontecia. Vinha de dentro, de sabe lá onde, e irrompia. Mas agora sente que isso passou. Sabe que não quer conter a volúpia dessa vida escondida debaixo da candura. Aliás, candura que ela odeia. Vontade mesmo, ela tem de mostrar os dentes. Jair diz: sorria, minha prenda. Se quer mostrar os dentes, sorria. É tão doce o seu sorriso. Maria olha Jair bem dentro dos olhos que lhe pedem a candura. Pensa o que ele quer, de fato, com esse pedido. Advinha que ele não quer ter que se bater com seus dentes. Seus caninos. Mas Maria quer o confronto. Já não agüenta a docilidade que grudou nela e compõe a cara que ela tem e Jair adora. Não agüenta mais a meiguice que a habita e não lhe pertence. Não lhe pertence. Maria sabe seus espinhos. Cultiva-os. Sabe também que é preciso encontrar a justa matemática. Mas não agora. Por ora desespera-se com tanto sorriso que lhe vem de dentro. Pergunta de que entranhas vem. De que entranhas? Esse sorriso que chega na boca e suaviza o passo de quem olha para ela. Quer agora que suavizem o seu passo. Olha Jair e vê isso nele. Um desejo de que ela seja travesseiro, colchão, espuma qualquer onde ele possa afundar o peso de seu corpo e lá deixar sua marca. Lá moldar-se. Maria não quer mais ser espuma que se molda facilmente com o peso dos corpos. Quer ser tábua. Incomodar e forçar mudanças de posição. Lá dentro da candura que Jair vê e deseja mais e mais, ela quer o susto. O desconforto do outro para variar um pouco. Dentro de si ela sabe. Deseja, na justa medida, se destituir da maciez que grudou na sua cara, no seu jeito. Quer olhar de cima e deixar fluir água, fogo, avalanche, hecatombe e o que vier. Quer ver isso passar por ela. Quer o fenômeno tal como é. E sabe que isso não pode ser lido em cartas climáticas, cartas de tarô ou qualquer outro tipo de leitura. Sabe que isso tem que assustar. Causar desconforto. Até para ela. Jair vai se afastar. Pedro, Janaína, Isaura e Bete. Mas Maria vai passar arrastando o vestido no vermelho do tapete e sorrindo na boca o desejo que a move. Todos vão saber e invejar. E ela não vai sorrir encorajando, abrindo seu espaço. Vai seguir. Quem quiser, que aumente o peso do seu corpo e procure espumas para se moldar. Maria agora vai ser a tábua que há por baixo da espuma. Osso duro de roer. Espinho. Colchão ortopédico. Quem quiser que ajeite sua casca à dela. Arrume pirógrafo, faca ou canivete e aprenda a inscrever-se na sua nova superfície. Que mude a posição quando o osso do quadril sentir que ali não é mais o seu espaço, mas o dela. O espaço de Maria. São as superfícies que se relacionam, não são? Quer sentar no pudim, José? Comigo, não!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5855256351827442050?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5855256351827442050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/revolta-de-maria-maria-e-moca-de-muita.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5855256351827442050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5855256351827442050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/12/revolta-de-maria-maria-e-moca-de-muita.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6600201601137170782</id><published>2010-11-25T15:39:00.000-02:00</published><updated>2010-11-25T15:39:29.680-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;LAVANDO A ROUPA SUJA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Sem nenhuma exaltação e como estivessem já ali, bem no meio da lavanderia, ela foi explícita. Disse a ele, bem devagarzinho, tudo que tinha para dizer. De forma calma e pausada para que ele pudesse entender. Pediu-lhe desculpas pela rudeza do assalto. Pelo seqüestro. Argumentou que não havia outra alternativa para ela. Agora, na posição em que ele estava, instalado bem no meio da lavanderia, talvez pudesse sentir o amor e o desejo lacerando seu corpo. Que se olhasse bem, talvez pudesse ver a melancolia atravessada, brilhando laranja na parede atrás de si. Talvez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Ele desentendeu. Estar ali naquela lavanderia, escutar aquela mulher falar tão baixo e tão devagar como se fosse para ele escutar a dor dela não fazia o menor sentido. Como se ele pudesse entender a rudeza do ato. Do seqüestro. Escutou ela falar e falar sem nada sentir, a não ser o peso de seu corpo sobre as pernas e o calo no mindinho do pé direito. Esse maldito calo. Sem nada ver, a não ser uma mulher que já não tinha mais nada. Sequer cor que pudesse salvá-la de um profundo e irreversível branco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Ela se disse tão cansada daquela impotência horrorosa. A palavra impotência era horrorosa. Olhou para ele. Lembrou que era um homem de algumas experiências e mentiras. Muitas mentiras. Até lembrou e contou o episódio da estrela que ele um dia disse ter visto cair. Quanta bobagem! Por fim sentenciou o castigo e assumiu seu desejo de vê-lo ali estreitado bem no meio da agonia. No meio da lavanderia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Ele sorriu seu desdém. Até lembrou o episódio da estrela e o mistério: ele apontou e ela desceu. Quase gargalhou. Olhando bem para ela, via que não passava de um inseto. Um inseto nojento. Cheio de visco. De sobrevôos. Faminto de migalhas humanas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Sem nenhuma exaltação agora foi ela quem esboçou um movimento nos lábios. Parecia sorriso, mas era dor. Falou de seus olhos nas noites sozinha. Do vermelho deles e da luz ao sobrevoar sua agonia ali naquele espaço. Um foco de luz laranja na lavanderia. Estreitou-se com o que era da sua natureza. Ser objeto do apetite. Cega de amor e desejo. Bela e disposta a abdicar de tudo por um sentimento. Apenas um sentimento. De que pudesse ser olhada sem nojo. Confessou estremecer quando ele a olhava com escárnio. O desespero de não poder sentir suas mãos nela. Seu beijo e o gosto dele. Foi saindo sem olhar para trás. Sorrindo a prisão dele e a incompreensão estampada. A atitude de mantê-lo ali. Vê-lo salivar diante da agonia que escolheu. Que ele escolheu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6600201601137170782?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6600201601137170782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/lavando-roupa-suja-sem-nenhuma.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6600201601137170782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6600201601137170782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/lavando-roupa-suja-sem-nenhuma.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8745332185852994921</id><published>2010-11-18T22:06:00.000-02:00</published><updated>2010-11-18T22:06:24.290-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;SOBRE ANIVERSÁRIOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;No último dia 13, meu pai fez 70 anos. Ano passado foi minha mãe a completar 70. Duas “desculpas mais que perfeitas” para reunir toda a família e fazer festa. Família é um conforto que transpassa o tempo. As distâncias e as diferenças. De repente você está lá conversando com os primos que não vê há tanto tempo e isso não transparece. O que emerge é a estranheza de uma intimidade de outrora. Uma mesma história que perpassa. Um algo que enlaça a todos. É boa a sensação. Meu pai gosta de festa. Sempre foi festeiro. E é bom fazer festa pra quem gosta de festa. Minha irmã que mora perto deles orquestrou os detalhes todos do evento. Ela também gosta muito de festa. Meu irmão também. Eu também. Pois é, somos todos filhos do pai. Sei lá se o momento conspirou ou a condição propiciou, mas eu tive a ideia de montar uma apresentação de slides para ele. Eu tinha algumas fotos e comecei por elas. Logo surgiu um mote que foi amarrando as fotos soltas. Então minha irmã mandou mais algumas e também meu pai. Ele mesmo, o maior entusiasta. A história foi encorpando e eu ia mexendo nessa construção de um olhar meu para ele. Um olhar dele para sua própria vida a partir do meu. Fui adicionando alguns textos. Pensamentos dele pensados por mim. E fui gostando muito dessa experiência. O entusiasmo me fez remexer álbuns e caixas em busca de mais fotos. Descobri piqueniques, viagens para Ubatuba, reuniões tantas de família e banhos de mangueira no quintal da casa onde cresci. Fotos que ele tirou para contar das nossas vidas. Fui “construindo” a história dele e a minha ia emergindo e me surpreendendo. No final, eu queria uma frase para finalizar a apresentação. Qual representaria o sentimento genuíno dele que eu queria captar? Foi Adélia Prado quem resolveu meu problema. E nada, nenhuma outra frase poderia abarcar a profundidade que eu queria, senão aquela. Que eu não seria sem ele. Eu vim da família que ele construiu. Ele e seu desejo. Meu olhar que tudo olha viu muita coisa acontecendo ali naquela noite. Coisas que vou guardar para sempre. Coisas que me alimentam e talvez eu não soubesse como sei a partir de agora. Mas sobre a história do meu pai, lá pelas tantas, houve um momento em que todos se juntaram na sala para ver a exibição das fotos. Meu sobrinho também havia preparado alguns slides para apresentação. Um olhar da 3ª geração. Juntos nós fizemos um só filme, “A vida do Zé”; e que todos assistiram e apontaram com emoção. Lembraram também de si. Foi muito legal ver as fotos de meu pai criança, moço. Tantos sorrisos no rosto mudando de desenho no tempo. A cidade onde ele nasceu. Os amigos do futebol, de pescaria. As mil e uma aventuras. Tudo nas imagens falava dele e de cada um de nós. Foi lindo ver o olhar feliz do meu sobrinho em ter feito parte disso tudo. Horas antes da festa, até talhou em si costeleta e bigodinho para se aproximar da imagem do tio de meu pai numa foto muito antiga. Tio Pedrinho. Ligou os tempos em si mesmo. A frase que plasmei de Adélia, e que Adélia plasmou da vida que borbulha em cada um, encerrou o que estava dentro de nós naquela noite feliz: Eu sou o Zé: “não quero faca nem queijo: quero a fome”. Nós? Idem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8745332185852994921?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8745332185852994921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/sobre-aniversarios-no-ultimo-dia-13-meu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8745332185852994921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8745332185852994921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/sobre-aniversarios-no-ultimo-dia-13-meu.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2614693998642580736</id><published>2010-11-11T16:56:00.002-02:00</published><updated>2010-11-11T16:56:57.538-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;ENTRE JANELAS E PORTAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Nas minhas andanças por aí, sempre fico me perguntando como é que certas pessoas podem ser tão mal humoradas. Sempre que consigo, penso numa explicação. Ela não deve ter tido um bom dia. Ele deve estar com algum problema. Se a coisa ocorre logo pela manhã, penso que talvez não tenha dormido bem. Vou sendo assim, meio Pollyanna. Sei lá se porque li esse livro quando criança. Talvez. Mas de fato, não gosto de mau humor. Daquele que de tão enraizado vira estilo. Tem gente que gosta. Dizem alguns que ficar sorrindo demais passa atestado de solicitude demais, de paciência demais, de alienação demais. Não sei. Acho apenas que bom humor é vírus. E, como o mau humor, contamina. Nesse sentido penso: ainda bem que há bastante gente contaminada com bom humor também. Espalhando e espalhando sorrisos por aí. Feiticeiros urbanos. Tudo bem que por todos os lados correm notícias ruins e indícios de uma “civilidade” que desintegra cotidianamente. Isso vai refletindo uma espécie de “descontrole” geral do qual ninguém está protegido. Nem a linda senhorinha que todos os dias, faça chuva ou sol, senta-se na cadeira da varanda para tomar ar e olhar o trânsito desconcertante da avenida. E todo vez que passo e a vejo lá, abrimos as duas um sorriso e nos cumprimentamos. Não sei nada dela, além disso. Ela nada sabe de mim também. Apenas trocamos sorrisos. E eu gosto tanto do sorriso dela! Eu acredito no mistério das coisas. Penso que quando fazemos coisas como pensar, imaginar, sorrir e até sonhar, mudanças profundas acontecem em nosso corpo. Corpo esse que é porta para a vida. Quase sinto as células entrarem em ebulição após uma troca de sorrisos. A cascata que se desenvolve depois dessa “efusão” celular é remédio puro e gratuito. Está em cada troca de bons fluidos. Definitivamente, as emoções atuando sobre os nossos sistemas referem a algo que devemos mais e mais aprender a explorar. Se de um lado o tempo esgarça-se à nossa frente e vai denotando egoísmos, violências e mesquinharias, de outro há o sorriso. O bom humor que contamina e pode romper essa dura couraça. Se por trás de cada impulso, que é o véiculo a jato da emoção, há sentimentos que vão se transformar em ações, porque não se deixar arrebatar pelo impulso do sorriso? Não seria uma maneira de carregar a emoção de inteligência? De não permitir que nossas melhores emoções sejam solapadas por hábitos endurecidos? Eu acho que sim. Continuo pensando que impulsos e movimentos negativos e destrutivos são natimortos. Prefiro abrir a janela e olhar a vida que anda para além da minha. Prefiro o mergulho que me permite a transformação. Prefiro janelas às portas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2614693998642580736?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2614693998642580736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/entre-janelas-e-portas-nas-minhas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2614693998642580736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2614693998642580736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/entre-janelas-e-portas-nas-minhas.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1784625685012838944</id><published>2010-11-05T12:34:00.000-02:00</published><updated>2010-11-05T12:34:01.426-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;VOZES DO ORIENTE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;Clotilde Zingali, de Joinville.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Na China ou em qualquer lugar, estrangeiro dificilmente deixa de ser estrangeiro. Fica sempre no ar um jeito que não é, um modo que estranha, um transbordar que é excesso e é falta. Um não se reconhecer. Luis Esnal, correspondente do La Nación em São Paulo, em seu texto sobre “Estar na China”, coloca as benesses de certa descarga de adrenalina por conta desse estranhamento. Que a falta de “consciência prática” do lugar que o coloca, digamos “meio perdido”, pode ser a mãe dessa boa descarga hormonal. E por isso o estrangeiro fica na China. Mesmo sendo tudo tão avesso e arbitrário ao modo ocidental de se olhar para as coisas. Ele cita que lá tudo escapa ao estrangeiro: os gestos, os silêncios, os tempos, as evasivas, os olhares. Eu já fico a imaginar que tudo que lhe falta também o arrebata. O mistério, leitor. O tal mistério das coisas. Vejam que coisa interessante Luis diz: “Para nós o futuro está na frente, certo? Pois, para eles está atrás. E por isso "hou tian" (literalmente "atrás dia") significa o dia depois de amanhã.” O passado está à sua frente porque você consegue vê-lo. Sobre o futuro: "O futuro está atrás de você. Não se pode ver o que o futuro reserva." Achei empolgante. Muda tudo, não é? Isso é algo que escapa quando se é estrangeiro na China. Também quando um chinês vem parar no ocidente. Mas é algo que vou juntar aos meus hábitos a partir de agora. Guardar junto com aquele exercício que faço de quando em quando: fechar os olhos e tentar fazer algumas coisas do dia a dia lá em casa. Tatear o desconhecido. Distanciar-me da maneira habitual que tenho de pensar as coisas. De fazer as coisas. O interessante de distanciar-se de algo é o ângulo que se cria e de onde passamos a ver a mesma coisa de outro jeito. É rico esse movimento, pois podemos distanciar um passinho, 3 ou 4 metros, 89 metros. 350 quilômetros. De cada um desses pontos a coisa olhada já não é mais a mesma. E o melhor: nem você é. Para escrever essa crônica, eu fiz uma viagem até Xangai. Experimentei o ameno da temperatura, a fumaça no ar que deixa o fog londrino tão suave! Experimentei o mormaço. Os exageros e a estranheza. Me vi a buscar referências ocidentais onde eu pudesse me escorar. Nada. Via espetos de carne e pensava em cachorros. No café da manhã, o gafanhoto ocupava o lugar do pãozinho. Mas quando pensei no homem, naquele que habita esse espaço tão estrangeiro ao meu olhar de agora, acho que me teletransportei. Sei que o dedo dele sangra como o meu quando há um corte. Mas o como ele e eu experimentamos a dor é o que nos diferencia. Como ele e eu olhamos a alegria. O passado, o presente e o futuro. No mais, são hábitos. Tivesse eu nascido lá, não seria estrangeira. Para mim, que “não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”, isso é muito significativo. Depois de saber desse olhar sobre o passado, que está em frente a mim e por isso posso vê-lo, aquele filminho que alguns dizem ver numa experiência de “quase morte” começa a rodar nesta minha doida experiência de vida. A minha vida misturada a tantas vidas. Me dá uma paz carnavalesca. Olho para ela com doçura. É o que posso ver, afinal. O futuro, esse fugaz cavalheiro que insiste em causar estranheza, vejo se dissipar. Partícula em cima de partícula. Está muito claro. Ele está atrás de mim e não posso vê-lo. Sei lá porquê, mas isso não me causa nenhum estranhamento. Estou na China, afinal. Uma espécie de exílio onde uma onda de pertencimento me invade. Eu pertenço, ainda que estrangeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1784625685012838944?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1784625685012838944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/vozes-do-oriente-clotilde-zingali-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1784625685012838944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1784625685012838944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/11/vozes-do-oriente-clotilde-zingali-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7741616904382052087</id><published>2010-10-28T23:07:00.000-02:00</published><updated>2010-10-28T23:07:04.850-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;AMIZADE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Quando minha cachorrinha me leva para passear, eu vou. Às vezes sou eu quem pega a coleira e acena para ela a possibilidade. Mas normalmente é ela quem começa a sassaricar e fazer barulhinhos. Estaca diante da porta e fica esperando que eu me movimente. Se eu não vejo, ela me chama, corre para a porta, estaca lá de novo. Então eu vou. Pego dois sacos de lixo e coloco na bolsinha que uso para passear com ela. Um kit de passeio que ela já conhece, pois se pego a bolsinha ou sacola de lixo ela já fica toda serelepe! Aliás, dia desses alguém me parou na rua para dizer: Se todos fizessem como você e carregassem um saquinho quando saem com seus cachorros... Pois é, leitor. Pois é. Não esqueçam os saquinhos!!!! (E quiçá apareçam brevemente saquinhos biodegradáveis!). Depois desses passos básicos coloco a coleirinha nela, mas é ela quem me leva. Sempre opta por descer e subir pela escada. Sinto que não gosta de elevador. Eu também não. Descemos e já conheço seus movimentos. A porta por onde prefere sair, o local onde espera para que eu abra o portão e o pulinho certeiro que ela dá para a calçada. Aí começa o desbravar dos matinhos e canteiros. Não passa ileso um metro quadrado que ela não perscrute. E assim vamos. Algumas vezes ela me faz caminhar mais rápido: parece afoita no seu descortinar. Em outras, caminha tão serena que sou eu a sentir o passo de maneira diversa, a descobrir coisas que ainda não havia visto. Lembro quando pensei que poderia ser enfadonho “ter” que sair com ela sem estar com vontade.... Qual o quê! Meu esmorecer mais arraigado vira pó diante dos apelos dela e tudo que quero é atendê-la. E vou. Já aí estou passeando. Já aí estou totalmente “na dela” e curtindo cada detalhe do passeio. Na escada, ela desce uma sequência de degraus e me olha. São cinco olhadelas que me encantam! Quando pula na calçada olha de novo. Esquerda ou direita? Deixo para ela a decisão já que estou sendo levada. Ela vai me guiando e eu vou descortinando. Nos último mês passou por uma cirurgia (nunca mais mãezinha). Mudei a rotina então. Descemos e subimos de elevador e sua caminhada e gestos foram diversos. Ela não entendia, mas se sabia diferente. Me sabia cheia de cuidados. Andamos um trecho curto e ela parou. Não dava para prosseguir. Aguardei um pouco e tentei voltar. Nada. Foi com cumplicidade sem igual que ela, normalmente um pouco arisca a colos, aceitou o meu e se deixou levar de volta para casa. Dois dias de molho. Sem passeio para nós até que a rotina fosse lentamente retornando. Uma apelando para a vontade da outra. Final de semana passado ela já corria desatinada pelo quintal da praia. Passou. Sentada em sua almofada ela agora me olha. Meu marido diz que não entende o olhar prolongado que ela me dá. Pensa no que ela quer dizer. Eu nem sei. Mas sempre acho que seus olhares pedem passeio, comida e água. As alegrias da sua vidinha cã. Mas sabe lá o que pensa um cachorro? Bem, se eu for por aí vou dar nó nos “nervos”, pois sabe lá o que é pensar! Pelo critério de pensamento como capacidade de conceituar e abstrair o mundo que nos rodeia, fazendo uso da linguagem, só o homem é capaz de pensar. Mas se a gente enveredar pelos caminhos da linguagem... os tipos de linguagem... sabe lá. De fato, a gente sabe que o cão tem sido o melhor amigo do homem já há muito tempo. E a amizade, bem, esta a gente sabe que se constrói sobre a base de compreensão mútua e companheirismo. Condicionamento? Pode ser. Mas se formos por aí, seres humanos também podem ser condicionados.... Afinal, tem gente que só na hora da foto escancara um sorriso. Quem sabe atrás do clique tem alguém mostrando um ossinho.... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7741616904382052087?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7741616904382052087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/amizade-quando-minha-cachorrinha-me.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7741616904382052087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7741616904382052087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/amizade-quando-minha-cachorrinha-me.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9036109271635011399</id><published>2010-10-21T23:25:00.000-02:00</published><updated>2010-10-21T23:25:19.277-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;CANTANDO NA CHUVA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Ele deve ter entre 9 e 10 anos. Do alto de seu, talvez, um metro e quarenta, carrega uma pequena mochila no ombro esquerdo e na mão direita um guarda-chuva. Passeia e faz malabarismos com o objeto. Brinca com o chuvisco e o corpo. Roda o guarda-chuva entre os dedos. Sobe e desce o objeto, que como o meu, é transparente. Olha a água que cai fininha. Inclina pra lá e pra cá. E de novo sobe e desce, rodopia entre os dedos, e dá um passinho pra trás. O menino brinca com a chuva! Eu, que dentro do carro vou chegando perto e vendo melhor a cena, avisto é Gene Kelly cantando. Porque como no filme, a expressão de felicidade e a naturalidade com que ele parece flutuar pela rua são iguais à do ator em “Dançando na Chuva”. Sigo escutando a trilha em minha mente, lembrando os movimentos, os pés nas poças d’água e o guarda-chuva bailando sob as goteiras das casas. É tão boa a brincadeira do menino que minha boca cantarola: I’m singing in the rain... É apenas a manhã de um dia que começou antes das 6 para mim, ainda escuro e chovendo bem mais. Agora já uma ideia de sol quer vingar sobre o chão ainda umedecido pelo chuvisco. Quer vencer o intermitente dele que cai fininho e vai espalhando pelo ar um cheiro doce de melancia. Um cheiro vermelho. E embora haja tanto ainda por fazer, isso tudo insiste em se sobrepor. Confesso que não é difícil deixar-me arrebatar por essas pequenas coisas. Acho até que algo em mim as procura. Algo em mim quer, permanentemente, se deixar arrebatar. E então essas coisas pequenas da vida, essas pequenas “grandes coisas”, me surgem. É claro que, na verdade, estão sempre ali, sempre por aí. Mas às vezes, mesmo não sendo difícil, eu não vejo...tão absorta que estou... então, quando volto a ver, me encanto. A vida é cada segundo, leitor. Cada fração. Uma somatória de fagulhas. Acho que o menino sabe disso. Melhor que isso: nem sabe. Apenas vivencia. Carpe diem! Talvez porque seja início de primavera, porque o verão está mais próximo hoje do que ontem. Porque o sol tenta rasgar o branco. Não importa. Importa o verão dentro dele e dentro de mim olhando para ele. Há pouco era Gene Kelly no ar e já será George Harrison, com sua “Here Comes The Sun”. A minha música e a do menino. Quem sabe também a sua “Here comes the sun, here comes the sun, Little darling, it's been a long cold lonely winter. Little darling, the smiles returning to the faces. Here comes the sun, here comes the sun and I say it's all right”. “Aqui vem o sol”, Joinville! Tudo prediz. Porque a vida é sim, uma aventura. “I’m singing in the rain”! “Here Comes the Sun”! Bom dia, leitor! E a vida continua avançando. Pouco antes da dança do menino me arrebatar, vi uma porção de árvores de natal numa vitrine!!!! Tudo isso, porque ainda é outubro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9036109271635011399?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9036109271635011399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/cantando-na-chuva-ele-deve-ter-entre-9.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9036109271635011399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9036109271635011399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/cantando-na-chuva-ele-deve-ter-entre-9.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1550668503921464819</id><published>2010-10-14T22:31:00.000-03:00</published><updated>2010-10-14T22:31:02.790-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;DA UTILIDADE DAS COISAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;A utilidade de uma coisa é algo a ser desvendado com humor e imaginação. Aliás, desvendar o mistério das coisas é tarefa de muita utilidade e que muito me encanta. Quando coloco minhas perninhas para caminhar por aí, vou deitando os olhos em tudo que é coisa exposta e que arrebata minha atenção. De meiazinhas para guardar celular a cabo de panela. Falando nisso, dia desses deitei os olhos numa referência a um texto de Humberto de Almeida, que discorre sobre a utilidade do cabo em sua dupla função: de empunhadura e/ou apoio para o manejo dos mais diversos utensílios e ferramentas. Da panela à enxada. Pense nisso, leitor! E lá vai o estudioso para os subterrâneos da coisa: o cabo e sua influência sobre a história e o comportamento dos homens. O próprio autor, Marcelo Sguassábia, que faz referência ao texto do cabo, já sugere novas coisas para se pensar nessa linha e que podem, quiçá, se prestar a futuras dissertações e estudos de maior envergadura. Cita as alças:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Alça de sacola de feira, com peculiaridades ergonômicas e relevância como agente alavancador, especialmente da economia informal, alça de trem de metrô e seu papel gregário no contexto do transporte coletivo, dado que cada alça é dividida por duas, três ou até mais mãos que nela se apóiam ou seguram nos horários de pico; alça de sutiã e de vestido, entendidas não apenas como elementos de sustentação, mas também como fetiches a povoar o imaginário masculino, alça de caixão, alça de mira e até a expressão “mala sem alça”, que ele diz ser cunhada originalmente no Reino Unido (olha só!); o verbo “alçar”, de onde deriva a expressão alçar vôo, decolar por si mesmo, “por propulsão própria”e até a enigmática e quase hieroglífica definição do Dicionário Houaiss para “alça” como termo de marinha: “estropo adaptado à goivadura da caixa de moitões, cadernais ou sapatas”. Quem puder que lance luz! É engraçado pensar, repetindo o autor, em arregaçar as mangas e se debruçar com o devido afinco sobre tema tão rico e pouco investigado. Eu, por mim, agradeço a possibilidade de poder ter uma alça à mão caso eu precise me segurar. Peço que eu possa alcançá-las do alto de meu metro e cinqüenta e seis. Acho louvável meus pais terem instalado duas delas dentro do box para banho e muito gosto das que seguram as bolsas e bolsas que eu adoro trocar. Gosto, sobretudo, das invisíveis, daquelas que me alçam para longe quando eu quero voar. Alças, de algum modo, nos dão asas. Sem misturas e sem efeitos colaterais. Basta imaginar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1550668503921464819?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1550668503921464819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/da-utilidade-das-coisas-utilidade-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1550668503921464819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1550668503921464819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/da-utilidade-das-coisas-utilidade-de.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6263049408911264819</id><published>2010-10-07T12:25:00.002-03:00</published><updated>2010-10-07T12:25:44.622-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;VIVA A INSTABILIDADE DO ENVELHECER&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Somos organismos vivos, certo? Alto grau de flexibilidade e plasticidade para tantas transformações que passamos no decorrer da vida. Tudo bem: somos guiados por alguns padrões, de certo modo, cíclicos, que se auto-regulam, auto-organizam e tudo mais. Mas não somos máquinas! Ao menos enquanto pudermos inventar e ir rompendo com antigos padrões. Enquanto existir criatividade, haverá transpasse de limites em direção ao novo. Se assim é, temos a possibilidade de escrever dia a dia a nossa história com a única certeza de que é possível transformar. Estabilidade e garantias? Não, não, leitor amigo. Isso não há. Podemos saber que a cada movimento nosso, um outro é produzido. E assim temos um fluxo entre pólos: expansão e contração, contato e retração, côncavo e convexo e outros tantos. Cumpre dizer que a vida ocorre através das experiências que atingem o corpo. Atingem e atravessam. Mas que tudo começa quando se respira e sente. Quando se está conectado com as circunstâncias que rodeiam o sentir. Quando se está conectado com o desejo. Eu penso na vida que passa nesse caminho de invenções e sou projetada para algum momento onde o desejo não mais nos pertence. Quando vamos ficando velhos, talvez? Será? Quando numa sociedade determina-se que o tempo do velho é o passado e as circunstâncias começam a resvalar a ideia de que cessem os movimentos, a autonomia, a decisão de ir pra lá ou pra cá, isso pode acontecer. Se comprarmos essa ideia aí vira verdade mesmo! E se não há desejo, não há movimento. E dá um medo danado a perspectiva dessa espécie de involução. Desse “deixar de pertencer”. Dá medo a ideia de ir jogando coisas para escanteio, minando os sentidos que podem nos impulsionar para novas invenções. Para continuar inventando. O que pode decorrer desse movimento transverso senão o hábito de despertencer? Despertencimento esse, que gera isolamento, gera angústia, gera depressão. Talvez eu tenha pensado nessas coisas porque acabo de ver uma senhorinha no centro que muito me chamou a atenção. Talvez pelas recentes comemorações do dia do idoso. Talvez porque bem do nosso lado, a gente veja muitas situações que nos põe a pensar. Não importa. Importa a atenção para não cair no isolamento. Importa também investir no corpo que é porta para o sentir. Abrir os pulmões e sentir. Com mais ou menos ar. Mais ou menos dor. Então, abra sua janela. Coloque uma música para tocar e cante arrancando seu corpo da inércia. Dance! A vida está bem aí, ao alcance das mãos. Vai incomodar algumas pessoas que pensam os velhos como peças de antiquário. Sentadinhos numa cadeira de balanço e silenciosos como num quadro. Colocariam moldura se possível fosse. Mas esqueça disso. Saia do quadro. De preferência, cantando. Pinte o mundo “jovem” com tudo que trilhou no seu caminho e que, fosse luz, iluminaria cidades inteiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6263049408911264819?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6263049408911264819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/viva-instabilidade-do-envelhecer-somos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6263049408911264819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6263049408911264819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/viva-instabilidade-do-envelhecer-somos.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3165097416906740354</id><published>2010-10-01T11:57:00.000-03:00</published><updated>2010-10-01T11:57:25.392-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;PARA SENTIR OS SABORES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Olá leitor! Esses dias lembrei quando nossos sentidos eram cinco: Olfato, Paladar, Visão, Audição e Tato. Hoje já se fala em alguns outros... Pressão, Dor, Temperatura... Segundo a neurocientista Suzana Herculano, haveria mais dois. Ela diz que enquanto os cinco sentidos básicos se ocupam do que vem de fora, os outros dois cuidam do que vem de dentro. Um deles é o movimento e o outro o equilíbrio. Faz muito sentido, inclusive porque, sem esses dois últimos fica até um pouco difícil usar os outros. Enfim, é através desse conjunto que se pode falar um pouco da viagem pelo mundo do sabor, onde os sentidos atuam em conjunto: tem a visão, gatilho que dispara a idéia de sabor, o paladar, que através da generosidade anatômica da boca, capta as partículas de sabor enquanto mastigamos; e o olfato, que junto com a gustação, é talhado perfeitamente para captar as moléculas de cheiro que estão no ar. Depois tem a viagem das informações captadas pelos órgãos dos sentidos até o cérebro. Uma viagem através dos disparos de potenciais de ação pelos neurônios, sinapses, nervos e instâncias cerebrais onde tudo chega no final desse caminho. Mas o que é de fato encantador nessa complexa dinâmica é tudo que se pode desvendar a partir desse conhecimento. A questão da construção das imagens mentais e dos afetos envolvidos. Pensar que quando se aprende algo, a diferenciar sabores, por exemplo, criam-se no cérebro redes neuronais que podem ser reforçadas com a repetição dessa informação ou experiência; e que quando se vivencia uma experiência diferente, mas relacionada à experiência original, automaticamente o cérebro está apto para reescrever o arquivo considerando a nova informação. E assim nossa memória vai se ampliando e se modificando. E as emoções vão carregando todo esse processo com cor; de modo que quanto maior a carga de emoções associadas, maior e melhor será o envio e o armazenamento das informações. Isso faz pensar na importância dos estímulos para nossa vida. Para a criança que está iniciando a descoberta dos alimentos e coisas tantas até bem mais lá na frente – quando, por uma série de fatores, como envelhecimento, uso de medicamentos, doenças e até o afastamento do convívio social, vamos “fechando” mais para a vida e para tudo que os sentidos estimulados podem propiciar. O que é uma grande pena. Conhecer essa capacidade do estímulo e seus resultados na maneira como olhamos o mundo pode mudar tudo. É o que já se disse: não podemos viver sem o sentir porque “somos a partir de nossos sentidos”. Estar aberto para essa possibilidade é estar aberto para o enfrentamento da vida. É viver. Mas às vezes descuidamos disso. Esquecemos até. Vamos vivendo homens-máquinas com mensagens entrando e saindo sem que a gente se perceba, sem que a gente possa interagir com toda nossa estrutura. E diante de tantas instabilidades, funcionamos mal por não estarmos conectados com nossos sentidos. Quis lembrar isso, de que vivemos pelo conhecer e de que o conhecer surge do sentir – disso que nos atravessa através das experiências que atingem o corpo e depois transformamos em “sentir”, e a partir daí em “ser”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3165097416906740354?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3165097416906740354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/para-sentir-os-sabores-ola-leitor-esses.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3165097416906740354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3165097416906740354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/10/para-sentir-os-sabores-ola-leitor-esses.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8867139041449509631</id><published>2010-09-23T12:45:00.001-03:00</published><updated>2010-09-25T13:01:26.100-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;INSTABILIDADE e ELUCUBRAÇÕES PASSAGEIRAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;O leitor que já jogou fliperama poderá me entender. Sabe quando você solta a bolinha e ela sai ricocheteando para tudo que é lado sem marcar nenhum ponto? Assim me sentia na última tarde de outono. Tentando arrancar um maldito pêlo do queixo, lembrei daquela música que Durval Vieira escreveu, Luiz Gonzaga interpretou e Gal Costa também. “Que diferença da mulher o homem tem? Espere aí que eu vou dizer meu bem: é que o homem tem cabelo no peito, tem o queixo cabeludo e a mulher não tem”. Qual o quê! Bendita seja Nossa Senhora da Pinça! Sem contar Nossa Senhora da cera quente, da cera fria e do laser, né? Seja como for, para além das possíveis diferenças e semelhanças entre homens e mulheres, a bolinha continua ricocheteando. Também! O que se pode dizer de alguém que tira pêlos do queixo? Queria ser mulher-girafa. Aquele pescoção para exibir além de poder limpar as orelhas com a própria língua! Mas não tem problema, não. Eu fico bombeando 50 litros de sangue por minuto, e nem sou girafa. Tô batendo um bolão. Mas veja, de novo é setembro. E eu, ao contrário da girafa, nem tenho língua de ½ metro, intestino de 77 metros e fico pensando como definir o tempo que acelera e o que passa devagar. Qual é o jeito de ver o tempo passar? Ir de bicicleta? De táxi? Ficar olhando disfarçado por trás de um muxarabi? Ou dar uma de pulga e ir saltando de 34 em 34 cm? Passando quase despercebida e ao mesmo tempo causando uma coceira danada? Pode ser. Seria uma ideia boa pra muita gente! Também seria bom ter uma estrutura semelhante a das minhocas: cinco pares de corações na parte dianteira do corpo. Daria para distribuir melhor as emoções todas! Não faz mal. Tô me virando com um coraçãozinho só. E rindo dessa nossa cômica sociedade. Você sabe para que serve um deputado estadual? Tiririca também não. Sei que tem estado de espírito que é impossível de definir, caro leitor. É melhor aceitar o mistério. É por isso que quedo admirada diante da definição de Aurélio Buarque de Holanda para Definição. “Uma definição é muitas vezes sorte. É pegar borboleta no ar, é capturar. É ter um lado poético e um lado prosaico, duro. E a satisfação quando se vê aquilo cristalizado”. Então a gente precisa se abrir para as fissuras, leitor. Não é filosofia de boteco, não. O tempo cria tramas onde a gente se enreda e se a gente não cria um fissura no tempo não pode vivenciar os acontecimentos. Isso significa correr o risco de ser encontrado pela memória para ver o que já estava ali e a gente não via. Potencializar a vida, entende? Dar novas cores, construindo e mudando nossa história. Abrindo espaço para o futuro. Mas não pense não que sou doida. É a sociedade pós-moderna que é. Entendendo assim, a gente abre nossa ideia das coisas. Abre o conceito do que é ou não ser doido. E se pergunta se a vida realmente só existe nos pólos...lá onde as coisas são tão engessadinhas que uma martelada pode quebrar. Eu não quero quebrar. Rachar é coisa de parede, que ao sofrer pressões de várias ordens pode trincar. É coisa de jatobá. Quebra e não enverga. Minha estrutura apaixonada me pede recorrentemente para ser bambu. Envergar e ver todas as nuances disso. Viva a instabilidade da mudança de estação. Elocubrações primaveris. Boa semana, leitor. Aproveite a primavera! Carpe Diem!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8867139041449509631?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8867139041449509631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/instabilidade-e-elocubracoes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8867139041449509631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8867139041449509631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/instabilidade-e-elocubracoes.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4895376779672632263</id><published>2010-09-16T18:23:00.000-03:00</published><updated>2010-09-16T18:23:37.282-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #e69138;"&gt;&lt;strong&gt;O AMOR E AS ABELHAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Bom Dia, Joinville. Bom dia, leitor. Tenho que contar um segredo: sou moça escutadeira e certas vezes, quando pareço estar “ausente”, estou mesmo é ligada em coisas que capto por aí e que, confesso, não posso evitar somar com minha imaginação para depois reproduzir a vida que acontece “escondida” nos cantos da vida. Nossa saborosa vida. Vejam essa conversinha e me digam se meu “pecado” procede.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;“As pessoas quando ficam, são ficantes. Quando amam, amantes. Quando namoram, namorados. Quando casados namoram, são namoridos. Os enamorados se enamoram de si e do outro, que é relativo a um estado de enamoramento”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pára de rir, menino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pra quê? Eu gosto de ver você me olhando assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E por isso você ri? Tem graça... Mas eu gosto do seu jeito, sabia? Deixa eu te falar, sabe que eu tenho uma pitangueira em casa? Está comigo há três anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E dá flor? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Flor dá. Não dá é pitanga. Já viu pitangueira que não dá pitanga? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Já vi coisa muito pior. Mas posso passar na sua casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Você quer ver a pitangueira?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- É. Eu vejo ela também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Para de rir, menino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu vou de bicicleta. A gente pode dar uma volta depois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- É. A gente pode, sim. O meio de transporte mais perigoso é a bicicleta, sabia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu moro em apartamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- O meio de transporte mais seguro é o elevador. Relaxa. Nem tudo está perdido. Sua pitangueira é grande?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Quase bate no teto! Deve ter uns três metros... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E dá flor mas não dá pitanga. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Alguém me disse que pincelar as flores faz nascer as frutas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Sério?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Diz que sim. Você tem que passar o pincel nelas quando estiverem abertas. Um pincel bem macio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Um pincel?!? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Isso. Como se fosse pintar uma a uma. Eu posso te ajudar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Você quer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- É exatamente o que quero. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Mesmo? E o que acontece depois?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- A lenda diz que que a abelha, além de picar e fazer mel, ela carrega pólen. Então a gente vai abrir a flor com o pincel, abrir terreno para a abelha, criar o clima, entende?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu acho que é você que tá criando clima falando desse jeito. Falando de abelha, de abrir a flor e de pitanga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Vai dar uma volta comigo de bicicleta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu rodaria o mundo com você. Vai comer geléia de pitanga comigo depois que tudo der certo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Você quer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- O quê? Dar a volta de bicicleta? Que eu rode o mundo com você? Que você coma geléia de pitanga comigo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu quero isso. (dá um beijo nela)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Sabe, o seu beijo tem um gosto bom. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pitanga também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Sério? Você já provou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Adocicado e ácido. Levemente ácido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Dizem que beijos ácidos são os melhores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Dizem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Dizem. Talvez seja o mesmo pessoal do “pincel nas flores” quem diz isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pode ser. Você é engraçada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E você é tão bonito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E a gente vai dar uma volta legal de bicicleta. Várias voltas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- E a gente vai ver a pitanga nascer e depois vai fazer geléia juntos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- É. A gente vai sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pra sempre juntos. (rindo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pra sempre. (rindo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Então tá. Espero você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Você tem pincel lá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Até tem. Mas vou comprar um especialmente para esse fim. Acho que merece, não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Não sei não...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Pincel novo pode causar efeito contrário...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Sério? Então melhor não arriscar. Usamos um dos meus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Fechado. Eu passo lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Eu te espero. Um não sei o quê me diz que vai dar certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Já deu. Tá sentindo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- O que, menino?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- O cheiro da geléia que a gente vai fazer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Tá bom! Tchau, então.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;- Tchau, até lá. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4895376779672632263?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4895376779672632263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/o-amor-e-as-abelhas-bom-dia-joinville.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4895376779672632263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4895376779672632263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/o-amor-e-as-abelhas-bom-dia-joinville.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8582474099555323249</id><published>2010-09-09T18:37:00.002-03:00</published><updated>2010-09-09T19:48:54.542-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #bf9000;"&gt;A CRIANÇA, O ERRO E O POEMA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Bom dia, leitor! Há quem diga que feriados são péssimos para a economia do país. Que as empresas perdem muitos milhões. Pode ser. Eu prefiro achar que um tempo de folga entre um tostão e outro é muito bem recebido. Porque aparece a chance de olhar as coisas de um jeito diferente. E isso é tão bom! Esse último feriado eu tive a chance de ver Gabriela, na gracinha de seus seis anos, declamando o poema “Meus errinhos” de Pedro Bandeira. A platéia era composta de seus pais e os amigos, mais duas crianças. O cenário era uma prainha encravada no mangue, em São Chico. Sem vento. Final de tarde de sol esquentando nossas vidas. E Gabriela, entre pedidos dos pais e de todos, finalmente ergue-se e inicia sua fala silenciando a todos. O que me chamou atenção foi a força que ela imprimiu no declamar. O que ela captou do texto. A intenção. O desejo contido nas palavras do poeta que ela tomou para si, carregando de força genuína cada palavra. Um entendimento muito peculiar, mas não menos real. Eu que amo tanto poesia fiquei muda! Poema para mim era ela ali declamando e sentindo, o dedo em riste algumas vezes, as expressões, o olhar que se modificava a cada entonação de voz. Lindo ver Gabriela, que encontrou maneira de dar voz ao seu desejo. Admitindo em expressões e entonações que erra, sim. (Mas quem não erra?) Construindo uma ideia sobre isso e se colocando diante dela. Numa tarde de sol e sororoca na brasa, que mais poderia arrebatar o coração de alguém que vive da palavra? O erro talvez? Talvez. Mas aproveito a força da menina e digo. De que outro modo poderia ser? É claro que nossa consciência das coisas vai fazendo com que o posicionamento diante delas se modifique. Mas não nos livramos de todo de alguns borrões. Dos castigos e broncas. E dos conselhos, que ao contrário da lenda “se fosse bom era vendido em farmácia”, muitas vezes têm o seu espaço e entram muito bem. Sobre o poema, inclusive, está na beira da vida: presente em cada folha, toco de madeira, olhar de menina que cresce, que aprende, que erra. Também nos nossos erros de gente grande. Na nossa vidinha de adulto. Mas o erro maior, leitor amigo, talvez seja não criar tempo para correr o risco de errar e correndo esse risco, acertar. Veja, o domingo, apesar do sol, tinha um vento danado. A ideia de pegar o barquinho e sair mangue a dentro, para muitos poderia parecer insana. E creiam. Pareceu. Mas a gente que insistiu terminou por achar um oásis com sol e protegido do vento. Assistimos ao preparo inusitado de uma sororoca que nos encheu de prazer e mais tarde, quando o sol começa a esfriar um pouquinho, surge Gabriela e o poema. Surge a possibilidade de se deixar arrebatar por tudo isso. Pelas possibilidades que moram lá na pontinha do que às vezes parece assim-assim, e que de pronto, a gente nem sempre vê. Esse é o erro maior. Pra terminar mando um pedacinho do poema que ela declamou e peço: Poeme-se, leitor. Poeme-se. O poema está ao pé da vida, em cada fração de segundo. É só você se colocar nessa fronteira. Molhar a pontinha do dedo na água que parece fria. O resto acontece. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;... Só o que eu peço é que saibam que eu necessito errar. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Se eu não errar vez por outra, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;como é que eu vou aprender. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Como se faz pra acertar? ...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8582474099555323249?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8582474099555323249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/crianca-o-erro-e-o-poema-bom-dia-leitor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8582474099555323249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8582474099555323249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/crianca-o-erro-e-o-poema-bom-dia-leitor.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1146875447582861250</id><published>2010-09-02T18:18:00.000-03:00</published><updated>2010-09-02T18:18:09.324-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #bf9000; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Inês e a Concha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Inês doura ao sol. Recostada no barco fecha os olhos para ver as coisas de outro jeito. Escuta as vozes que se misturam e procura ler através do som das vozes. Mais ao fundo tem o som do remo cortando a água e que ao fim de cada movimento resvala no barco. Resvala nela. Lembra da concha do mar que ficava sobre a lareira da casa dos pais quando era criança. Do barulho que havia dentro da concha e o pai mostrava para ela. Era mágico escutar o mar tão lá dentro daquela concha. Tão longe e tão lá dentro. Todinho em suas mãos. Com as mãos ela pegava e levava bem pertinho do ouvido. O mar então molhava e salgava Inês deleitada. Reverberava lá dentro da concha e também dentro dela. Agora, assim recostada ela lembra disso. Lembra do som que escutava na concha (onde estará?) e que agora reverbera nela. Inês é concha e sente o mundo ecoar dentro dela. O dia quente de sol, os sons das vozes que escuta, o roçar do remo no barco. Tudo roça nela. Roça e reverbera. Ela própria a estrutura da concha. Interior semelhante a um labirinto em espiral que concentra e amplifica os sons, produzindo um efeito parecido com o barulho do mar. Inês é caixa de ressonância. É o próprio mar e a soma do que reverbera. É a soma de ecos e ecos produzidos dentro da concha. Dentro dela. Que vêm de fora e penetram nela. Como a concha, Inês capta tudo que é residual no ambiente, até os sons que se propagam em todas as direções e, se é possível dizer isso, passam direto pelo ouvido. Ela é concha e capta. E dentro dela as ondas repercutem, refletem-se nas paredes. Concha. Caverna. Voz e o som da voz. Remo e o som do remo. Reverberam em Inês e Inês reverbera. Talvez. Talvez se a voz que escuta não falasse ela reverberaria? Não sabe. E se na verdade não é possível se ouvir o som do mar na concha? Se é uma associação humana com o barulho do vento transitando pela parte interna e que então vira marulho ecoando na parede da concha? Talvez seja tudo uma grande bobagem e Inês escutasse o mesmo mar encostando uma xícara no ouvido. Apenas uma xícara. Nem quer saber. Sabe que o som que vem de fora (uns mais que outros), entra na concha e se envolve naquele espaço, naquela espiral e nas paredes . E reverbera. Como criança, sabe ler as coisas assim e quer escutar as coisas reverberarem nela. O som das vozes. O som do remo que resvala e todo tipo de contato. Como criança, num instante vai descobrindo o momento certo de dobrar o corpo para aumentar a amplitude do que deseja dentro dela. Dentro dela. Sabe que se balançar na freqüência certa, na freqüência do que lhe parece tão natural, logo vai chegar à ressonância e obter grande amplitude de oscilação. É física e Inês nada entende disso. Intuitivamente sabe. Talvez, como se seu corpo fosse um instrumento musical. Um violão? E as vibrações do dedilhar as cordas entrando em ressonância dentro da caixa de madeira que ela é. Do instrumento que ela é. Amplificando o som e dando o timbre. Percebendo as diferentes freqüências. Girando e girando o dial para sintonizar o que escapa. Para sintonizar o que quer dentro. Variando as correntes elétricas (se existem) e captando aquela energia. Talvez por isso Inês prefira o estômago vazio. Nada que possa alterar a frequência natural de seus órgãos internos e quebrar a ressonância. Inês é mulher que quer as coisas por inteiro. Por inteiro. Até mesmo se o dedilhar durar meio segundo. Respira e reverbera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1146875447582861250?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1146875447582861250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/ines-e-concha-ines-doura-ao-sol.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1146875447582861250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1146875447582861250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/09/ines-e-concha-ines-doura-ao-sol.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6536802182238521916</id><published>2010-08-26T09:10:00.000-03:00</published><updated>2010-08-26T09:10:11.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;CARTA DE ISABEL PARA ARIOSTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;A saudade é um sentimento engraçado. Uma palavra engraçada. Eu não conhecia o significado dela. Quando deixei a carta sobre a mesa sequer imaginava. Achei que me despediria de você como quem larga um tomate na geladeira antes de fechar a porta. Bem, é certo que deixei você exatamente assim. Como um tomate. Uma berinjela. Um pedaço de pão sobre a toalha. Migalhas sobre a toalha. Aliás, migalhas do quê, não é? Como se algum dia você tivesse de fato me dado alguma coisa. Nada. Você não me deu. E eu tenho que me haver com isso, não é, Ariosto? Você não me quis. E eu fico aqui perdendo meu tempo com um homem que não me quis. Isso é até nome de livro, sabia? Eu é que não sabia. Vou atrás, pode deixar. Talvez seja a minha história escrita lá. Captada e escrita. A vida é engraçada. Você não me quis e eu virei tema de livro. Caí nas estatísticas. Lembro a última vez que te vi. Despediu de mim como quem diz tchau para uma laranja. Como quem nem liga pra laranja. Mas eu sei o porquê. Você gosta mesmo é de maçã. Provavelmente daquele tipo que desmancha na boca parecendo farofa. Tá. Pode me chamar de despeitada. Cada um sabe o que come. Eu ainda vou passar um tempo me impressionando com a sua frieza e seu gosto por maçãs. Mas passa. Repito Quintana: “Eles passarão. Eu passarinho!”. Passarinho que ainda vai cantar um pouco a saudade. Chorar a saudade do que nunca tive. Eu acho que saudade deve ser coisa de menina que escreve com caneta cor-de-rosa no diário: ah! que saudade dele! Acho que sou menina ainda. Sinto essa saudade escrita em rosa e ainda não sei o que fazer com ela. Nem com aquelas paredes da minha casa. Paredes cor-de-rosa. Por isso fui até a loja de tintas. Fiquei lá olhando o catálogo de cores e pensando. O que se opõe ao rosa? Foi o vendedor quem me disse que era o verde. Aí eu não tive dúvida. Procurei entre os verdes o que mais me agradava e mandei colocar no carro. Junto levei baldes, rolos e pincéis. Levei sem pestanejar. A primeira modificação foi no meu quarto. Pintei todas as paredes de verde. Até o teto. No banheiro, como as paredes tinham azulejos, coloquei o verde só no teto. A sala, toda de verde. Confesso que comecei a me cansar. Na cozinha, lugar de alquimias tantas, ainda o rosa. Por toda a cozinha ainda havia o rosa. Não sei se foi minha precisão milimétrica ou uma espécie de surto. Sabe lá. Sei que peguei o rolo, meti no verde e fui tecendo a parede de listas. Listas verdes. Por fim peguei a banqueta. Coloquei num ponto bom para visualizar o efeito. Sentei e olhei. Não tem jeito, Ariosto. Ali estava tudo estampado. O que é e seu oposto. O verde. O rosa. Verde-Rosa é mangueira, não é? Não adianta nada. Meu coração é verde-rosa. E eu sou a mistura de mim com a saudade que tenho de você. Não passa não, Ariosto. Sobre a mesa uma travessa cheia de laranjas madurinhas. Mas você gosta de maçãs, eu sei. Está tudo certo. Acho que não ia, de fato, fazer bem ao seu estômago sensível. São por demais cítricas as laranjas. Uma forma de corroer por dentro. Você faz bem em preferir maçãs. Eu fico com a saudade e com elas. As laranjas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6536802182238521916?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6536802182238521916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/carta-de-isabel-para-ariosto-saudade-e.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6536802182238521916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6536802182238521916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/carta-de-isabel-para-ariosto-saudade-e.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3425612213411344526</id><published>2010-08-19T22:56:00.002-03:00</published><updated>2010-08-19T22:56:26.662-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;FEROMÔNIOS?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Ela caminha pela calçada. Olha. Acelera o passo. Desacelera. Sente o sol e sorve cada verde que chama sua atenção. Ora se deixa levar por impulsos, ora pisa com cuidado e vai sentindo o caminho. Os vieses do caminho. Pressente sustos. Quase corre. Por vezes parece que esquece. Sabe lá o quê. Espreguiça e outra vez recebe o sol. O quente do sol. Vai respirando de novo os verdes. O tipo deles. E também as flores. O aroma delas. Deve enxergar por dentro do que chega até as pequenas narinas. Até o DNA. Cumprimenta amigas na passada. Também seus desafetos. Dá atenção. Desdá. Perde-se outra vez. Vai, volta, para e vai de novo. A mesma determinação para um lado e seu contrário. Saberá aonde vai? Importa isso? Importa é que vai. É então que vê o amor. Se ajeita, se apruma no passo. Olha o amor estampado nos olhos. No porte. Na imagem do “pirata”. Na brisa que traz o cheiro dele pra ela. Ela respira o cheiro. Desapruma. Parece toda na fresta. É tudo isso ou sei lá o quê que a faz atravessar a rua e ir até ele. Ele que só olha. Estacado olha. Olha e espera. Parece sentir amor igual ao dela. Do mesmo tamanho. E como parece grande o amor que estampam nos olhos. No brilho deles. Quando ela chega, ele colore. É pavão multicor que desalinha em danças. Faz de um tudo para chamar sua atenção. Cairia nos seus braços se pudesse. De súbito chega bem perto. De susto ela recua. Volta. Vira. Quiçá ele a pegasse de súbito. Se querem e se assustam um com o outro. É controverso o amor. Agora é ela quem se aproxima. Ele apruma. Prepara o desejo desarrumado. Avança sôfrego e de novo para. Ela estaca. Ele esbarra no alambrado que impede. Quase uiva. Ela quase uiva. Quase chora. Olha pra mim. Raspa e raspa a grama sob seus pés. E de novo. Lascas de grama espirram no branco do outro pêlo. Agora é ele quem raspa. Raspa e raspa a grama sob seus pés. Os dois pisam na mesma grama separados pelo alambrado. Tentam fazer que espirre o cheiro de um no outro, que cole, agregue. Que desconstrua o que impede. Que possa amalgamar. Eu olho os olhos dos dois. Enterneço. Até em mim a grama espirra e me coloca no confuso do estado. Bem no meio desse amor. Nem sei se é por mim ou por ela ou por ele que eu puxo a cordinha da coleira. Vou puxando e vamos saindo da grama e alcançando o duro do asfalto. O caminho sem tropeços e onde a gente pode correr. E a gente corre para fazer a travessia e alcançar a outra calçada. Ela me puxa ou eu a ela. Sabe lá. Sei que lá do outro lado as duas tornam o olhar para ele. Grande, branco, uma mancha marrom que envolve todo o olho esquerdo. Garboso sobre as patas e o desespero. Sob o olho que ainda olha. Ela de novo me olha. Eu olho mais uma vez a cena e puxo de novo a cordinha. Ela abana o rabinho. Desentende. Entende e me segue. Eu sigo a ela e a esse adeus. Desentendo e aceito. Entendo e sigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3425612213411344526?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3425612213411344526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/feromonios-ela-caminha-pela-calcada.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3425612213411344526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3425612213411344526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/feromonios-ela-caminha-pela-calcada.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8591628164078020468</id><published>2010-08-15T15:24:00.000-03:00</published><updated>2010-08-15T15:24:27.770-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;Leiam PERFUME. Um conto feito na Oficina do SESC Santa Catarina em 2009. Disponível em: http://poemasclotildezingali.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8591628164078020468?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8591628164078020468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/leiam-perfume.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8591628164078020468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8591628164078020468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/leiam-perfume.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4616852519336647868</id><published>2010-08-13T14:57:00.002-03:00</published><updated>2010-08-13T14:57:38.978-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #e69138;"&gt;ABSORTO EM ABSURDOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Dia desses acordei por volta de 5 da manhã. Como estava num hotel e a televisão bem na minha frente, liguei. Estava passando uma daquelas aulas do Telecurso 2° grau. Aula de desenho técnico em mecânica. Projeção Ortogonal e rotação. Comecei a olhar aquilo. O pensamento cheio de nós. Rodando perdido numa imagem insistente. Eu estava tão absorta. Acho que nada ali fazia sentido, mas por estar tão absorta, deixei meu olhar ali. Lembrei de algumas aulas do curso de Arquitetura. Desenho Industrial. Comecei a enxergar alguns cortes possíveis e consequentemente, a visão da peça por aqueles pontos de vista. Olhando assim um detalhe parece estar distorcido. Você então deve fazer a rotação desse trecho para visualizá-lo melhor. Sinapses ocorrem e começo a transferir essas informações para a vida. Para as coisas da vida. Pois não é verdade que certas vezes as coisas da nossa vida ficam com, digamos, uma alteração na sua imagem? É verdade. Dependendo dos óculos com que vemos certas coisas, descontadas as patologias e alterações do pensamento, do juízo e do diabo a quatro, certas vezes o que vemos é pura distorção. Aproveitando a técnica busquei a imagem insistente. Olhei-a bem de frente. Observei o que, esteticamente, me pareceu em desalinho. Acho até que meu inconsciente quis me impedir esse olhar. Parecia tudo tão perfeito. Tão convergente. Quase me absorvendo. Chacoalhei a cabeça, os neurônios e fixei o olhar. Depois distanciei para ajeitar o foco. Foi então que eu vi. Ali. Quase escondida embaixo da ilusão de ótica estava enunciada a distorção. Aí parti para a aplicação da técnica. Rotacionei aquele trecho em relação ao eixo para enxergá-lo melhor. Ajeitei o ângulo para melhor visualização. Fiz elevações frontais, laterais. Explodi o detalhe. E então fiz o corte. Agora eu podia olhar aquele trecho por dentro. Examinar suas partes. Entender a “peça” em perspectiva, suas diferentes visões e os possíveis cortes. Um show de pontos de vista complementares. Aí percebi as maravilhas da ciência. Com técnica ela faz a gente ver poesia onde há apenas uma peça. Descolada da sua realidade. Poderia ser desentendida inclusive por isso. Por despertencer. Mas dependendo dos olhos que você põe sobre ela, você a localiza no tempo e no espaço, enxerga seu movimento e ela vai deixando de ser peça para ser componente de algo. De algo que tem uma função. Entender a peça no seu contexto é amá-la e amar uma coisa é perceber isso. Perceber que sem o contexto, a coisa é simplesmente acúmulo de átomos. Contextualizada ela passa a ser um acúmulo organizado. Tem função. Tem razão de ser. Eu idem. De certos pontos de vista sou somente acúmulo de átomos. Mas olhando a coisa desse jeito eu ganhei contexto. Virei pessoa que manipula a peça e enxerga seu bonito. Tudo isso porque eu estava tão absorta. No mais, continuo por aí. Como se eu pudesse tocar alguém com a palma da minha mão, com a superfície dela e a alma, e ampará-la caso caísse. Mas certas vezes nada pode ser feito. Há um silêncio por demais grande e desmedido. Há planetas e peças e pessoas e coisas que orbitam em diferentes eixos e jamais se comunicarão. Cada um absorto no seu absurdo. E então a gente canta. É como diz aquela música: “pois cada um é cada um, no desejo e no sonhar”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4616852519336647868?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4616852519336647868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/absorto-em-absurdos-dia-desses-acordei.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4616852519336647868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4616852519336647868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/absorto-em-absurdos-dia-desses-acordei.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6390574639941026979</id><published>2010-08-05T17:54:00.000-03:00</published><updated>2010-08-05T17:54:26.472-03:00</updated><title type='text'>Aos amigos que sempre passeiam por aqui e deixam seus comentários, eu agradeço de coração.</title><content type='html'>&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;&lt;strong&gt;REMINISCÊNCIAS DE UMA PELADA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Oi Luís. Ontem falaram de você lá no boliche. Foi uma conversa de que não participei. Falo isso porque quero dizer que apenas escutei um rabinho da conversa. Quando escutei seu nome senti saudade, sabia? Tanta, que acho que esse tempo todo estive disfarçando. Não que eu goste, mas é o que se pode fazer. A verdade é que tenho saudade de você e ponto. Ponto. Ponto para eu abrir um novo parágrafo ou simplesmente continuar exatamente de onde parei. Sabe onde parei? Nunca, um dia sequer, eu não senti saudade. Ficou um vazio enorme e eu coloquei uma porção de coisa no lugar. Tanta coisa. Fiz até um doutorado. Muitos sonhos acalentados. Distrações várias. Muita distração para tirar o foco de luz da saudade. Eu precisava “jogar” você pra escanteio. Recomeçar o jogo depois da bola ter violado a linha. Mesmo pelo ar. Isso é escanteio, certo? Escanteio é de onde surge a possibilidade de alguém fazer gol, não é? Pois então. Passei essa bola para alguém bater e saí da frente da televisão. Nem vi se foi certeira pro gol. Foi? Sei lá. Nem me conte. Eu é que fui pra escanteio e acho que estou lá até agora. O escanteio virou limbo. Limbo, que é o lugar onde a gente fica em estado de “pause”. Só os ponteiros no relógio andam e a cena fica lá. Paradinha. Agora, sei lá quem foi que desapertou o botão. Eu nem percebi como. Quando vi estava no canto do campo, a bola ali pedindo pra ser chutada e o maldito “pause” dentro de mim. Dentro de mim. E de novo tenho opções em demasia só para piorar o confuso do meu estado. Acho que não te coloquei pra escanteio. Eu fui pra lá. Pra esse canto do campo onde botam fé na gente, esperam um chute certeiro. E que alguém pegue de rabeira e faça o gol. Eu não chutei com garra e fé. Sequer fechei os olhos e chutei. Não aleguei contusão. Não veio maca. Eu simplesmente deixei a bola pra outro. Desisti. Desistir é verbo de ação. Ação de quem não age. De quem prefere fugir. Eu quase vi seu rosto naquele momento. Um certo alívio misturado a uma certa perda. Será? Confesso que senti um enorme alívio. Pensei ter adentrado o paraíso – espaço qualquer sem rastro nenhum da sua ausência. Sem a presença da ausência. Dias bons aqueles da sua ausência. E agora? De onde vem essa lembrança do som da sua voz? De onde vem para me invadir assim? Me fazer descobrir que ainda estou sob o aperto do botão. No jugo. No canto. De novo com a bola no pé. Você ali no meio. Quer que eu chute pra você meter o pé e fazer o gol. É você quem quer fazer o gol. Eu quero chutar pra você. Quero? Quer saber, Luis? Tô tirando meu time de campo. Fica você com o uivo da galera. Com o êxtase do momento. Chama o juiz. Pede cartão vermelho. Surta de verdeamarelo dentro do campo e me esquece. Vê se me esquece. É só um jogo. Só uma bola rolando. Tinha graça eu adorar o som da sua voz, o seu sorriso, o seu beijo molhado e deixar a bola metida dentro da rede? Eu preciso mesmo de um bom tiro de meta. Reiniciar essa partida do zero. Afinal, a bola saiu completamente do campo pela linha de fundo. Sem gol marcado. E o último toque você sabe de quem foi. Isso não se pode negar. Então tá falado. Eu fui. Se não tiver bom pra você, reclama lá com o cara de preto. Na dúvida, ele apita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6390574639941026979?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6390574639941026979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/aos-amigos-que-sempre-passeiam-por-aqui.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6390574639941026979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6390574639941026979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/08/aos-amigos-que-sempre-passeiam-por-aqui.html' title='Aos amigos que sempre passeiam por aqui e deixam seus comentários, eu agradeço de coração.'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7377136259042936442</id><published>2010-07-30T09:25:00.002-03:00</published><updated>2010-07-30T09:25:36.777-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #783f04;"&gt;&lt;strong&gt;CARTA PARA OSWALDO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Oi Oswaldo. Fui embora, amor. Não dava mais, não. Enquanto eu não sabia, a coisa andava. Cheia de furos, a gente sabe. Mas a gente desconhecia os furos. Eu desconhecia, não é, Oswaldo? Esse bendito curso de verão que estou fazendo está me mostrando isso. Quando é pra falar de si próprio tem que dizer EU. Porque senão fica esse negócio enrolado: a gente isso, a gente aquilo... que é isso, né Oswaldo? Acaso tem um batalhão atrás de cada um? Uma espécie de turma que “acompanha” e compartilha nossos pensamentos? Dá a força que se fosse só da gente não teria? Aí, ó. De novo. Aí vira essa “entidade” endossando a opinião que pode ser só de um. Seja como for, eu fui embora. Eu passei por tanta coisa, Oswaldo. Tanta coisa. Quantas vezes eu pensei e repensei as coisas que aconteciam e sempre achava as falhas em mim mesma. Eu que nunca conseguia ser amorosa como você. Nunca tão generosa, tão despida de vontades próprias. Fui colecionando culpas e me deixando ficar. Fiquei muito tempo. É quase incompreensível. Mas eu compreendo. Acho. Esse curso de verão faz isso de bom: me ajuda a compreender que só eu sei o que realmente acontece com relação a algumas coisas. Não tem mistério. Não tem explicação “biopsicosocial-espiritual” além da compreensão possível que a gente possa ter. Ó! De novo. Que eu possa ter. Mas eu entendi, viu? Nem que amanhã eu tenha que desentender tudo. Não adianta tampar o sol com a peneira. Os raios estão por toda parte. Vê Oswaldo? Sei lá. Eu acho que não. Você tem me espantado com seus silêncios. Anda cheio de silêncios e estranhezas. Eu? Eu quero ser feliz, não é Oswaldo? É você que é todo organizado, compenetrado. Cheio de um rigor científico que eu fico até sem saber como entrar. Falar “Oi. Estou aqui”. A gente – desculpa - eu faço tudo que posso para dar vida às coisas... até usar sabonete íntimo afrodisíaco eu uso, Oswaldo. Mas você... Pegada, Oswaldo. Te falta pegada para chegar junto e me juntar num canto. Sabe lá, né? Vai ver anda se enchendo de sonhos românticos. Românticos e cheios de rigor. Eu quero é vigor, Oswaldo. E eu nem sei como te falar tanta coisa... Por isso mandei essa carta pro jornal. Quem sabe você lê e vem falar comigo. O que não dá é para desistir. Ficar aí ensimesmado. Cheio de silêncios e pontas. Silêncios e obtuosidades tontas. Eu, hein! Como disse o mocinho no final: O que fica é a certeza do convite. De querer ser feliz. Você quer? Quer pensar naquilo que nos move? Os músculos? O cérebro que comanda os músculos? Ou o coração que nada sente, mas que se parar, a gente morre? Sabe lá. É como me disse um amigo esse final de semana: “Dá um vesgo na gente”. E eu achei tão poético. “O amor é filme”, Oswaldo. É filme. É novela. “eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que faz quando a gente ama”. Mas você não quer saber de atuar, né? Insiste em não comungar da ideia de que a vida é uma grande aventura. É aventura sem tamanho estar vivo e aqui. Agora... as letrinhas “the end” que aparecem no final é outra coisa. E quando é que termina? Quando é que “dá certo?” Uns dizem que no final tudo dá certo. Senão não é o final. Eu fico com o sinal de “dois pontos” que Clarice Lispector deu para uma de suas histórias de amor.... Fico com a surpresa a cada respiro ou suspiro. Deixo você com seu castelo de minúcias. Torcendo para que um insondável efeito dominó a tudo devaste sem piedade. Que reste só você e o recomeço. Você e as possibilidades que deixou passar. Que dessa vez você as veja. Eu, Amélia fui. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7377136259042936442?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7377136259042936442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/carta-para-oswaldo-oi-oswaldo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7377136259042936442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7377136259042936442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/carta-para-oswaldo-oi-oswaldo.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4544694817166068587</id><published>2010-07-22T22:50:00.000-03:00</published><updated>2010-07-22T22:50:46.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;PASSEIO NA CHUVA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Dia desses resolvi dar uma passeada na chuva. Tudo - friozinho, chuva fina e constante, soninho de depois do almoço, uma pilha de coisas para ler, trabalhos para a faculdade, a crônica da semana – me pedia para ficar mesmo em casa. Apontava essa direção. Acontece, porém, que gosto muito de caminhar (e os últimos dias não tinham permitido isso), de modo que, qualquer coisa entre criar coragem e já estar um pouco predisposta, enfiei o pé no tênis (invenção danada de boa pra caminhar), passei a mão no meu guarda-chuva e tranquei a porta atrás de mim. Todas as obrigações ficaram e eu fui. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Comecei a caminhada escolhendo ir de escada. Desci lá os exatos 70 degraus. E saí na chuvinha. Já na rua comecei a pensar nas peculiaridades desse objeto: o guarda-chuva. O meu é fantástico porque é transparente. Eu que sou uma moça olhadeira preferi esse na hora da compra porque poderia olhar pro céu de quando em quando, ver nuvens, relâmpagos, raios. A própria chuva que pinga forte ou devagar, grossa ou fina sobre ele e você vê isso e vê também a água escorrer pelas bordas. Mas eu nem precisava de guarda-chuva transparente para ver outras coisas que vi pelo caminho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O bacana de fazer coisas diferentes é que tem todo um olhar novo que você coloca sobre as coisas que normalmente vê. São outros pontos de vista em você mesmo. Porque nem sempre as coisas mudam, é você que pode mudá-las (ou não) colocando um olhar diferente naquela mesma direção. Os calçamentos quebrados da Blumenau e da Dr. João Colin, por exemplo, como sou moça andadeira, bem sei que estão lá há bastante tempo. Com a tal chuvinha, imagine... poças e poças pra gente desviar. Ou meter o pé de forma distraída e molhar o sapatinho. Ou torcer o pé! O cruzamento da Benjamin Constant com a Visconde de Mauá já é um desassossego em dias de sol e noites de lua, pense com chuva! É preciso um semáforo urgente – já perdi a conta de quantas vezes corri para a sacada ver mais um acidente. Foram muitos motoqueiros no chão. Gente correndo, triângulos no meio da via, socorro, guincho... Se não for instalado um semáforo ou ao menos um redutor de velocidade, talvez se possa pensar num ponto fixo para um carro do SAMU. Mas enfim, também tem coisa boa. No caminho fui me encantando com meus companheiros de passeio. O alinhado homem com terno e guarda-chuva pretos. A linda senhorinha com sombrinha marrom cheia de minúsculas flores em rosa e verde. O acessório combinava com a calça marrom e o casaquinho bege. Uma graça a senhorinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Já lá no centro, a confusão de transeuntes com seus acessórios. Há que ter certo cuidado para desviar o objeto do rosto das pessoas que passam apressadas. Eu por vezes levantava o meu e deixava aqueles que vinham irredutíveis passarem ao largo (alguém tem que ceder, não é?). Mais lá na frente, quando a chuva deu um sossego, uma mulher com sobretudo 7/8, sapato bom de andar tipo aqueles “calçados Vulcabrás” que eu via em propagandas quando era criança, uma bolsa toda cheia de compartimentos, com presilha para guarda-chuvas e o guarda-chuva preso lá. Um charme de mulher “efetiva”, pronta para sol e chuva e para andar! Já na volta uma moça chama minha atenção com seu acessório: Um guarda-chuva branco com algumas pintas pretas e, pense leitor: duas orelhas! E divertida cruzou a via na faixa. Uma graça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Já na rua de casa peguei a chuva de frente. Inclinei meu objeto transparente e vi aquilo chover em mim sem me molhar. Vi os carros quando mudei de calçada e as pessoas que passaram por mim. Vi até o portão de casa por onde eu ia passar e logo logo tomar um cafezinho quente e degustar a aventura do passeio. “Certos dias, de chuva, nem é bom sair de casa e agitar. É melhor dormir”. Ah. Guilherme, hoje eu tive que cantar sua música sem o NÃO e também tirei a parte do “dormir”. Eu tentei e aconteceu. Valeu!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4544694817166068587?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4544694817166068587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/passeio-na-chuva-dia-desses-resolvi-dar.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4544694817166068587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4544694817166068587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/passeio-na-chuva-dia-desses-resolvi-dar.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8902529458813468281</id><published>2010-07-18T15:53:00.000-03:00</published><updated>2010-07-18T15:53:09.418-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;&lt;strong&gt;INTERAÇÕES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Agora que o encaracolado do cabelo começa a tomar forma, que os cachos passeiam sobre minha pele e as roupas sobre meu corpo têm a graça de uma criança arrumada pela mãe (exceto pelos lacinhos e tiarinhas); me encontro como aquela amiga; também pensando seriamente em tomar suco de formol com aloe vera. Preciso de flexibilidade, amiga! Há algum jeito de se conseguir isso sem essa garrafada? E minha pele? Está gritando por um tratamento de choque! Eu penso em tudo que Tiago não faz, não diz, não sente. Ele é não. Não, não... Ele não é. E eu fico sempre boiando nesse assombramento. Ele entra, sai, vai embora, desaparece por quatro meses e sempre reclama do cachorro quando volta. Reclama do cachorro, mas é ele que não sai do banheiro sem deixar no chão resquícios de si. Será tão difícil assim mirar o vaso sanitário? Digo, acertar a mira? Por isso e por tudo que não falo eu pedi para ele ir embora de uma vez. Assim simples mesmo. Como quem pede uma pizza. E disse pra ele: Minha casa é casa que tem cachorro, sem dúvida. Mas não tem porco. Agora não tem mais. Minha amiga diz que tenho um “corpo-aquário de vidro”. Acho tão bonito. Diz que sou um oceano de informação-tensão-desejo, mas que no cotidiano só se deixa ver peixinho de aquário. Diz que sou como um livro com absurda quantidade de feromônio inundando cada página. Será? De qualquer modo mandei Tiago embora. Mas minha casa ainda tem cheiro. E cheira sexo. “Não é nada palpável”, minha amiga diz: “Nada que se aponte. Talvez mais para a ideia de um quarto de motel, fartamente usado, lençóis impregnados, toalhas úmidas, resquícios de toda volúpia que houve ali e que se mantém. Mas o que resta é cheiro.... Essa coisa que é senão gatilho para a memória. Me lembro de desejos equivalentes que tive e retive. Dos olhares que também fingi não dar e daqueles lancinantes capazes de desvirtuá-lo. Me lembro de sons de lençóis sob corpos agitados, de respiração arfante, sons de sussurros”. Ah...minha amiga, isso é conversa de “closet”. Conversa com sensação de calor, profundidade, amorfa. Conversa que vai esvaindo, escorrendo.... Conversa “magma” - lava, vulcão, jato, uma coisa forte, quente, perigosa, vermelha, amarela, laranja, atraente, brilhante, letal, destruidora, formadora, imponente, respeitosa, temerosa, dolorida. Ah! De novo, seja como for, ela lembra daquela pizza que comemos, onde estava tudo tão escuro mas a bicicleta era amarela! “Eu, por mim vou até o cabeleireiro esse final de semana: fazer uma francesinha branca sobre o azul nas mãos, quase não vai chamar atenção”. E aí me conta que o escritório para quem ela presta serviço pediu um orçamento de projeto. Diz que a coisa é mega. Um canteiro para 200 homens no caminho para um lugar chamado Rurópolis. No meio do absoluto nada. Fala sobre as implicações logísticas e que ela deu o preço, mas tem certeza que eles arranjarão quem faça por 1/4 do valor. E conta também que a hidrelétrica fez contato com ela. Diz que se ofereceu e que eles não aceitaram sob a alegação de que é qualificada demais para o serviço... Eu digo para ela que eu preciso mesmo arranjar um namorado! Que estou quase latindo de tanto conviver só com meu cachorro. E então a gente ri fartamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8902529458813468281?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8902529458813468281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/interacoes-agora-que-o-encaracolado-do.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8902529458813468281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8902529458813468281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/interacoes-agora-que-o-encaracolado-do.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9075436673937557488</id><published>2010-07-08T23:30:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:37:26.491-03:00</updated><title type='text'>POEMA NA CIDADE</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #bf9000;"&gt;&lt;strong&gt;POEMA NA CIDADE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Caminho pela cidade. Entre o monóxido de carbono e as jardineiras espalhadas estou eu e todas as pessoas que caminham. Ora apresso o passo e ora me perco. Olho a bolsa na vitrine. O cachorro que cheira cada milímetro da calçada. Eu caminho entre a multidão. Parte que vai. Parte que vem. Sou figura e sou fundo. Consciente e inconsciente. Destaco-me da multidão ou misturo-me a ela. Anônima. Entre o lixo e o luxo. O cheiro de urina pelas ruas e mamões, bananas, laranjas e feirantes que gritam. Apelam-me ou ignoram-me. Coleciono pedaços de papel até a próxima lixeira: cartomantes, dinheiro vivo, promoção de produtos para limpeza, como tornar meus dentes mais brancos em 5 dias e cursos que podem salvar minha vida e me dar um lugar no mundo. A mim que, ora leitosa e fluida e ora revestida de couraças, sigo pelas ruas. Se me destaco, sou figura; se me diluo, sou fundo. Para quem? Quem sou eu na rua em que passo, atravesso, detenho-me e suspendo ante o passante e o cachorro? A senhora de bengala ou o carro que atravessa em alta velocidade? Meu perfume fica para alguém? Outros perfumes ficam em mim. Do homem que passa com o cigarro. Do mendigo que carrega sua trouxa-casa. Da moça que passa mordendo uma coxinha. Do frango da coxinha misturado ao perfume dela. Eu vou. Eles vão. Cada um segue seu caminho. Acomoda seu passo ao da multidão apressada e em alguns momentos, altera o fluxo dessa mesma multidão. Alguém com bengala e certa dificuldade de passar por obstáculos tantos muda o ritmo do passo e o fluxo do pensar. E eu vou sendo em cada coisa que me detenho e que detém a mim. Cada poça. As folhas sobre o desenho do piso. As ondas lá do mar que estão sob meus pés. A cor dos carros que passam em alta velocidade. Nasci aqui. Eu faço parte daqui. De tudo que me cruza e arrebata. De tudo que não me nota e me permite ser ninguém. Não há nome nem sobrenome. Há apenas a sobrevivência. O conseguir, entre o ir e o vir, voltar para a casca que nos define e separa. Nos faz alguém? E ainda assim tem sempre o fundo que varia e faz emergir a figura de outro jeito. Nomeia o alguém. Ou a coisa. Todas as coisas. O moço de chapéu tomando um café. As senhoras esperando a sessão de cinema. A maquiagem. A livraria repleta de desejos estampados em páginas para alguém folhear. O caixa onde se paga por esse desejo e depois esquecer isso nas letras que formam palavras. Formam ideias das coisas. A ideia das coisas é o que destaca quem se esbarra ou não. Até aqueles que se vestem iguais. Cada um é único debaixo das cascas. É figura que se vê ou não. É fundo que se vê ou não. Eu? Nem sei o que mais desejo senão me reconhecer assim. Nua e coberta de cascas. Todos os poros recobertos da fuligem, da brisa ou da falta dela, dos papéis que me estendem e eu pego. Cada um quer um lugar. Ocupa um lugar que depende da força que se imprime nesse querer e do espaço que os outros cedem. E assim alternam-se os espaços do que é fundo. Do que é figura. Do que é estar vivo ou morto. Do que é estar aqui. Consciente ou não. No visgo do olho, no respirar os momentos ou morder a fruta exposta num tabuleiro em meio à calçada. Indo ou vindo. Vivendo e latejando. Como diz o poeta Caio Meira, “O poema está à vista. Ao alcance da mão. Transbordando no bueiro”.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9075436673937557488?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9075436673937557488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/cronica-8-de-julho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9075436673937557488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9075436673937557488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/cronica-8-de-julho.html' title='POEMA NA CIDADE'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4974214606701469903</id><published>2010-07-01T23:17:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:38:40.356-03:00</updated><title type='text'>ZEITGEBERS OU fatores de arrasto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #bf9000;"&gt;ZEITGEBERS OU fatores de arrasto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O livro “Você Quer o Que Deseja?” de Jorge Forbes, questiona se queremos mesmo aquilo que desejamos. Faz atentar para o desejo de nos sustentar no enorme vazio que o mundo globalizado abre em nós e como podemos entender e enfrentar problemas como violência, uso indiscriminado de drogas, depressão, e tanta coisa a que estamos submetidos e que nos arrasta. Ao repetir e escutar a pergunta que ele faz me vi pensando sobre a profundidade dela. Passei a pensar mais propriamente se eu queria “de fato”, coisas que eu dizia desejar. Deparei com coisas inerentes às perguntas que eu me fazia: dúvidas, tomada de decião e escolhas. O significado das escolhas e a relação mais imediata: Renúncias! Sim, porque é como falou um alagoano a quem perguntamos sobre o caminho para determinado lugar: “Vocês seguem reto até encontrarem uma bifurcação. Quando lá chegarem, deixem a direita e peguem a esquerda”. Seguimos rindo da expressão “deixar a direita”, mas o fato é que nunca esquecemos a profundidade escondida na frase. Para pegar um caminho, leitor, é preciso “deixar” outro. E isso é que nem rapadura: É doce, mas não é mole não! Gera um estresse danado a visão da “perda de algo”. De algo que muitas vezes, não se tem. E tanta coisa pode ocorrer! Inclusive lutar para perseguir o desejo e logo após obtê-lo, desinteressar-se dele. O que aponta para a árdua visão de que nada possa ser suficiente na satisfação dos desejos. Porque seremos eternamente seres desejantes, sempre à procura do que é naquilo ou naquele que não é. Um eterno “furo” que nos configura e mantém. A expectativa de realização do desejo e não sua satisfação. Talvez daí venha a beleza da poesia. Reconhecemos o furo na imagem poética, na invenção do alheia que aponta para outro desejo: de inventar. De inventar-se. Re-inventar-se. Jorge Forbes toca nisso em seu livro: nessa possível “não-evitação de contato” do artista com a decisão. O artista talvez não a evite. Ao contrário: busca atravessar a fronteira, busca estar ali, bem no meio da bifurcação. Não evita a decisão ou a dor que decorre dela, mas instala-se lá. Na nevralgia. Lá onde os músculos se estendem e ultrapassam seu potencial de estiramento. No vivenciar o “arrebentar-se” inventa novas tensões. Altera a física, a química e a mecânica. Altera as possibilidades. É aí que pensei e fiz uma analogia com uma coisa que achei danada de bonita: zeitgebers sociais. Zeitgebers são fatores externos ao relógio de natureza rítmica que arrastam ritmos biológicos. Vem do alemão, Zeit=tempo; geber=dar. O ciclo claro-escuro é um exemplo. Zeitgeber social refere-se, então, a um conceito de ritmo social, aquele que é determinado pelas interações sociais de uma pessoa ou imposto por convenções sociais: “Vá para lá. Você deve fazer isso. Seguir por aqui. Ir por ali. Fazer desse jeito.” E o mais legal: zeitgebers sociais alteram zeitgebers biológicos e finalmente, alteram nosso comportamento. Por isso também se nomeiam “fatores de arrasto”. Algo que vem e detona uma mudança. E onde isso ocorre com mais freqüência? Ali, bem na bifurcação, é um exemplo. Onde o estresse age, mudanças fisiológicas nos tomam, pressões sociais nos arrastam e lá vamos nós para o estiramento, para a angústia da escolha. Direto para a pergunta do autor: “Você quer o que você deseja?” Tentar responder a essa pergunta é o que podemos fazer quando imersos em fatores de arrasto de toda ordem. Se não podemos evitar nem a bifurcação e nem o fluxo, podemos perguntar e escutar o “dentro”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4974214606701469903?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4974214606701469903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/01-de-julho-de-2010.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4974214606701469903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4974214606701469903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/07/01-de-julho-de-2010.html' title='ZEITGEBERS OU fatores de arrasto'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3313776826754552356</id><published>2010-06-25T01:05:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:39:14.301-03:00</updated><title type='text'>FLUXO DE IN-CONSCIÊNCIA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;FLUXO DE IN-CONSCIÊNCIA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Eu escrevo sobre coisas que não sei para saber delas. Descobrir. Também a mim. Porque daí “A gente não escreve um livro. A gente se livra dele.” Então eu escrevo e vou me livrando daquilo tudo. Até de mim. Daquela que escreveu e já não é mais. É outra. Penso isso descascando uma tangerina. Espirra na minha pele o perfume com fixador made in natura. É bom. Mas preciso lavar as mãos muitas vezes depois. De todo modo, vou soltando um a um os gomos e pensando na herança. Na genética. Vou sendo enquanto escrevo e então vou deixando de ser, afinal, está escrito. Eu me livro disso e posso me escrever outra. Falsear. Nesse fingimento que nunca se acaba vou me vendo furo. Cheia de abismos. Uma fraude. Uma ficção que crio e onde me enredo. Sou DNA e sou livro. Sigo sendo a partir dos olhos que me olham, das mãos que me folheiam e me tiram da estante. Me colocam de volta ou me largam sobre a mesa. Quando tornam a mim já sou outra. Cada vez uma. Gosto ou não de ir até o fim. Vou decidindo se como a caixa inteira de bombons ou um só e ainda largo um pedacinho. “Não gostei”. Decidindo o tempo verbal pra esconder a paixão. Jogar num cantinho e dizer: me esquece. Aí vem aquela fulana me dizer pra eu não colocar minhoca na cabeça. Será que você não sabe que para isso é preciso fazer uma cirurgia? Hein? Ela me olhou assustada quando eu afirmei assim bem afirmado. Depois deu uma gargalhada e saiu. Tonta. Ela é muito tonta. Eu bem sei que minhocas entram pelo nariz: é só respirar que elas vêm. Uma ninhada delas. Cirurgia precisa pra tirar. Procedimento feito em salas escuras. Sem anestesia. Com fórceps. E ainda tem esse cara que me sonha. Essa instância psíquica que sabe mais de mim que eu mesma. Pode isso? Mas deixa.... Eu te pego na curva. Te leio imagem em cima de imagem. Transformo em palavra em cima de palavra. Associo. Encadeio. Vira texto na minha boca que fala sem parar. Eu vou interpretando e descendo. Interpretando e descendo. Você não sabe, mas rondo seus escuros, suas sombras. E sabe o que faço? Te escrevo e você mesmo vira outro. Vira até mulher. Bárbara, Patrícia, Mara. Vira Eduarda. Eu te lapido e apelido. Duda. Eu te digo: Sou mais que uma porção de palavras enredadas num livro. Mais que moléculas empilhadas nessa ou naquela ordem. Eu é mais. Eu é ser que finge. “E finge tão assustadoramente, que finge acreditar no que deveras sente”. Dionisicamente. Apolineamente. Ou numa alquimia sem revés. Não importa. Não tem pudor. Portanto, Duda, você não assusta nem comove. Eu te escuto sem estetoscópio. Te enxergo sem radiografia. Te fatio. Te ultrassono. Te metabolizo. Eu é mais. É timbre. Tilinta e constrói com as palavras. E mente, assustadoramente. É você, Eu, ele, ela ou simplesmente um cachorro espreguiçando na calçada. Nada está separado. Nada é instância estanque. Que não se mistura. Eu é alquimia, e entre um bombom e outro, vai a cada segundo decidindo se vai comer a caixa inteira ou largar para as formigas. E se elas vêm, acata. Convive com elas. E as minhocas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3313776826754552356?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3313776826754552356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/24-de-junho-de-2010.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3313776826754552356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3313776826754552356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/24-de-junho-de-2010.html' title='FLUXO DE IN-CONSCIÊNCIA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2795870375876566907</id><published>2010-06-17T20:53:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:39:49.294-03:00</updated><title type='text'>BÁRBARA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #bf9000; font-size: large;"&gt;BÁRBARA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Bárbara descobriu o pior de si. É dissimulada. Mentirosa. Gosta de ter as coisas sob seu controle. Isso dá a ela algo muito valioso: segurança. Gosta do poder que a segurança lhe dá. Gosta de ver a movimentação das pessoas em torno do seu halo. Ela é o sol. Irradia luz e capta para si íons, nêutrons e prótons que gravitam em torno. Gosta de fazer alquimias. Misturar essa química toda para ver no que dá. E como ela se sente grande! Não é má. Bárbara não é má. Apenas arma estratégias, estratagemas, esquemas, cenas, cenários e aprecia o desenrolar. Por isso sempre admirou manipuladores de marionetes. Ela manipula. Os outros se encantam. Deslindam pelas teias que tece. Bárbara é aranha e prefere o devaneio ao sonho. No devanear ela está no controle. No sonho, quem sonha Bárbara? Por isso sai todas as tardes. Observa outras personagens femininas. Passeia por cada mulher. Cada uma um mundo que ela descortina. E vai ganhando tamanho. Por isso se identificou com a gorda do escritor. Ela própria a gorda. Gorda de tantas mulheres em si. Agora que tem consciência sabe que tem todas dentro dela. E assim ela passeia. Por isso lhe ficou na mente a frase da amiga: eu duvido um pouco de quem passeia bem por todas as esferas. Era a imagem de si própria. E a outra frase dela: você se veste e se porta de um jeito que não é bem o que lhe vai por dentro. É isso. Bárbara falseia e passeia por outras mulheres. Por seus íntimos, suas superfícies. Pelo que está contido e pelo que transborda. É por isso que as admira. Um pouco de cada uma delas a compõe. Pensa qual delas deverá assumir. Ela precisa se assumir. Precisa? Ela não sabe ainda. Por isso anda quieta. Fala apenas pelas palavras que escreve no caderno verde. Um dia amadurecerá? Ela não sabe se quer amadurecer. Para que? Que cobrança é essa? Quem está cobrando? Ela própria, decerto. Mas ela se ama do jeitinho que é. Diverte-se. Aprecia os desdobramentos de suas palavras, de seus atos. Observa e entende. Reflete. Confirma. Pensadora e cientista de si e do mundo. Às vezes pensa no que lhe escapa. Não sabe. Talvez seja o próximo passo depois da diversão. Competitiva. Reconhece-se a cada dia e apaixona-se. Tal qual Narciso. Adora espelhos e personagens. Ela mesma personagem do grande teatro que é a vida. Desliza suave. Talvez por isso não sinta dores, sequer o peso da vida. Adora a coxia onde tira peça por peça de roupa e de novo é ela. Nua. Depois veste outras e mais uma vez, sai. Exercita outras. Bárbara é sempre outra. Tiradas as roupas esvanecem os papéis. Então ela se tatuou. Agora é inscrita por ela mesma. Nua, inscrita e assinada. E assim segue brincando com a vida que alguns chamam de madrasta. Bárbara não acha. Só a mãe é capaz de desajustar seus entendimentos. Confunde-a sua mãe. Por isso gosta de máscaras. Chapéus. Mantos e véus. Esconde-se de si. Das mulheres tantas que é e de outras que não pode ser. Chora comovidamente. Olha no espelho os olhos vermelhos e aguados. Perde-se e já é outra. Pergunta a si mesmo se é uma fraude. Sorriem os olhos molhados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2795870375876566907?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2795870375876566907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/joinville-17-de-junho-de-2010.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2795870375876566907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2795870375876566907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/joinville-17-de-junho-de-2010.html' title='BÁRBARA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8859868021642264018</id><published>2010-06-10T22:24:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:40:31.474-03:00</updated><title type='text'>QUE TAL UM RAVIOLLI?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;QUE TAL UM RAVIOLLI?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Já tem alguns anos (muitos anos) preparamos raviolli. É sempre um acontecimento. Começa quando decidimos que vamos fazer. Cada vez é um de nós que lembra, os outros se estimulam e acontece. Tudo começou com meu sogro: quando íamos pra São Paulo vê-lo, pedíamos: vamos fazer um raviolli? Ele olhava pra gente com um sorriso maroto e pronto – estava decidido. Fazíamos juntos a massa, o molho e o recheio de ricota e espinafre enquanto ele contava suas histórias e canzoni italiane de fundo nos embalavam. Um dia resolvemos fazer para nós mesmos. Meu marido e eu. Lembro bem de uma vez em Curitiba. Ele veio de São Francisco do Sul, onde trabalhava, chegou em Curitiba por volta de nove da noite e disse: vamos fazer raviolli? Eu disse: vamos! Não tinha nada em casa. Fomos até o mercado ali perto, compramos farinha, carne moída, ricota, salsinha, cebolinha e tomates para o molho. Cebola tinha. Naquela minúscula cozinha começamos o trabalho. Fazer a massa. Preparar o recheio, o molho. Uma viagem. Antes da meia-noite, ceamos. E ainda sobrou um tanto pra congelar. (É uma delícia tirar do freezer raviolli feito por você, prontinho pra comer). Agora, faz um tempo que estendemos essa atividade para São Francisco do Sul e os amigos daqui. Quem nos conhece sabe. Uma vez por ano, no inverno, tem raviolli. Até cobrança já tem. E o raviolli? A gente podia fazer! Pronto. E lá vamos nós: o dia é marcado, compramos os ingredientes, calculamos o tamanho da festa e exageramos um pouco para o meu congelamento. Riem de mim, mas continuo tirando onda, congelando no dia da festa pra durante o ano, ir degustando a continuidade desse prazer. Todos envolvidos: um descasca tomate, outro prepara a massa, outro estica e vai revezando porque esticar a massa destronca o corpo inteiro! O molho começa a cozinhar por volta das 11 horas e segue até 4, 5 horas da tarde (quanto mais tempo no fogo, melhor). As meninas cuidam dos recheios (este ano eram 4 ou 5 diferentes!). Se revezam no cortar a massa em rodinhas, rechear, fechar os pasteizinhos e ir arrumando nas assadeiras e enfarinhando. O ano passado o recheio era um só mas a massa era tricolore: vermelha de beterraba, verde de espinafre e a básica branca. No meio da função que não cessa, papo bom, papo sério, papo nervoso, piadas e muita tiração de sarro. Milhões de papos. Coisinhas pra beliscar e beberiscar. É festa, né? Uma vez por ano é que nem aniversário. E a gente vai se enrolando, vai fazendo, vai se divertindo. Comer? Acontece sempre em torno das 5,6 horas da tarde, às vezes mais... e daí vai até onde for. Festa. No meio disso, milhares de louças para lavar, limpar a farinha que se espalha pela mesa e arredores e separar o que eu vou congelar. Claro! Já é pressuposto! Todo mundo trabalha. Todo mundo adora. E a gente come feliz. Todo ano repetindo. “Humm..que delícia” “Nossa, isso tá muito bom” “O do ano passado não estava tão bom” Nossa, bom mesmo foi aquele...” e vai. Nos irmanamos nós todos. Somos uma família com tradições. Um nasceu aqui, outro ali, uns gostam disso outros daquilo. Enfim, cada um de um jeito. Mas entre as coisas em comum temos isso. É uma das nossas tradições. Uma de nossas alegrias. É tão bom que quis dividir com você. Mangia che te fa bene!. Experimente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8859868021642264018?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8859868021642264018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/10-de-junho-de-2010.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8859868021642264018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8859868021642264018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/10-de-junho-de-2010.html' title='QUE TAL UM RAVIOLLI?'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-4082246738122813006</id><published>2010-06-03T20:30:00.001-03:00</published><updated>2011-09-27T22:41:27.258-03:00</updated><title type='text'>CRONIQUETA PARA VIRGÍNIA, VIVIANE E AS LINHAS</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CRONIQUETA PARA VIRGÍNIA, VIVIANE E AS LINHAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;De novo é junho. E já que me pediram para falar de amor eu digo: Além da constatação de que nada mais posso fazer além de escrever, só há uma vontade enorme de estancar tanto ruído. De olhar dentro dos olhos e me deixar ficar lá. De novo é junho. Nem importa tudo que eu poderia falar: as chuvas que se avizinham, o frio do sul e as perspectivas para a próxima meia hora. Tudo isso porque, já que me pediram, de novo é junho e eu não tenho outro assunto que não seja o meu cansaço e a vontade de falar de amor. Do tecido que cobre minha pele e que quero desmanchar. Trama por trama. As paredes que fazem a casa onde estou dentro e meu desejo de vê-las ruir para estar só. Tudo quer voltar. Até os passos que não dei aos 2 anos. Até as mãos nas cordas do violão tocando musiquinhas do Roberto Carlos. As linhas me trouxeram até aqui e eu estou dentro delas. Estou dentro das cordas do violão. E nas linhas do tecido. Elas levam ao infinito e eu estou dentro delas. O caminho para o infinito é cheio de bordados, desenhos no tecido que eu tenho que desfiar. Estou costurada nas paralelas. Dentro do buraco da agulha. E o amor que sinto (e que pareço não sentir sozinha) desejo que corte. Que seja faca, tesoura. Que corte o tecido bem no meio das linhas e me deixe pendurada nas bordas. Tudo que penso é ver parte do tecido no chão. Eu desfiada na ponta da agulha. Eu ressonando no timbre das cordas e a música me embalando. Canção de tardes e noites. Eu reluzindo dentro dos olhos. Eu bordada em osso. Bordada em carne que as mãos tocam. Vibrando feito música. Nada muda a verdade bordada e tocada. Dedilhada. Seja de que jeito for: pinça, bucha vegetal, óleo medicinal, as pontas dos dedos e até as unhas. Banhos de imersão, agulha, alicate de cutícula e também pomada para calos: Nada pode arrancar o desejo que formulo e grafo em cada centímetro de mim. Talvez se eu dançasse, eu amolecesse e fizesse escorrer as letras. Talvez elas se soltassem e levassem o desejo com elas. Talvez o desejo criasse um poema e o poema desse novo sentido às palavras. Até para a palavra desejo. Até para a palavra talvez. Talvez. Esse meu amor pelo que pode haver em você me desnuda. Te pensa casa. As janelas rangendo e eu molhada no alpendre pedindo pra entrar. Porque não me abraça cordilheira? Me transborda? Me atinge enquanto desesperada tento me segurar em galhos que vão se arrebentando? Um a um. Estou farta de ser construção e não estar livre de hecatombes. De carregar essa gravidade nas costas. Eu te empresto meu pincel. Me pinta. Se mistura comigo. Estou farta de rodopiar de um canto a outro da casa. De não escutar outra voz que não seja a minha e de estar assim: cheia de pressão. Estou farta de escrever farpas na pele. De ter os peitos inchados todo mês e a cabeça inchada de palavras. E de ver isso vazando de mim. Delatando um estado de profundo silêncio que eu enfio no buraco da agulha e bordo, que eu enfio no fio da navalha e corto. Um estado de desvio e nódoa. E tudo isso porque é junho, leitor. É junho. É o meio entre janeiro e dezembro. O meio entre o calor que acaba e o que virá. Entre o sim e o não. O não e o talvez. Talvez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-4082246738122813006?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/4082246738122813006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/03-de-junho-2010.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4082246738122813006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/4082246738122813006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/06/03-de-junho-2010.html' title='CRONIQUETA PARA VIRGÍNIA, VIVIANE E AS LINHAS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2084261048926761774</id><published>2010-06-03T11:55:00.003-03:00</published><updated>2011-09-27T22:42:01.905-03:00</updated><title type='text'>CONVERSA DE AMIGAS</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CONVERSA DE AMIGAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Ela que sorri por detrás do amarelecido dos dentes agora movimenta as mãos sobre a mesa e me sorve com os olhos. O esmaecido do esmalte nas unhas e o dourado dos anéis crepitam. Semírames sorri embaixo dos dentes que carecem de tratamento e um bom aparelho ortodôntico. Mas suas prioridades agora são outras. Pagar a faculdade dos filhos e vê-los encaminharem-se bem. E versa sobre o mundo de ambos, seus sonhos e aptidões. Não ama um homem já tem muito tempo e diz não se importar com isto agora. Um dia se dedicará. Quando tudo estiver encaminhado, ela diz. Assim capturada, diante do pé de manjericão que se desdobra sobre si mesmo ela diz triunfante: “A sorte é que decidirá”. Diz que faltam alguns dias para que tudo se equalize. Diz em seguida “Para que tudo se desestabilize” e sorri. Digo que uma vez li algo sobre um espaço que ocupamos entre o terminar de dormir e o acordar. Thetaville. Lá só há espaço para quem domina o medo de continuar dormindo. Eu não tenho, ela diz. E pensa no seu amor, no espaço que um dia ele ocupará (um espaço tão grande que ela flutua). E então ela abre a torneira e fala. E tem muita água represada lá dentro. Semírames é assim. Como o pé de manjericão, ela se desdobra sobre as palavras que escapam da boca e que por vezes a surpreendem. E fala: “Eu disse isso”? Desejo mesmo ela tem de sair de dentro de si por 15 dias, desparafusar boa parte das roscas e deixar somente as essenciais. Apagar todas as luzes, todo abajur, lamparina e também soprar as velas. Ver o que pode enxergar só com a luz da lua (quando houver) e aprender a tatear seus escuros, seus silêncios. Vencer todas as camadas do cérebro, atravessar camadas do córtex, meninges e a camada dura. Vencer o osso. E o que pode haver de falha no duro dele. Procurar a ausência de cálcio. As porosidades. Desestabilizar os gradientes de concentração. Achar novas combinações. É como diz a letra da música que ela cantarola: “É preciso estar silêncio para eu não ficar aflito, mas dentro de mim tem um grito que não posso mais calar. Estrelas me respondam como eu posso descansar?” Diz que bom seria se “ausentar” e não mais através da palavra, mas da ausência dela, se desinstalar de antigos postos, de antigos pontos de vista. Até mesmo das miragens. Das fantasias. Do que pode haver de mistério. Se perder no trajeto, no que pode haver de imaterial, de rastro dissolvido no ar. De barroco. E olhar bem dentro de cada imperfeição. Amar cada falha. Ela fala e eu penso que “somos nelas”. Derivamos em como isso acontece. Aceitar as falhas. Os vazios. O que não é objeto de desejo, de consumo. O que tira de nós a própria possibilidade de ser. Ela queria estar mais calma, mas tem um rebuliço lá dentro. Diz: “Minha vida é um filme. deus? Ah, deve estar na primeira fileira, ao lado do diabo. Os dois rindo minhas angústias. Se eu não parar de acalentar os sentimentos que me invadem vou ficar invadida, inchada. Eu vou engordar de sentimentos! E não haverá remédio que me faça emagrecer depois. Vou explodir como a mulher daquela novela antiga. Mas agora não. Não é hora de divagar. E repete que um dia se dedicará. Quando tudo estiver encaminhado, ela diz. Eu sorrio sua força. Reluzimos nessas trocas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-2084261048926761774?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/2084261048926761774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de_27.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2084261048926761774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/2084261048926761774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de_27.html' title='CONVERSA DE AMIGAS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-3332722348196106279</id><published>2010-05-21T09:10:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T22:42:46.973-03:00</updated><title type='text'>SOLIDARIEDADE: há em mim, há em ti</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;SOLIDARIEDADE: há em mim, há em ti&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;No último dia 18 comemorou-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Este ano, com a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, que acontecerá entre os dias 27 e 30 de junho e cujo tema dá título a esse texto, pretende-se discutir e traçar novos rumos para a área. Na luta diária por uma sociedade sem manicômios, muitos são os desafios e as resistências a enfrentar. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) defende a substituição do modelo manicomial pelo tratamento em liberdade e a perspectiva da participação social. Para tanto, apóia a Lei da Reforma Psiquiátrica (nº 10.216/2001) e luta pela efetiva implementação dessa política que exige a transformação de muitas outras políticas. Convoca a sociedade ao olhar e à ação solidária que possam garantir igualdade na diversidade e cidadania plena a todos os sujeitos. A Reforma Psiquiátrica propõe a substituição do atual modelo hospitalocêntrico de reclusão por alternativas como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Residências Terapêuticas e Centros de Convivência, pondo fim ao enclausuramento sistemático. Eu me uno a essa luta e faço aqui uma singela homenagem a um grande homem que passou por essa vida e deixou um legado de riqueza, singularidade e amplitude. Essa homenagem segue também para Augusto, João, Matias, Isaor, Maria, Laura, Estamira....&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Para Antonio Bispo do Rosário&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Dizem que sou esquizofrênico. Dizem porque eu falo. Eu utilizo a palavra que para mim é ferramenta. Entende? A palavra é ferramenta. Expressa imagens, expressa códigos, expressa. E eu tenho muita coisa na minha cabeça. Dentro e mais dentro ainda. Querem me dopar para que eu silencie. Mas eu não aceito. Querem impedir em mim o que é alimento, substrato. Eu nego. Então eu produzo e mostro para eles. Eu mostro toda a potência. Eu mostro toda a intensidade e digo quem é meu mestre. Digo sobre a missão. Eu vim para revelar. E tudo que se coloca como barreira, eu salto. Eu salto as impossibilidades. A minha obra eu crio porque é necessário multiplicar. Eu conto as histórias para eles. Eu digo tudo. Mostro meu sistema, as coisas que interferem nas outras coisas e nelas mesmas e coisas novas que vão surgindo. É um processo. Só quem compreende pode penetrar. E é por isso que eu sempre exijo que respondam a pergunta: “De que cor você vê a minha aura?” É um código de acesso e eu tenho a senha. Alguns eu permito que entrem. Convido para participar comigo daquilo que vejo e sei. Mas eu dirijo. É como um ritual de adentramento. Tudo que eu tenho para dizer eu escrevo. Escrevo nos rótulos das embalagens variadas que faço. Escrevo nos meus bordados. Sim. Eu bordo nos tecidos as histórias que conheço e os lugares onde estive e vou. Eu bordo fazendo uma seleção de coisas e pessoas que devem ir também. As pessoas e coisas assim bordadas existem de uma maneira diferente. São nomeadas e são decorativas. E eu reflito sobre isso e sobre as coisas. Reflito sobre o fato de me nomearem e atribuírem. De me trancarem aqui nesse lugar. Mas eu decido ficar. Querem-me? Eu decido ficar. As vozes que ouço e posso distinguir eu recrio, assim como recrio a condição em que estou aqui. Eu vim para inaugurar outros mundos e tudo que me move é a fé. A fé e a voz que ouço e que transformo em palavras. Transformo nas palavras que escrevo. Pintado ou bordado eu escrevo. E escolho morar aqui onde estou. Eu moro num manicômio. Eu escolho estar aqui. Eu escolho o azul. E tudo que faço é para Deus. Por isso registro as coisas. As coisas desse mundo. Pois foi isso que ele me pediu quando enviou a mensagem: “Reconstrua o universo e registre sua passagem aqui na terra”. É o que faço. É por isso que utilizo o lixo que recolho do hospital. Utilizo restos. Inclusive panos e trapos. E bordo. Porque o universo só pode ser reconstruído a partir do que existe nele. Do que os homens utilizam. E das mulheres. Fiz mantos para elas. Mas é preciso deixar claro que tudo que faço não faço para os homens, mas para Deus. E as vozes que vêm lá de longe e que eu ouço me ajudam e orientam a retomar com intensidade essa construção, essa imprevista experiência onde os outros todos estão convidados a discursar comigo. Porque estou submetido e retratando o dualismo deles. Que é meu também. Mas eu mostro. Jogo a pedra e não escondo a mão. Minha mão é azul. Assim como o rastro que fica atrás. E a senha. Azul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-3332722348196106279?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/3332722348196106279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de_21.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3332722348196106279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/3332722348196106279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de_21.html' title='SOLIDARIEDADE: há em mim, há em ti'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8849016779417477868</id><published>2010-05-13T21:17:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T22:43:26.275-03:00</updated><title type='text'>PRESENTE, PASSADO E FUTURO</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;PRESENTE, PASSADO E FUTURO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Nos últimos dias, o assunto FUTURO foi a tônica de conversas ao sol, à sombra, desfrutando da beleza do mar de um lado, do rio do outro e de pássaros desfilando seu voar. Já é passado. Mas a sensação mora em mim ainda. Bem perto. E foi futuro, quando segui para São Francisco esperando passar momentos assim. Do que se trata o futuro, afinal? E “aonde” mora esse surpreendente cavalheiro que açoita nossos pensamentos e brinca com nossas expectativas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Para uns o futuro está logo aqui, esmurrando a porta e pegando de surpresa: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;- mas já! Puxa... eu achei que teria tempo de me arrumar, de guardar dinheiro, de gastar dinheiro! Mas eu nem arrumei a casa, nem comprei o adaptador para tomada trifásica. Mal tive tempo de instalar o fio terra! Ah... Se eu soubesse. E agora, meu Deus! O que faço?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Para outros a visita nunca chega. São minutos, horas, dias, anos inteiros de espera e o dia a dia da mesma constatação:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;- Não, ainda não. Estou esperando uma estiada no trabalho. Aí eu faço. Nas férias eu farei: vou ler isso tudo. Assim que ela chegar eu direi o que está entalado aqui dentro há anos. Quando eu me aposentar vou cuidar disso. Se eu nascesse de novo eu iria...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;E ainda há os que ignoram o futuro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;- Futuro? Eu não penso nisso. Minha vida é agora e amanhã sabe lá! Preservar o planeta pra quê? Nem filho eu tenho! Quero é meu banho diário de meia hora. Isso sim. Guardar dinheiro não! Para quê? Para pagar meu caixão? Quando acontecer o pessoal se vira... Quero é aproveitar tudo! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;É engraçado. A mim parece que passado e futuro são coisas relativas a um mesmo ícone. Ao Presente. Ao desejo que nos move aqui e agora. Pra lá, pra cá. Pra ficar parado também!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O que será o passado, senão o que fizermos hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O que será o futuro, senão o que fizermos hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Absolutamente ambos referem-se às nossas ações hoje. O que fazemos hoje transforma-se em “ontem” 5 minutos depois. Aliás, numa fração de segundo já vira passado. O que desejamos agora e nos move, em segundos também já é futuro. Ontem e amanhã. Ambos maravilhosos e impalpáveis. Tudo que temos é o desejo que nos move nesse exato segundo. É o hoje. E o nome do hoje é “Presente”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O que é o presente senão algo que nos dão ou vamos lá pegar e transformamos, lemos, odiamos, amamos, exploramos, doamos? O que é “Presente” senão algo que nos surpreende quando tiramos o laço e abrimos a caixa? E daí choramos, corremos para o abraço, sorrimos, cantamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Gostamos de pensar de onde viemos e para onde vamos. É assim desde que o mundo é mundo. A grande dúvida que move o homem em sua trajetória pelo presente. Isso não significa que não devemos considerar o passado, olhar para ele com desmedido amor. Não significa também que não devemos sonhar, pensar o futuro, trabalhar por ele. Mas o presente é a única realidade possível. Uma realidade onde podemos dar voz à nossa vontade para escrever o que um segundo depois será passado e desenhar o futuro antes mesmo que ele aconteça. Desenhar o futuro que depois será escrito. E o maravilhoso dessa mistura, é que pensar no futuro, fazer planos, se preparar, o que quer que seja, além de alterar nosso presente, muda a imagem de passado que podemos prever caso as coisas não se alterem... Não é assim o cuidado com o meio ambiente? Você pensa o que pode significar a falta de água no planeta (perspectiva bem provável!), então procura economizar um pouco no seu presente. O que acontece? Talvez tome banho todos os dias até seu derradeiro dia! Será esse o futuro. Porque desenhamos desse jeito no presente. Não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Então... Façamos lindo nosso presente. Cada segundo já passou. Não vê? Passou nesse instante. Então, se você vem sentindo o tempo escorrer por suas mãos, só por hoje, sorria, cante, abrace, fale mais baixo, mais alto. Coma direito, tome água. Adote um animal. Uma criança. Uma causa. Lute. E ponha pra tocar Raul e cante com ele em frente ao espelho, sorrindo pra você mesmo: “Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar! Não pense que a cabeça agüenta se você parar! Não, não, não, não. Há uma voz que canta, há uma voz que dança, há uma voz que gira bailando no ar”. Queira!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8849016779417477868?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8849016779417477868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8849016779417477868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8849016779417477868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/05/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de.html' title='PRESENTE, PASSADO E FUTURO'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5110834021754344772</id><published>2010-05-12T19:51:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T22:43:57.661-03:00</updated><title type='text'>CARTA DE EMA PARA GERTRUDES</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;CARTA DE EMA PARA GERTRUDES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Querida Gertrudes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Na última carta você me perguntou sobre as palavras que escrevi para aquela pessoa. Não sei se poderei explicar, mas tento. Queria muito mesmo falar com ela, e como não houvesse possibilidade, comecei a escrever. Foi tomar a caneta em minhas mãos e as palavras começaram a riscar o papel - como a formar desenhos que me antecipavam – diziam de mim e eu mesma não sabia. Não saberia dizer como elas nasceram. Se de mim, se da caneta ou mesmo se já habitavam algum espaço antes de estamparem o papel. De tanto não poder afastar de mim esse sentimento, talvez as palavras tenham resolvido me criar. As palavras me criando. O texto me percebendo logo que a caneta riscou as primeiras palavras e outras foram surgindo, se encadeando como uma grande corrente. Elas me criando e eu seguindo por caminhos que ora eu advinhava e ora advinhavam a mim. Me antecipavam as palavras.... Você acredita? Você me perguntou que sentimento é esse? Oh, eu não direi que é amor! O que é o amor afinal, não é minha amiga? Digo apenas que tenho me ocupado disso. De vivenciar esse sentimento. Se prefere, de amar. Dionísicamente. E vou me perdendo e me encontrando em meio às pinturas que crio. Me perco em meio às tintas. Tantos azuis, laranjas e outras que se misturam. Me perco em meio à minha própria imaginação e lá vou me achando. Li que Einstein dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Estou bem, então, não acha? Parece ser essa a lógica. Pensamentos e imagens vão se formando a partir dos devaneios e quando vejo está lá tudo escrito. É uma forma de, quem sabe, sonhar acordada. Sim, porque a consciência nunca me escapa. Mas deixemos disso por ora. Quero saber de você. Como andam as arquiteturas? Anda poetizando essa cidade com seus desenhos? A arquitetura é um jeito de fazer poesia em três dimensões, não acha? Uma obra. Se bem filosofada vira arquitetura, se bem construída vira poema. Lembro de alguns dos seus desenhos. Da força que imprimia no traço. Eu olhava e via pura poesia. Preciso confessar algo. Promete que guarda junto com os outros? Vendi todos os livros da Isaura e usei o dinheiro para pagar o débito com o cartão de crédito. Acha justo ela me impingir esse peso? Eu cansei de carregar essa menina sobre os ombros. Não mereço isso, não é verdade? Mas não diga nada. Quando ela se dignar a me fazer uma visita e perguntar por eles, eu digo. Não lia aquilo tudo quando estava aqui, não é agora que vai ler. Quem leu fui eu nesses anos todos da ausência dela. Se não é você para dividir meus destemperos eu teria enlouquecido. Se ela quiser saber de algo, que me pergunte, não é? A biblioteca de Isaura mora em mim&amp;nbsp; agora. Quem sabe é um meio para ela conversar um dia comigo. Tudo que estava nos livros agora trago tudo dentro. Inclusive os pensamentos de Nietzsche. Também “O Príncipe”, de Maquiavel. Conte quando pretende vir. Vamos arquitetar as palavras e poetizar a vida. Sua sempre amiga, Ema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5110834021754344772?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5110834021754344772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/carta-de-ema-para-gertrudes-caderno.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5110834021754344772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5110834021754344772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/carta-de-ema-para-gertrudes-caderno.html' title='CARTA DE EMA PARA GERTRUDES'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-7536222757099467530</id><published>2010-04-28T10:32:00.004-03:00</published><updated>2011-09-27T22:29:48.843-03:00</updated><title type='text'>A BATUTA DO MAESTRO</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;A BATUTA DO MAESTRO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Dias atrás eu vi na TV Senado, no programa “Conversa de Músico”, o bolero de Ravel numa apresentação da Orquestra Filarmônica de Viena no Palácio de Schönbrunn. A regência era feita por criatura belíssima. A alma toda à mostra. O sorriso, o olhar e as expressões arrebatavam a orquestra que vibrava sob sua batuta. Vez por outra um deles solava e os outros silenciavam. Era um espetáculo de compreensão. Reviveram juntos Ravel e depois Strauss. Confesso que vibrei. O maestro belíssimo, os cabelos feitos em muitas trancinhas que escorriam sobre o terno impecável. Barba e cavanhaque grisalhos preenchiam o sorriso de cadência. Elegância e sutileza de gestos, conduzindo o grupo, e todos juntos arrebatando a platéia que tomava os jardins do palácio. Um grande espetáculo. Diverso, genuíno. Bem humorado. Sem fronteiras ou divisas territoriais, étnicas ou políticas. Sem fronteiras para tocar a alma. Quem conhece talvez saiba de quem estou falando. Um homem-banda, como costumam dizer. Com a voz ele produz algo que não é, senão, poesia pura. A melodia, a linha de baixo por onde a música passeia, o tema, o ritmo – tudo passa por ele e pelo corpo que canta junto. É um nome de peso do jazz contemporâneo. Discos, shows, performances e diversos prêmios. Alguns: melhor performance vocal masculina de jazz por Another Night in Tunisia (1985), Round Midnight (1986), What is this thing called love (1987) e Brothers (1988), melhor arranjo vocal para duas ou mais vozes por Another Night in Tunisia (1985) e melhor gravação para crianças, por The Elephant´s Child (1987). Improvisa sobre obras musicais com genialidade e encanto. E faz essas escolhas, como li num texto da assessoria de comunicação da TCA, “randomicamente” a partir de seu universo de canções. E parece ser mesmo assim. O homem traz em si um universo. Inglês radicado em Nova Iorque, filho de Robert McFerrin, barítono operístico e o primeiro cantor negro de prestígio na ópera. Com a música Don´t worry, be happy, o artista recebeu o Grammy de 1988: música do ano, melhor performance vocal pop masculina e disco do ano. (Recentemente a cantora Mart’nália fez uma preciosidade de trabalho em sua versão para a mesma música: acrescentou a ginga brasileira e uma outra forma de delírio sobre a bela canção). Ele brilha como maestro e compositor. Brilha nas performances e improvisações. E é um engajado porta-voz em prol da educação musical nas escolas. Como disse o The Los Angeles Times, “O maior presente de Bobby McFerrin para seu público talvez seja o fato de transformá-los de espectadores em celebrantes e mudar a sala de concerto em playground, um centro de aldeia, um espaço alegre.” Quem entende diz que ele possui alcance de quatro oitavas. Entender eu não entendo... mas sinto o delírio que ele imprime e que contagia. Explora com propriedade a poesia que há no mundo e faz misturas, alquimias com a imensa variedade que recolhe da vida. Como maestro é outro assombramento. Seja na dança da batuta, em suas expressões, ou no movimento do corpo; ele transporta a música de dentro de si para a orquestra que vibra em sintonia, comunga com o público arrebatado. Nessa apresentação com a Orquestra de Viena os músicos sorriam, captavam, entravam na viagem de descobertas e improvisos de Bobby. Uma surpresa boa que tive. Sei lá quanto tempo passei ouvindo aquilo tudo. Sentindo aquilo reverberar sem pré-conceber ou julgar. Simplesmente me deixando levar pelo entusiasmo dele, por sua entrega visível. Se já escutou, sabe do que estou falando. Mas se não, tente. Escute a regência dele para o Bolero de Ravel, caminhe por aquele “crescendo” hipnotizador. Deixe-se render por esse assombro e depois... Don’t worry, be happy.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-7536222757099467530?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/7536222757099467530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/batuta-do-maestro-caderno-anexo-pg03-em.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7536222757099467530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/7536222757099467530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/batuta-do-maestro-caderno-anexo-pg03-em.html' title='A BATUTA DO MAESTRO'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1896290876396408982</id><published>2010-04-17T09:49:00.001-03:00</published><updated>2010-06-03T13:24:12.649-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;O TEMPO E A POEIRA DAS COISAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Márcia está no silêncio. Durante anos ouviu palavras, sorrisos e a vida que acontecia despreocupada. Não sabe dizer quando o silêncio tilintou dentro dela. Às vezes sente que o tempo apenas passou. Tudo estava dentro dela. Todo o tempo. Sabe porque foi guardando as coisas num quarto. Todas elas. Começou colocando os objetos sobre a estante. Os papéis. Colocou os livros. Só aqueles que leu. Por vezes ela se enganava e não guardava nada. Achava que suas coisas estavam por toda a casa. Não se lembrava do quarto. Nem entrava lá. Via sua vida na sala, na cozinha. E espalhava as coisas nos ambientes. Até nos outros quartos. Nos finais de tarde em que andava pela cidade, imaginava vidas. Pensava personagens. Decorava casas para elas. Enchia os ambientes com a ideia que tinha das coisas. Achava que era feliz. De volta à sua casa, olhava os detalhes com cuidado. Repensava. Queria separar coisas com significado. Que momentos eu vivi? Agora, folheando os tantos álbuns, não sabe responder. Olha atentamente cada sorriso que deu. Esteve ali? Momentos. Eu estive sim. Eu e tudo que eu trazia dentro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;É que olhando de onde ela olha agora tem uma névoa na frente. Muita poeira. Até nesse quarto onde guarda suas coisas mais suas. É que Márcia passou um tempo grande sem entrar lá. Ao certo nem sabe se há o quarto. Há? O que há em mim de verdade? Ela se pergunta. O que? Há tantos anos vem se dissipando em personagens tantas. Se escondendo de si. Sou uma fraude. O que sou eu de fato? Ser é um fato? Então ela decidiu não mais olhar o que estava lá. Até as coisas que colocou embaixo da cama. Caixas e caixas que ela agora pensa em abrir. No decorrer do tempo, pessoas mostraram coisas para ela e ela foi enxergando. Mas sabe que as pessoas também mostram coisas equivocadas vez por outra e então resolve não dar mais atenção para isso. Mas não adianta. Depois que se abre uma fresta no olhar não se pode mais não ver. E então ela vê. Mesmo que não acredite totalmente, ela vê. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nesse momento isso não tem tanta importância. O que importa é que alguém muito especial escancarou a porta do quarto. Não só isso. Também acendeu a lâmpada, ligou o abajur e abriu francamente as janelas. Embora sofra, Márcia sente-se quase agradecida. Está sentada numa beiradinha da cama em que ela ainda cabe. E de lá recebe a brisa cheia da poeira que sai das coisas. Quando venta sai mais poeira ainda. Mas ela está decidida a esperar que cessem as intempéries todas. Depois que a poeira sair das coisas e continuar ventando, a poeira então vai sair também dela, e dos olhos dela. E ficará só o que tiver que ficar. Ela vai ser o que ficou e o que passou. E vai ser o que será. O que será.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1896290876396408982?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1896290876396408982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/o-tempo-e-poeira-das-coisas-publicado.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1896290876396408982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1896290876396408982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/o-tempo-e-poeira-das-coisas-publicado.html' title=''/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1289123454527113007</id><published>2010-04-08T21:07:00.002-03:00</published><updated>2010-04-08T21:12:17.553-03:00</updated><title type='text'>PONTOS DE CULTURA EM SANTA CATARINA</title><content type='html'>&lt;span style="color: red;"&gt;Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville. caderno ANEXO pag.03 em 08 de&amp;nbsp;abril de 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, leitor. Depois do contato emocionado que tive com diversos Pontos de Cultura espalhados pelo país e vi de perto a teia por onde um grande cordão de cultura viva se estende, volto aqui para falar um pouco mais do programa Cultura Viva do Governo Federal. Fiz uma pesquisa para saber um pouco como isso acontece em Santa Catarina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente são em torno de 60 Pontos divididos entre Xanxerê, Vargeão, Passos Maia, Jaguaruna, Fraiburgo, Seara, Campo Erê, Formosa do Sul, Palmitos, Laguna, Joinville, Maravilha, Araquari, Sombrio, Rio do Sul, Penha, Barra Velha, Pinhalzinho, Joaçaba, Canoinhas, Tubarão, Lages, São Francisco do Sul e Florianópolis. Há disponível na internet uma relação dos Pontos conveniados: “Multiplicando Talentos” em Criciúma, “Música no Planalto” em Curitibanos, “Fotografia para Todos” em Blumenau, “Dança Folclórica Alemã” em São Bonifácio, “Formas Animadas” em Itajaí, “Guerreiros do Amanhã” em Braços do Trombudo, “Cultura Solidária” em Fraiburgo, “Consciência Negra” do Vale do Itapocu e muitos outros. Associações de apoio à Criança e ao Adolescente, de apoio aos Idosos, Teatro, Arte Carijó. Isso estabelecido e já em andamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cada um de nós sabe que há muita demanda nesse país tão rico. Parodiando a fala do secretário da Cultura eu diria: vamos desesconder o sul? Tem muita coisa boa por aqui que necessita ampliar-se e cruzar fronteiras. O Brasil não é só São Paulo e Rio de Janeiro. A capital de Santa Catarina não é Curitiba. Há isso e muito mais e certamente muita coisa acontecendo que ainda não foi listada. Isso dá uma dimensão da demanda existente no estado e no país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro Juca Ferreira esteve em Florianópolis e na ocasião conversou com artistas e produtores no sentido de discutir políticas públicas para o setor e também as demandas existentes. Um círculo de fortalecimento cultural no Brasil. Temos talentos no país – como os do mundo animação, citados pelo Ministro. Talentos que inclusive exportamos para outras partes do mundo. Alegria de viver, inteligência corporal, capacidade de lidar com a diversidade – características que interessam ao mundo todo. A alegria e a força do nosso fazer potencializa nossas ações e temos de tirar proveito disso ao invés de copiar cartilhas e manuais americanos e europeus. Eles mesmos querem aprender conosco. Descobrir de onde extraímos “nosso jeito”. Mas é preciso pensar nesse sistema como algo mais complexo. A institucionalização da cultura com infra-estrutura dada pelo Estado para garantir a continuidade das atividades que se vêm implementando. Sempre lembrando que a coisa deve ocorrer sem paternalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A base deve estar no talento e o apoio é alavanca para tirar da inércia. Há que se trabalhar com parcerias entre os municípios, os estados, a federação e a sociedade civil para expandir e garantir a continuidade desse objetivo. Não é só votar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse Juca Ferreira, há mecanismos de participação da sociedade que devem ser acionados. Ele coloca que nessa questão da cultura há três dimensões: uma de Cultura enquanto fato simbólico, criando condições para ganho de significado pleno, legitimada; a segunda se refere ao direito de cidadania e acesso à cultura e a terceira é a cultura como economia, a que mais cresce no mundo, não polui, é democrática e não tem no Brasil reconhecimento necessário. E é uma economia que se desenvolveu espontaneamente. Tem potencial. Tem demanda. Tem mercado. Um incentivo à economia da cultura está lançado. Tem muita gente já trabalhando nisso aqui em Santa Catarina. Vamos nos juntar a eles atrás de “desesconder” o potencial catarinense? Vamos acreditar e ter otimismo. E trabalhar. Além de todo o bem inerente, ainda melhoramos nosso sistema imunológico. E tiramos os véus. Por isso o Secretário de Cultura Célio Turino, autor do projeto, fala em potência e afetividade como base do movimento. Porque é um movimento que nasce do povo e é potencializado pelo Município, pelo Estado, pelo País. E aí ninguém segura mais a gente. Somos um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roda de prosa “Pontos de Cultura e Gestão compartilhada: um outro mundo possível na gestão cultural” teve espaço em Porto Alegre no Fórum Social Mundial. O Pontão Digital Ganesha, de Santa Catarina, instrumento de promoção de intercâmbio e difusão de cultura brasileira, também participa da ação e tem feito sua parte para a continuidade do projeto e a transformação das ações em política pública permanente. Também a UFSC é um Pontão. Isso é troca. É envolvimento. É o Sul se ampliando. São atuações para um mundo possível. Na costura das diversas redes espalhadas a cultura terá então o poder de transformar e fazer isso de forma sustentada. A partir de agora o Ministério da Cultura deve lançar novos editais. Vamos ficar de olho nisso e nesse movimento? Só temos a ganhar. Nós e o Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1289123454527113007?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1289123454527113007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/pontos-de-cultura-em-santa-catarina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1289123454527113007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1289123454527113007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/pontos-de-cultura-em-santa-catarina.html' title='PONTOS DE CULTURA EM SANTA CATARINA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5806435812877895992</id><published>2010-04-01T14:01:00.004-03:00</published><updated>2010-04-08T21:11:24.905-03:00</updated><title type='text'>TEIA 2010 - TAMBORES DIGITAIS</title><content type='html'>&lt;span style="color: red;"&gt;Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville. caderno ANEXO pag.03 em 01 de abril de 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro leitor, depois de meu vôo escalar sobre São Paulo e Brasília, finalmente cheguei em Fortaleza; de onde escrevo para contar as novidades da Teia 2010 – Tambores Digitais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva é um programa do Ministério da Cultura, do Governo do Brasil, e que de acordo com seu idealizador, Célio Turino, Secretário de Programas e Projetos Culturais, nasce do desejo de desesconder o Brasil, conhecendo fenômenos em ebulição e construindo conceitos que se moldem em contato com a realidade viva. E desesconder é coisa linda, não é? Carrega tudo dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funciona assim a ideia de Célio, posta em prática na gestão de Gilberto Gil ,&amp;nbsp;agora continuada pelo Ministro Juca Ferreira, e que envolve o trabalho de muita gente pra continuar dando frutos por esse Brasil: através de editais cada região vai elegendo as entidades sem fins lucrativos para serem conveniadas como Pontos de Cultura; então, se você tem uma ideia, um trabalho que desenvolve, quer propagar isso e ampliar seu trabalho, há nesse projeto um caminho. Se selecionado, terá apoio para pulverizar seu trabalho, sua luta, sua causa, seu desejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa parceria entre Estado e sociedade civil é o Ponto de Cultura. Ao lado deles, o Programa Cultura Viva integra ainda: Cultura Digital, Agente Cultura Viva, Interações estéticas, Ação Griô Nacional, Escola Viva e outros. Projetos irmãos que ampliam esse desejo. O entusiasmante é a grande TEIA que se tece em torno de desejos diferenciados, mas que no fundo são um só: difusão e fruição de cultura onde os parceiros são agentes culturais, artistas, professores, militantes e todos que enxergam na cultura um modo e uma filosofia de vida. O desenvolvimento e a aproximação entre os Pontos de Cultura propiciam compartilhamento e troca, onde um Ponto apoia e auxilia outro Ponto; e assim vai se configurando uma rede sem demarcações hierárquicas ou geográficas, onde os contatos ocorrem através de ações pautadas a partir das necessidades e ações locais na busca de sustentabilidade e emancipação. Uma ideia de “menos receitadores e mais educadores”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem muita coisa para falar desse projeto. Muito ainda a se conhecer. Quem quiser maiores informações pode visitar os sites &lt;strong&gt;&lt;span style="color: lime;"&gt;http://culturadigital.br/teia2010&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;/ e &lt;span style="color: lime;"&gt;&lt;strong&gt;http://www.cultura.gov.br/culturaviva&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;/. Aqui importa relatar a importância do feito, a beleza e amplitude da ideia. Como bem colocado por Célio numa coletiva à imprensa, o Cultura Viva é, acima de tudo, potência e afetividade. E na TEIA 2010 isso ficou muito claro: generosidade intelectual e trabalho colaborativo. Todos agentes de um processo, tecendo o grande organismo pulsante que é a Nação, visualizada no cortejo que desfilou pela beira-mar em Fortaleza: um cordão de &lt;span style="color: orange;"&gt;CULTURA VIVA&lt;/span&gt; que atravessou os sentidos dos presentes ecoando em outros que serão levados para casa e ampliando um pouquinho mais essa ideia. Mas, como nem tudo são flores, a coisa é política: demanda envolvimento e comprometimento da sociedade. As administrações mudam e é preciso que se vá além de uma política de Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É preciso transformar o Cultura Viva em política pública permanente para que o germe dessa ideia se propague.&lt;/strong&gt; Para que efetivamente se construa vivência e modo de fazer de acordo com a diversidade que permeia nosso país. Buscar microsoluções que fortaleçam as redes sociais e sedimentem esse germe que fez e faz disparar tantos corações. É assim que se dará o mergulho para “desesconder” o Brasil e seus talentos, de norte a sul, de leste a oeste e também no meio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo destaca, que entre os diferentes tipos de discursos que podemos localizar no nosso dia-a-dia, a grande ação possível refere-se à ampliação de nossas falas e ações, no sentido não dos indivíduos serem pensados e falados, mas o contrário. Porque quando se cria um saber para além daquilo que é proposto e dado como legítimo, quando se colocam dúvidas e questionamentos sobre saberes e fazeres propostos, abre-se a possibilidade para novas lógicas. Para novos discursos. Criam-se rachaduras por onde podem romper novas falas, vindas de atores sociais até então desconhecidos, que dizem respeito ao saber concreto do cotidiano vivido e trazem a possibilidade de mudança e de novas descobertas. Procure saber mais sobre o projeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Francisco do Sul há um Ponto de Cultura. E tem muita gente gravitando em torno dessa ideia germe. Trabalhando por ela. Fazendo acontecer. Porque a ideia morre na praia se não trabalhamos por ela. Vamos “tomar a palavra” e criar fissuras no sólido. Vamos ser agentes desse país tão diverso. É um caminho repleto de contradições e de dificuldades como tempo, dinheiro e principalmente do exercício de participação, mas, ao invés da reclamação vazia, é realmente preciso construir novos saberes, novas práticas e novas consciências que possam gerar ações mais instrumentalizadas. Porque só assim a gente pode mudar de faixa. Só assim a gente rompe com as couraças e introduz o novo. Onde quer que seja e haja vida. É preciso criar fissuras. Daí derivam as ações que nos transformam em agentes, que configuram e modificam nosso “ao redor”. Vamos ser agentes?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5806435812877895992?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5806435812877895992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/teia-2010-tambores-digitais.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5806435812877895992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5806435812877895992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/04/teia-2010-tambores-digitais.html' title='TEIA 2010 - TAMBORES DIGITAIS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5435422557877231355</id><published>2010-03-29T23:43:00.000-03:00</published><updated>2010-03-29T23:43:30.112-03:00</updated><title type='text'>CENAS DE ADALGIZA</title><content type='html'>O olhar é algo que acontece no olho. Tudo que entra por ele quando olhamos – o que vemos e o que não vemos também. Inclusive quando olhamos no espelho. O olhar desperta coisas nas pessoas e muda o olhar de quem é olhado. Muda também o olhar de quem olha. É como diz aquela música, leitor: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- como é triste seu olhar.&lt;br /&gt;- como assim? A tristeza de um olhar vem de outro olhar, vem de tanto olhar.&lt;br /&gt;- como assim?&lt;br /&gt;- pelo olhar pode haver um motim.&lt;br /&gt;- Não entendi, mas senti que era o fim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar também pode vir por detrás de óculos. Óculos trazem para perto o que está longe. Definem o que está embaçado. Também tem o olhar que vem por detrás dos óculos escuros. Olhos que olham por detrás deles. Óculos quando são escuros escondem os olhos de quem olha e despertam em que quem é olhado “um não saber como se é olhado”. Óculos escuros são cinematográficos e as pessoas quando usam ficam cinematográficas. Olham as outras pessoas de um lugar chamado palco – que é uma espécie de tablado mais alto onde uns ficam distintos dos outros – e as coisas são vistas dessa perspectiva. O palco também pode ser de vários tipos. Mas não importa. Quem está lá está em destaque. E olha desse lugar. E também tem o não-lugar. Que é o lugar onde não se está. Onde não se é. Adalgiza, que é tão adoravelmente feminina, pensa sobre meninos e meninas. Pensa na escrita das palavras vertida em atos, gestos e expressão de olhos. Através do azul por onde enxerga o mundo e as coisas, ela lê e interfere. Ela que às vezes também diz: “Pra quem poderia ter morrido aos dois anos, estar aqui faz uma grande diferença!” E solta seu texto nos ensaios de teatro duas vezes por semana: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“espero que você não se importe&lt;br /&gt;que eu expresse em palavras&lt;br /&gt;como a vida é maravilhosa&lt;br /&gt;depois que você está no mundo;&lt;br /&gt;embora nada poderá nos manter juntos&lt;br /&gt;podemos roubar um tempo para ficar juntos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando olha para o seu amor, pensa que olhar é propagar incêndios. E me conta que nem conhece a planta dos lugares por onde se embrenha, o local onde ficam os extintores. Pensa em portas corta-fogo. Pensa em roupas feitas desse material e óculos. Deveriam inventar óculos assim, ela diz. Pois se as janelas são os olhos da casa, os olhos são a janela da pessoa. Por onde você, fora do corpo, espreita o mundo dos outros e por onde eles olham o seu dentro. “Alguém já disse, Jim Morrison disse: “ver implica sempre uma violação da privacidade”. Os outros desvelando nosso dentro. Ele que falou sobre os olhos e ser olhado, sobre o toque e ser tocado, disse: “Que fazem os olhos durante o sono? Movem-se como espectadores de teatro. Os olhos são genitais da percepção e também instauram sua tirania. Usurpam a autoridade de outros sentidos”. Ela pergunta o que deve fazer diante disso. Desespera. Diz: “Eu? Pobre de mim! Por quanto tempo mais arrastarei as feridas narcísicas dos homens? Não sou o centro do universo, não sou divina e tão pouco dona de minha própria casa! E ainda tenho que aturar essa violação de privacidade? Olhos que me olham. Que me tocam. E minha casa aberta. Devastada”. Proclama palavras na sua vida-palco. Eu aplaudo. De pé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5435422557877231355?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5435422557877231355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/cenas-de-adalgiza.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5435422557877231355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5435422557877231355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/cenas-de-adalgiza.html' title='CENAS DE ADALGIZA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1968563089867939563</id><published>2010-03-28T00:14:00.001-03:00</published><updated>2010-03-28T00:14:50.923-03:00</updated><title type='text'>ILUSÕES</title><content type='html'>Iludir-se não é bom. Iludir-se é bom. Vamos destrinchar essa incoerência? Comecemos por dizer que isso não é contraditório. Não é incoerente. É ambivalente. Feito o amor e ódio por uma pessoa. Vamos ao dicionário. Iludir-se diz respeito a enxergar algo não real, ou só real para você, para um grupo ou para uma cultura. Mas vamos avançar. Não será o iludir-se um modo de, de certa forma, transcender o real? Pense. E como se dá esse “transcender o real” se afinal somos seres de carne e osso ainda limitados por fronteiras físicas? Digo isso porque certas vezes o real se interpõe de tal modo, com tal força que não é outra coisa senão parede de pedra. Pedra sobre pedra assentada com muito rigor. Mas vamos andar mais. Pedras são sempre irregulares. Sempre há diferenças num lote. Pedra sobre pedra significa a existência de frestas, depois preenchidas com argamassa. Transcender pode ser olhar bem de frente essa parede, pedra sobre pedra, com olhar minucioso para as frestas. Olhe bem. A argamassa pode não ter encoberto tudo. E se encobriu... Bem... Podemos sacar o que temos à mão: cureta, pinça, tampinha de caneta e devagarzinho, com calma de cirurgião, de arqueólogo, ir retirando esse sedimento, esse amálgama, esse véu. Uma frestinha só que seja possível vislumbrar nos coloca de cara com a possibilidade do lado de lá, e mais, verte o que está lá diante de nós. Difrata-se. Que nem a luz. E a luz por essa fresta é puro descortinar. Há algo nela que transforma a parede em espelho. A luz bate em você e reflete no espelho. E é lá, que bem na nossa frente, se estampa o viés da ilusão, o viés que momentaneamente nos subverte, nos cega. Mas agora está lá. A ilusão escancarada no espelho. Assim vemos o nosso lado do lado de lá e o lado de lá do nosso lado. Vemos a ambivalência em sua constituição, e podemos nos dar conta de que não é preciso colocar a parede abaixo, dinamitá-la; pois dinamitaríamos a nós mesmos! Podemos nos dar conta que dentro da ilusão, olhamos o real com outros olhos... Olhos da ilusão invertida. E sabe? Isso modifica de forma inconteste o que nos é real. Balança o alicerce sem comprometê-lo, ou quebrá-lo. Arrasta-nos milimetricamente de posição. E isso muda tudo. Nosso corpo é a nossa casa. Nossa mente é a nossa casa. Não devemos sair por aí nos “implodindo”, mas queremos e precisamos nos movimentar, nos deparar com outras fronteiras e nos situar diante disso. Como? Na próxima vez que pensar “eu não quero me cegar naquela ilusão”, faça diferente: entre nela de olhos bem abertos. Vivencie o “iludir-se”. Entregue-se. Apaixone-se. Viaje, mude de casa, de cidade. Arrisque-se com os olhos escancarados e você vai ver a beleza de transcender, de experimentar coisas sem sair do lugar físico. Vai sentir a força gravitacional de uma queda e a ausência de peso, e quando lá embaixo, seus pés tocarem no chão, você terá se movimentado milimetricamente. E daí tudo muda. É só uma questão de que lugar você olha. De que lugar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1968563089867939563?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1968563089867939563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/ilusoes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1968563089867939563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1968563089867939563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/ilusoes.html' title='ILUSÕES'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-6776417194724662797</id><published>2010-03-25T22:54:00.002-03:00</published><updated>2010-03-25T22:54:09.956-03:00</updated><title type='text'>VOCÊ TEM SEDE DO QUÊ?</title><content type='html'>Neste mês de março que quase finda, comemorou-se o Dia Nacional da Poesia (14) e o dia Mundial da Água (22). Já foi, mas sempre é tempo para falar de coisas importantes para a nossa vida, certo? E eu, após a descoberta das datas, achei interessante misturar as duas. Misturar coisas às vezes é bom. “Banana com a comida. Geléia doce de pimenta na carne. Pizza de chocolate. Peixe ao molho de carambola. Estar de frente para o mar e morrer de sede”. Água é fonte da vida. Penso que com poesia é assim também. Aliás, poesia é até verbo. Pode e deve ser usada no imperativo: POEME-SE. Não importa quem somos, o que fazemos, onde vivemos. Da água certamente, dependemos. E poesia? Bem, a vida pode ficar melhor com poesia. No entanto, por maior que seja a importância da água, as pessoas continuam poluindo os rios e suas nascentes, esquecendo o quanto ela é essencial. E poesia? Bem, muita gente se esquece dela ou nem se lembra e acaba poluindo a vida de coisas que não fazem a alma delirar. A água é, provavelmente, o único recurso natural que tem a ver com aspectos diversos da civilização humana, desde o desenvolvimento agrícola e industrial aos valores culturais e religiosos arraigados na sociedade. É um recurso fundamental, seja como componente bioquímico de seres vivos, como meio de vida de várias espécies vegetais e animais, como elemento representativo de valores sociais e culturais e até como fator de produção de vários bens de consumo. Os números são sempre alarmantes, mas sempre mais alarmante é a situação precaríssima que só aumenta e permanece sempre verdade. Alguns deles: mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso à água potável, quase 3 milhões de pessoas no planeta não têm acesso a serviços de saneamento básico e cerca de 6 mil crianças morrem diariamente em função de doenças decorrentes de saneamento deficiente ou de sua completa falta. E de acordo com a ONU, até 2025, se os atuais padrões de consumo se mantiverem, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água. Isso sem contar a contaminação de rios com mercúrio, agrotóxicos e esgotos domésticos e industriais. Não tem poesia nenhuma nisso. Não há verbo que delire diante disso, senão o simples e significativo: PARE! Pare de usar sem pensar. Se a água existe desde que o mundo é mundo e durou até agora, definitivamente não é porque ela é infinita. Proclamada com o objetivo de atingir todos os indivíduos, todos os povos e todas as nações do planeta, a Declaração Universal dos Direitos da Água foi feita para que todos os homens, tendo-a sempre presente no espírito, se esforcem, através da educação e do ensino, para respeitar os direitos e obrigações anunciados. E assumam, com medidas progressivas de ordem nacional e internacional, seu reconhecimento e sua aplicação efetiva. Pra terminar de misturar, lembro a música de Tom Jobim, “Águas de março”: uma letra musical repleta de imagens. Que nem a poesia. Poesia cheia de brasilidade. Um fluxo onde os seres são como pau, pedra, caco de vidro, nó na madeira, peixe, fim do caminho e outros tantos numa metáfora especial da vida e de seu caminho rumo à morte (mas que pode renascer de maneiras tantas). Que nem a água. Das chuvas que iniciam e acabam. Ou das fontes. Que iniciam e acabam. Pra finalmente a imagem da "água" como "promessa de vida". Tem muitas outras relações para se estabelecer. De poesia, de morte e de vida. Parafraseando o que diz a ONU sobre a importância de se preservar a água, eu diria: A água é nossa seiva. Seiva da nossa vida. Até da poesia. Que corre lírica nas veias, afina o sangue e pulsa. E deve ser manipulada com cuidado. Que nem a palavra no poema. O equilíbrio depende de onde os ciclos começam, que é igual “aonde” o verbo pega delírio no poema. A água, como a palavra, não é somente uma herança dos que vieram antes, mas também um empréstimo para aqueles que virão. E não é doação a fundo perdido da natureza. É rara. Não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. Então, leitor, poeme-se nessa onda. Isso matará a sede do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-6776417194724662797?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/6776417194724662797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/voce-tem-sede-do-que.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6776417194724662797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/6776417194724662797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/voce-tem-sede-do-que.html' title='VOCÊ TEM SEDE DO QUÊ?'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-944537696818010624</id><published>2010-03-21T08:46:00.002-03:00</published><updated>2010-03-21T08:46:27.538-03:00</updated><title type='text'>4 MINICASOS FANTÁSTICOS</title><content type='html'>1. O chocolate está na minha boca. Doce. Você sorri enquanto me olha. Sabe do gosto e das propriedades. Eu engulo. Também a vontade de sorrir de volta. O chocolate, eu, você, tem uma química estranha. Então mesmo assim eu sorrio. Eu nem sei se é o gosto, a química ou seu sorriso. Por dentro eu queria voar no seu pescoço. Queria cantar bem baixinho no seu ouvido: “Você não me provoca nem quando me toca”. E você pega o chocolate, me oferece mais um pedaço e sorri com esse olhar que pensa que me seduz. Não seduz. É só o chocolate que se espalha na minha boca. O marrom que fica entre os dentes e na língua. E o gosto. No mais me sobra o frouxo do seu abraço em cada encontro. Tão frouxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A cereja que ele me dá está em mim, nos órgãos e glândulas. O olhar é injeção de glicose que sorvo e dissolvo na papila tingida de sabor. O líquido me percorre, depurando, fomentando outras reações, enquanto seu olho me olha. Tudo é vermelho. Enquanto isso ele enxerga a contradição que sou e fica me variando entre seus dedos. Ora um, ora dois, ora cinco. Como saquinhos de veludo ele me varia. Uma a uma as fichas vão me caindo no estômago. Uma a uma eu sinto a dor. Os sininhos balançam no teto e fazem um barulho incomum. É o chão que está ruindo. Tudo é erupção: prazer e medo, susto e alívio. Falta tão pouco para tudo ser um amontoado de imagens lá longe. Falta tão pouco. Ele ri e brinca com os saquinhos de veludo. Vou me prender nos sininhos para não morrer à toa. Ou vou pegar a corda e me jogar, chegar de olhos arregalados no Japão. Eu prefiro minha parte em dinheiro. Vou pegar o pouco que tenho e comprar tudo em cerejas. Quando ele estiver me variando entre os dedos, vou surpreendê-lo. Esparramar todas elas bem no meio da sala, da cozinha, onde for, e pisar devagarzinho em cada uma. Esmagar uma a uma sob meus pés. Então vou rir do espanto dele. Vou rir até ele dizer pra eu parar. Então vou perguntar: Que foi meu amor? Você queria as cerejas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Pense. Naquela rua tinha um moço sentado na soleira de uma porta. Cotovelo sobre os joelhos, dizia para uma moça que sonho como aquele nunca tinha sonhado não. Que nunca, desde os tempos em que saiu de Caruaru, tinha sonhado mais. Antes sonhou sim, muitas vezes. Mas nunca um sonho como aquele. A moça espiava de soslaio. Mexia a cabeça e olhava para a soleira em que eu estava. Olhava bem dentro dos meus olhos. E o medo estampado do moço que falava escorria pela calçada, pelas pedras, e caminhava até o bueiro. E então não escorria para dentro. Ficava. Da minha soleira eu tudo espiava. De lá mesmo me assenhorei da situação e atirei a marreta. Bem no meio do medo. Não é que o danado riu de mim? Rodamoinhou em riso e frevo e então escorreu. Êita que acontece cada coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Um tapete de concreto forrava a cidade. O céu de numerados cinzas cobria o oeste e prédios erguiam-se feito arbustos sobre o árido da terra. Espalhadas aqui e acolá, casas. Em nenhum canto cor. Em nenhum canto flor. À esquerda, no fio mais elaborado da sombra que atingia em diagonal o pequeno rosto, a menina partia formigas entre os dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-944537696818010624?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/944537696818010624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/4-minicasos-fantasticos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/944537696818010624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/944537696818010624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/4-minicasos-fantasticos.html' title='4 MINICASOS FANTÁSTICOS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8531126353223874292</id><published>2010-03-19T19:17:00.000-03:00</published><updated>2010-03-19T19:17:22.120-03:00</updated><title type='text'>SOBRE RIOS, POESIA, AS CIDADES, OS HOMENS E OS PINGUINS</title><content type='html'>SOBRE RIOS, POESIA, AS CIDADES, OS HOMENS E OS PINGUINS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia lia uma revista e vi uma citação: “Não resta dúvida de que o nosso conhecimento começa pela experiência”, de Emmanuel Kant. Comecei a pensar sobre experiências. A princípio, a experiência envolve uma complexidade de coisas, de possibilidades - mas penso: nossa experiência? Ou a experiência do outro, ou daquele grupo, ou da nossa espécie, ou de outra? Desse mundo e também de mundos distantes, hipotéticos, mitológicos? Do mundo animal? Poderia ser também. Aliás, experimentamos através dos animais muitas coisas: testamos medicamentos, reações, implantes... Penso no quanto necessitamos de cobaias. Não só nós. Li outro dia que já foi demonstrado em observações a pingüins-imperadores da Antártida, um comportamento tipificadamente egoísta. Querem lançar-se na água, mas ficam hesitantes com medo das focas... então existe um movimento para ver quem vai primeiro! Descartado o perigo, os outros mergulham. Mas fica claro que nenhum deles quer ser cobaia. Às vezes empurram uns aos outros! Caindo um e sesaindo ileso, então os outros saltam. Não é incrível? Quantos de nós vemos isso recorrentemente em nossos grupos? E observamos as coisas acontecerem, depois usamos a experiência alheia. Isso é de certo modo inteligente, certo? É egoísta também? Usar a experiência alheia para nos “verificar”. Isso pode ser de uma amplitude absurda. Com todas as coisas. Todas. Os rios que cortam as cidades, por exemplo. Também o ponto em que, tecnicamente, uma cidade com menos de 500 mil habitantes pode ainda ser controlada, modificada, revista e ampliada. Vemos tantas cidades e rios que passaram do ponto. Nesse aspecto se pode aprender com a experiência alheia e usá-la a nosso favor? Quando passo de carro pela Beira Rio (o Cachoeira agonizando) penso isso. Quando passo a pé, aí perco o controle, é a idéia disso que me pensa. Isso dá pano pra manga, leitor. Muitas mangas. Inclusive as que dão no pé. Como disse João Cabral de Neto sobre o Capibaribe lá em Recife:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) E neste rio indigente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sangue-lama que circula&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entre cimento e esclerose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com sua marcha quase nula,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e na gente que se estagna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas mucosas deste rio,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morrendo de apodrecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vidas inteiras a fio,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podeis aprender que o homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é sempre a melhor medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais: que a medida do homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é a morte mas a vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil não se embrenhar no contexto dos lugares onde vivemos, nascemos, e onde, afinal, estamos. Não viemos ao mundo a passeio. Viemos pra fazer diferença, acrescentar, subtrair, dividir. Multiplicar também. Viemos para possibilidades matemáticas. Para entrar nas equações e resolvê-las, subvertê-las. Sabe lá. Viemos para atuar. O universo das palavras em qualquer instância na poesia e na literatura possibilita significados e coerência ao mundo. Possibilita a experiência. E João Cabral arremata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Pensei que seguindo o rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu jamais me perderia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele é o caminho mais certo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de todos o melhor guia...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8531126353223874292?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8531126353223874292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/sobre-rios-poesia-as-cidades-os-homens.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8531126353223874292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8531126353223874292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/sobre-rios-poesia-as-cidades-os-homens.html' title='SOBRE RIOS, POESIA, AS CIDADES, OS HOMENS E OS PINGUINS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9180235237665167559</id><published>2010-03-17T00:13:00.000-03:00</published><updated>2010-03-17T00:13:06.265-03:00</updated><title type='text'>EU IA FALAR DE RAVIOLLI</title><content type='html'>Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente tinha planejado falar de raviolli, mas desde a publicação da crônica de Adália e Quasar venho recebendo mensagens que me fizeram mudar de idéia. Muito bacana saber das histórias envolvendo cheiros de várias ordens. De perfume, de comida, de lembranças, de fatos. Esse negócio de cheiro dá mesmo o que falar. E embora cheiro de raviolli seja muito bom e traga junto cheiro de amigos em torno da mesa, trabalhando juntos, preparando a massa e comendo, me pus a pensar em outros cheiros. Porque cheiro é um modo de a gente se “orientar”. Também pode ser um modo de a gente se perder. Mas se a gente pode se perder, também dá pra se achar. Como “cheiro da casa da gente”. É bom esse cheiro. Dá conforto. Dá aconchego. Cheiro de beijo na boca quando começa a pegar fogo. Cheiro de roupas limpas secando no varal (nem precisa usar amaciante pra cheirar gostoso). Cheiro da roupa de alguém com restinho de perfume. Cheiro de mar. Cheiro do crepúsculo no mar. Alguns cheiros me marcaram. Como o cheiro do pão de queijo que minha avó fazia e escondia num tacho de cobre no armário do quarto. Pode? Era uma diversão. A gente chegava e ia fuçando, comendo pelas bordas. Ela dava bronca quando via o tacho quase vazio mas no fundo devia adorar o fato de a gente “adorar” os pãezinhos que ela fazia pra gente. Tem cheiro inesquecível. Como o cheiro da Ilha de Páscoa. Aquele pedaço de terra no meio do Pacífico. Lembro de lá e já sinto um odor de terra virgem, de pura descoberta. E cheiro de café? De pão quentinho? Você coloca um pouco de manteiga e junto com o café fresquinho isso vira a porta do céu. Cheiro de “eu consegui! Eu consegui!”. E também cheiro de lugar errado. De hora errada. Isso sem contar o cheiro das situações que nos colocam em alerta: Cheiro de gás, de “acho melhor a gente se mandar”, “eles brigaram”, “que arapuca!”, “acho que isso pode nos prejudicar”, “aí tem armação”... E por aí vai. Ás vezes coisas que cheiram bem escondem ciladas. E tem cheiro que a gente sente que dá até náusea. Outros são apenas ruins, outros ainda, são tóxicos. Tem cheiro difícil de esquecer. Cheiro de gente dormindo na rua. Cheiro de gente cheirando crack. Cheiro de gente “se acabando” por dificuldades de todas as ordens. Cheiro de quando se passa em trechos de estrada que abrigam determinadas indústrias. Típico de fábrica de celulose. Cheiro de indústrias que jogam seus esgotos nos rios que temos, cheiro de residências que fazem o mesmo. Cheiro de falta de saneamento básico. De rio poluído. Cheiro de esgoto a céu aberto. Cheiro de descaso político. De falta de vontade política e falta de “panelaço” de uma sociedade civil não organizada. Esses cheiros a gente pode associar às coisas. Ou a gente deveria! Para o cheiro vir junto e ajudar a gente e todo mundo a não esquecer. Porque tem cheiro que definitivamente não é bom esquecer. É bom guardar na memória que chamam de não-declarativa ou de procedimentos. Aí na ocasião propícia, do voto, por exemplo, a gente lembra, associa e pode tentar uma opção que cheire diferente. Um cheiro que não cheire a pizza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9180235237665167559?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9180235237665167559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/eu-ia-falar-de-raviolli.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9180235237665167559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9180235237665167559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/eu-ia-falar-de-raviolli.html' title='EU IA FALAR DE RAVIOLLI'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9042068519086379742</id><published>2010-03-14T11:08:00.002-03:00</published><updated>2010-03-14T11:08:36.289-03:00</updated><title type='text'>SOBRE ESPAÇOS, AUSÊNCIAS E COISAS PARA SE FAZER</title><content type='html'>Espaço. Um pedaço de margem branca depois que acaba o texto. Entre um texto e outro também pode ser. Espaço pode ser grande, mas é bom você delimitar. Espaço numa fita para gravar músicas. Como as cassetes de outro dia (porque o espaço entre hoje e o tempo das fitas cassete é muito pequeno). Agora é o espaço do CD, ou do pen-drive e outras tecnologias. É engraçado lembrar das fitas cassetes. O gravador fazendo aquele barulho para rebobinar. E quando a fita enroscava? Ah, era engraçado. Espaço é o que pode haver entre as pessoas quando elas estão com humor alterado. É o que você dá para as pessoas quando permite que entrem na sua vida. Espaço é onde os astronautas flutuam; os planetas todos orbitam no espaço. Espaço é um lugar que você precisa ocupar pra fazer algo melhor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- me dá mais espaço, por favor. Espaço é o branco do papel, qualquer branco que se queira ou precise vencer. A tela do artista em branco é espaço. A casa inteira é espaço para a criança correr. Quarto é um espaço onde alguém pode morrer. Espaço é qualquer fresta por onde a luz entra no tubo de revelação e queima o filme fotográfico. Espaço é um lugar numa cama para uma pessoa. Mas pode caber mais de uma também. Espaço é algo para onde as coisas vão: pessoas também. - Foi pro espaço! No espaço as coisas desintegram. Espaços são outros endereços, novos endereços onde podemos morar. Espaço é um tempo que você arruma para alguém: - assim que possível. Espaço é um lugar onde você guarda idéias impossíveis. Um lugar onde moram nossas interpretações. É o que há ou não no freezer quando você quer colocar lá uma bandeja para fazer gelo, ou uma vasilha com feijão pra você comer daqui a 15 dias. É o que há de vazio no seu guarda-roupa quando você olha e diz: não tenho roupa para ir! Espaço é algo que se pode ocupar com letras. Espaço de alguém que você usa para escrever. Como esse. Um espaço onde cabem aproximadamente 3.500 caracteres, um título e uma ilustração. Cabe também a propaganda de ar condicionado logo abaixo. Espaços vendidos. Espaços comprados, cedidos, que podem ser tirados e oferecidos. Espaço é um lugar que a gente ocupa. Toda a gente. Os objetos também. Como os jornais, que ocupam um espaço sobre a mesa, um espaço na vida dos leitores de jornal; e as pessoas dizem que com tantas novas mídias o jornal nessa forma que conhecemos um dia vai acabar. Não acho. Espaço é um trecho que os corredores de fórmula I percorrem de 0 a 300 Km em menos de 10 segundos. É um lapso de tempo onde você olha para o seu parceiro enquanto trabalham cada um no seu computador e ele te olha com um sorriso maroto e você pergunta: - Que tá me olhando? Você ama nós dois trabalhando juntinhos ou quer um pedaço da minha pizza? É o tempo que ele leva pra dar a resposta que vem na forma de um sorriso. Espaço é o que se cria de bom quando alguém sorri. É tudo que cabe no reflexo dos olhos. É o tempo que alguém precisa pra ficar sozinho e também com outro alguém. É um tempo que se leva até que a gente possa estar com alguém que a gente muito quer. E é tudo que a gente faz enquanto isso não acontece. É também o que a gente não faz. O que a gente não faz ocupa um espaço muito grande, por isso temos a sensação de ser insuportável. O que a gente faz às vezes torna as coisas bem pequenininhas e então a gente quer fazer outras coisas para encher o espaço que ficou vazio. Espaço é um lugar que a gente enche de fumaça quando a gente fuma. O pulmão é um espaço que fica cheio de fumaça quando a gente fuma. E o pulmão ocupa um espaço grande dentro do corpo da gente. Quando se deixa de fumar se abre espaço para outras coisas e o pulmão tem mais oxigênio para respirar. Espaço é a prova de redação que alguém deixou em branco e lá no final escreveu: “o que o lápis escreveu, a borracha apagou”. E dez tirou. Espaço ocupado com 3.774 caracteres é o que tenho até agora. É melhor parar. Espaço é o tempo que tenho que dar antes de surtar. Até semana que vem, querido leitor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9042068519086379742?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9042068519086379742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/sobre-espacos-ausencias-e-coisas-para.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9042068519086379742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9042068519086379742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/sobre-espacos-ausencias-e-coisas-para.html' title='SOBRE ESPAÇOS, AUSÊNCIAS E COISAS PARA SE FAZER'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5443080268496927486</id><published>2010-03-12T19:29:00.000-03:00</published><updated>2010-03-12T19:29:11.604-03:00</updated><title type='text'>Crônica publicada no jornal A Notícia de Joinville. Caderno ANEXO. pag3 em 11 de março de 2010.</title><content type='html'>O ESPORTE, UM MENINO, UM SONHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tarde do último sábado o programa “caldeirão do Huck” mostrou um pouco da história e do sonho de um menino: surfar no Havaí ao lado de Kelly Slater. O menino Naamã, morador da favela do Morro do Cantagalo no Rio de Janeiro, segue em sua aventura até chegar ao Havaí; o contato com a beleza e o encontro com o astro mundial do surf. Ele se joga no abraço emocionado seguido de conversa e admiração e finalmente os dois no mar. Bonito de se ver. O garoto tem força na expressão, no gesto. Tem um imperativo dentro dele. De volta ao Brasil, Luciano o leva para um passeio de helicóptero pelo Rio. Ele tudo vê lá do alto: a baía da Guanabara, o Pão-de-Açúcar, o morro do Cantagalo onde ele mora, o Cristo. Eu pensava nele vendo sua própria vida de um outro plano. Sobrevoando a própria vida após uma experiência que transformou sua percepção. Seguiram depois para a casa do garoto. Os pais esperavam ansiosos entre paredes sem reboco e a falta de uma geladeira. A família não tinha geladeira. Não tinha sofá. Luciano sentou-se na cama ao lado de Naamã. Os pais, Sr. Estevão e Sra. Janete, sentaram-se também. A mulher desculpou-se pela ausência de móveis, pela pobreza. Sorriu um único dente num largo de se admirar. Luciano, ainda todo metido na emoção, pediu que o menino falasse um pouco da experiência para os pais. E ele falou que não iria mais faltar às aulas. Que iria estudar, aprender inglês, para voltar ao Havaí e conversar com Kelly. O pai espremia o rosto em lágrimas a cada palavra do menino. Repetia: que bom, meu filho! É bom poder ver que o mundo é grande, não é? Fico muito feliz, muito feliz. Atrás deles uma bolsinha preta de crochê com barrado cheio de flores coloridas enfeitava a parede; a camiseta vermelha que a mãe usava, igualmente tinha uma flor nela. Emocionei-me vendo aquilo tudo. Ah! É difícil não ser piegas numa hora como essa! Um germinar de oportunidades. Naamã realizou seu sonho e de quebra várias outras coisas aconteceram e acontecerão. No final da reportagem, os letreiros vão subindo sobre as imagens de Kelly e Naamã surfando juntos. Caetano vai cantando: “O Havaí, seja aqui, o que tu sonhares, todos os lugares”. E é isso Naamã. “Hot stuff”. Mas quero falar do que está por trás de tudo isso: o projeto Favela Surf Clube, que há 14 anos trabalha para que crianças dos morros cariocas possam escolher entre um fuzil AR-15 e uma prancha 6′5′. Além de aulas de surf, os 53 garotos que fazem parte da ONG ainda aprendem uma profissão e produzem pranchas de surf. Mais de 400 garotos já passaram pelo projeto que está aberto para meninos de qualquer morro que queiram surfar e não tenham condições financeiras. Foi daí que surgiu Naamã. Um representante desses mais de 400 garotos. Então eu pensei na nossa cidade, cheia de garotos cheios de sonhos. E pensei no esporte como catapulta para o desenvolvimento deles. Nos projetos sociais que envolvem o esporte e as dificuldades todas que permeiam esse dia a dia. Joinville fez 159 anos. Merece “parabéns” por muitas coisas. Inclusive por seus cidadãos. Sim, uma cidade é seus cidadãos. E aniversários trazem o sentimento de pensar a vida, o futuro. O maior presente que uma cidade pode dar a seus cidadãos é essa perspectiva de crescimento para suas crianças; investimento na educação e no esporte. O sonho de Naamã mora em muitas crianças e adolescentes daqui. Vamos ter olimpíadas no Brasil. Por que não aproveitar esse espírito olímpico, incentivar e dar condições às crianças e adolescentes? Joinville tem uma grande força econômica, desponta em algumas frentes do esporte e certamente há muitas pessoas que conhecem seu potencial e trabalham arduamente na construção de seus cidadãos. É um presente que a cidade não negue incentivos para esse caminho desenvolver-se. É um presente que nossas crianças possam atravessar as fronteiras de suas próprias dificuldades amparadas por projetos como o da Favela Surf Clube e que possam, a partir disso, sonhar suas próprias vidas de um jeito diferente. Olhar a vida de um outro plano e criar imperativos dentro deles. Como aconteceu com Naamã. Parabéns ao programa do Luciano Huck por trazer isso à baila. Parabéns para Joinville e para aqueles cidadãos que acreditam nessa possibilidade e trabalham para que ela vire realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5443080268496927486?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5443080268496927486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5443080268496927486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5443080268496927486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/cronica-publicada-no-jornal-noticia-de.html' title='Crônica publicada no jornal A Notícia de Joinville. Caderno ANEXO. pag3 em 11 de março de 2010.'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-5436591448663720381</id><published>2010-03-08T22:20:00.002-03:00</published><updated>2010-03-08T22:20:53.803-03:00</updated><title type='text'>MADALENA</title><content type='html'>Crônica publicada no Jornal A NOTÍCIA de Joinville.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levanta todas as manhãs com os olhos rasos – prediz as circunstâncias do dia que se elabora (ainda é incerto se o sol brilhará pela manhã ou só despontará pelo meio da tarde) e põe os pés sobre o tapete. Sente as fibras do junco. Lembra da Bahia. Faz uma prece ao seu santo e ergue-se, bípede que é. Não suspeita das dificuldades de um parto por conta disso! Sermos bípedes e termos cabeça grande. Tudo bem. A seleção natural explica. Ela sabe apenas que pode caminhar sobre duas pernas – isso lhe basta. Lava o rosto e se demora no espelho. Alisa a pele com o creme. Isso a restitui do ontem, do silêncio que agora já não faz eco em seus ouvidos. Deixa escorregar o vestido sobre o corpo que desperta e veste a sandália. Miss, atravessa a sala em direção à cozinha. Para uma vez mais no espelho que há no meio do caminho. Confere. “Está tudo bem”. “Volto logo”. Prepara o café na cafeteira expressa – aguarda que comece a subir – o barulho, a fumaça, o cheiro que verte pelos azulejos e toma a sala (até o quarto vazio) e a casa vizinha com a janela aberta. Verte-o então na porcelana da xícara, sobre o açúcar e a expectativa. Sorve de gole em gole enquanto amealha suas coisas e põe na bolsa. Pega as chaves. “Logo estarei de volta”. Olha a sala mais uma vez, mais uma vez se olha no espelho. Sai e deixa a porta bater atrás de si. Tranca. Ela tranca a casa só. Sua casa. “Volto já”, ela pensa. Já na rua, enquanto caminha bípede, pensa: “Eu não me rastejo”. “Eu não ando sobre quatro patas”. Nem decifra que assim, talvez, as coisas ao menos parecessem mais fluidas. Até seu nascimento. (Viria pronta para tocar o chão, quadrúpede e com o crânio relativamente menor). Não se suspeita produto da evolução, de seleção natural. Dentro ou fora do pool genético para o melhor desenvolvimento das futuras gerações. Apenas caminha e expele dos pulmões o ar e respira um outro tanto dele. Apenas sente o peso da bolsa atravessada no tronco, (Uma espécie de abraço – alguém disse para ela) e diminui a distância entre ela e aonde vai. Entre o que vai fazer e ainda não fez. Mas deu quase todos os passos necessários até agora. Mais alguns e estará defronte ao momento. Para. “Não vou”. “Eu não vou”, repete para si. E não vai. Segue a suspeita. A intuição a guia de modo quase inquestionável. Algumas vezes duvida. Hoje não. Uma cadeia toda de moléculas acionando a resposta. Forças espessas impelindo o ato, acionando hormônios, acionando neurônios e sinapses. Gira nos calcanhares e retoma os passos (as setas dentro). Madalena é, absolutamente, fruto da evolução. Fruto do indizível que perpetua suas lógicas. Ao destrancar a porta, respira um pouco mais o café que ainda está lá, se olha de novo no espelho. “Pronto. estou aqui”. Atrás da cortina, e atrás das nuvens por trás das cortinas, o sol não brilha. “Talvez desponte no meio da tarde”. Pega o elástico sobre a mesa e prende os cabelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-5436591448663720381?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/5436591448663720381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/madalena.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5436591448663720381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/5436591448663720381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/madalena.html' title='MADALENA'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8007626200362002535</id><published>2010-03-05T20:28:00.000-03:00</published><updated>2010-03-05T20:28:10.226-03:00</updated><title type='text'>ESQUISITICES HUMANAS. publicado no jornal AN em 04 de março de 2010.</title><content type='html'>Humanos são seres esquisitamente maravilhosos, maravilhosamente esquisitos. Apaixonada que sou por essa espécie, me vejo por diversas vezes nesse enamoramento. Tudo chama minha atenção. Até as sandices. Os olhares que tudo olham. Examinam com avidez as tragédias. Vivenciam. Geram infortúnios, e igualmente, paciência, arroubos, doações. O olhar que observa a beleza e a fragilidade de seus iguais. Inveja e admira. Deseja o desejo. O próprio e também o dos outros. E nem sabe se, de fato, quer o que deseja. O olhar de um pescador para o mar. Dos surfistas examinando o movimento das ondas, dos ventos. Dos músicos quando cantam suas canções. E sentem. E se vivem outros. Vivem nas palavras. Nas cadências. Também nas pausas. O olhar do cirurgião para um órgão que pulsa em suas mãos. O olhar de uma mãe para o seu bebê. Do bebê para sua mãe. O olhar de um animal à espreita. Olhar de predador. E o olhar de uma presa. Olhar de medo. Olhar que faz outro olhar sorrir. Olhar que vira música. Amo ver o que determinadas pessoas conseguem captar e arrancar dos outros. Sorrisos. Crises de choro. Paixão desenfreada. Amor. Olhar de quem se veste em armaduras. Olhares de defesa. Posturas de defesa. O olhar que se enamora de outros olhares. Inclusive dos animais. Os olhares tantos de um cachorro para seu dono. Um cachorro no colo de seu dono. O olhar que espreita você fazer algo e sabe que está errado. Entende que você está errando, mas não interrompe seu momento. Porque não quer. Porque não sabe como interferir. Porque quer que você erre. Porque odeia você. Porque ama você. O olhar de pessoas que riem e se olham e então riem juntas. É o olhar sorrindo. Olhar que por vezes também chora. O vermelho do olhar. O triste que fica estampado. E as rugas. Os sulcos que cortam as faces como navalhas finas e afiadas, precisas. O olhar que acredita que depois da tempestade vem a bonança. A ingenuidade. A maldade. A vingança. O olhar que transparece não estar “nem aí” para o que você fala e nem percebe o contrário da postura instalado no olhar. Delatando. Olhar de quem não faz a menor ideia que os olhos denotam mensagens. Mensagens que podem reiterar ou invalidar aquilo tudo que sai pela boca e reverbera. O olhar que empurra o ar que chega até você. E então você respira. Quantas vezes vemos isso na fagulha do tempo que é a nossa vida. Fagulha é palavra-navalha que corta nosso rosto e nosso olhar. E não é incrível que seres humanos deixem tanta coisa escapar nesse tempo? É e não é. Porque a vida é rara e farta. E de fato, não dá para ter tudo, fazer tudo, querer tudo. Não dá para pegar duas estradas ao mesmo tempo, dá? É leitor, é como ouvi certa vez de alguém em Alagoas, quando paramos para pedir uma informação e o homem disse: “Você segue em frente e quando a estrada abrir, você deixa a direita e pega a esquerda”. É lindo isso. Entender essa pérola. Pra pegar um caminho, vem implícita a ideia de deixar outro. Se não a gente não chega onde pretende. Pode ser que algumas vezes duas saídas diferentes levem ao mesmo lugar por caminhos diferentes. Tem isso também. Mas é maravilhosamente humano estar na encruzilhada. Porque as escolhas que moram dentro das pessoas são aquelas que metem medo e obrigam a seguir a fala do homem alagoano. Deixar algo. E isso acontece o tempo todo nessa fagulha-vida. A gente pode fechar os olhos e dar os passos, tirar cara ou coroa ou usar qualquer outra metodologia. Mas as escolhas acontecem. Com ou sem nosso consentimento consciente. É daí, desse posicionamento nessa hora, que nascem as estátuas. É daí que os homens viram ou não, pedra. E então se podem ver outras coisas esquisitamente humanas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8007626200362002535?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8007626200362002535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/esquisitices-humanas-publicado-no.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8007626200362002535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8007626200362002535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/esquisitices-humanas-publicado-no.html' title='ESQUISITICES HUMANAS. publicado no jornal AN em 04 de março de 2010.'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-690698138139988685</id><published>2010-03-03T10:16:00.000-03:00</published><updated>2010-03-03T10:16:50.290-03:00</updated><title type='text'>ARNICA - crônica publicada no caderno ANEXO do jornal A Notícia em 25 de fevereiro de 2010.</title><content type='html'>Em 12 de fevereiro de 2009, quando publiquei minha terceira crônica neste jornal, o leitor Jones Vieira Borges me escreveu um email pedindo que eu falasse sobre cachorros. Ele, que é um apaixonado pelo que chamou de “amigos de quatro patas”, me deu essa sugestão. Pouco mais de um ano, venho aqui para dizer: Chegou a minha cachorrinha, Jones! Da forma mais inusitada possível. Eu resistia à ideia de comprar um cachorro. Sei lá, mas o que há em mim pedia uma legítima guapeca – um termo lindo, que é o mesmo que vira-lata ou SRD, (sem raça definida) e que aprendi quando cheguei por aqui e tive meu primeiro cachorrinho em São Francisco do Sul. Chamei-o de Lupicínio, e o apelido era Lupi. Um guapeca lindo, marrom com olhos verdes. Foi para a casa de uma amiga em Guaramirim quando mudei pra Joinville. Na kit net que alugamos em Joinville não caberíamos nós três. Mas todas as vezes que vou pra Guará vou lá dar uma palavrinha com ele. E o bichinho me reconhece, senta e me dá a patinha igual a antigamente. Agora me acontece isso: no sábado de carnaval, voltando do baile, paramos para fazer um lanche na madrugada que escorria. Ela de cara se engraçou comigo. E eu com ela. Perguntamos ao dono da lanchonete se era dele. Disse que não, andava perdida por ali. Um amigo que estava com a gente perguntou se poderia levar. O homem disse: leva. Recostada na cadeira, a fantasia de “mexicano” do meu marido virou aconchego pra ela. Colocamos no carro e partimos. 5.50 da manhã do sábado. E desde então somos dela. Já conhece a casa da praia, fez a viagem São Chico-Joinville numa paciência sem igual debaixo de um calor perto do insuportável. Está em nosso apartamento e vai se acomodando aos poucos. Adora um carinho. A gente? A gente adora dar carinho pra ela. Uma vez por dia ela sai pra passear sua vida de cãzinha, como eu gosto de chamar. O nome dela é ARNICA. Uma homenagem às propriedades curativas da planta, ao poder curativo de um cachorrinho na vida de alguém e a uma amiga querida, que também batizou uma de suas lindinhas com esse nome. Hoje, depois de voltar do primeiro dia de aula na faculdade, ao abrir a porta, encontrei-a serelepe: abanando freneticamente o mormaço com seu rabo e fazendo gracejos. Até o ar que eu respiro ficou mais fresco com a alegria dela. E eu fiquei alegre, perdendo minutos nesse contato e me esquecendo do resto. ARNICA. Seus poderes são conhecidos desde a Idade Média - a Arnica montana é originária das regiões montanhosas do norte da Europa e desde tempos remotos é usada na cicatrização de ferimentos graças às suas propriedades regeneradoras de tecidos. Há controvérsias sobre origem do nome "Arnica", embora muitas referências indiquem que possa ser uma deformação da palavra grega 'ptarmica', que significa "que faz espirrar". Não é uma coincidência incrível? Arnica, a cachorrinha de que falo, espirra todos os dias! Já contamos isso ao médico veterinário e não há nada com ela. Acho mesmo que é graça do destino. Assim como a planta, que é um arbusto perene e que produz floradas abundantes de cor amarelo-ouro ou alaranjado. Que nem o sol. Ela, como ele, dá brilho para nossas vidas. Minha cachorrinha. Meu sol. A planta, por ser originária dos solos ácidos das montanhas européias, é de adaptação difícil no Brasil. Mas minha NICA segue se adaptando a nós e nós a ela. E vamos juntos florescendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-690698138139988685?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/690698138139988685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/arnica-cronica-publicada-no-caderno.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/690698138139988685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/690698138139988685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/03/arnica-cronica-publicada-no-caderno.html' title='ARNICA - crônica publicada no caderno ANEXO do jornal A Notícia em 25 de fevereiro de 2010.'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-9073774200371033064</id><published>2010-02-26T19:33:00.000-03:00</published><updated>2010-02-26T19:33:05.297-03:00</updated><title type='text'>2009 é bala. crônica publicada no Jornal A Notícia em 12 de fevereiro de 2009.</title><content type='html'>Em 12 de fevereiro de 2009 publiquei a minha segunda crônica no jornal. Era um momento outro, mas também era início de ano, como agora. E ainda agora, como antes, ainda sinto um friozinho na barriga a cada crônica nova. como se fosse a primeira vez. e isso é bom :)) então publico aqui esse momento, onde falo&amp;nbsp;de "possibilidades que atravessam nossas vidas e mudanças". que nessa linda noite de lua cheia, cheia de intenções,&amp;nbsp;a gente possa vislumbrar isso tudo com alegria e disposição de fazer o "nosso fazer" cada vez melhor e sempre, sempre (de preferência) mantendo a sensação de friozinho na barriga :))&lt;br /&gt;Obrigada a todos que tem partilhado comigo pensamentos e ideias a respeito das coisas. que a gente possa germinar juntos, florescer juntos e implantar a boa revolução. sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2009 É BALA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as formas de mudança, a que mais gosto é a que não tece motivos para acontecer, não tem razão ou razões que a expliquem ou justifiquem – gosto daquela que se interpõe feito tiro – entre o disparo e o alvo – a razão é o entre – é ser atravessado por ela e não poder nada, a não ser conter o furo provocado, os rastilhos de pólvora e o vazio como constituição permanente de você. Qualquer que seja o lugar, independente de onde a mudança te leve, você se configurará assim, com o vazio da bala. Dar conta desse vazio é experimentar desassossegos, cheiros diferentes, rajadas de vento. É dar a estar no conflito, no sofá de uma sala de espera, somente no aguardo da sua vez de entrar. Dar ou receber o diagnóstico. Assinar ou não o contrato e assumir as prestações que te farão refém ou algoz. Os papéis todos da gaveta espalhados em cima da mesa. Um foco de luz roendo um pedaço do seu chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma frase que diz: coragem não é ausência de medo – é o medo mais o desejo de fazer determinada coisa, de superar aquele medo. J Agora... o que nos coloca nesse ponto, exatamente no ponto onde a atitude vai fazer a diferença é que são elas... Outro dia li algo num fanzine na casa de uma amiga, alguém dizia: “Nossa, isso mexeu no arco da velha do meu inconsciente! E se perguntava: Como devo perceber isso? Como perceber de forma revolucionária? Desatrelar a percepção da alienação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então talvez o melhor seja colocar todas as cartas de uma vez, começar por aquilo que nos toca mais imediatamente. Que vem do rol das urgências da vida, sabe? E fazer como o outro cara disse: tirar o véu! Desmaterializar a coisa toda para dar a ver de uma outra forma – como um animal à espreita – atravessado e revolvido pelo fato e envolvido por ele até a raiz dos cabelos. Toda a nocividade da coisa dentro. Mas sem piedade, sem devoção – simplesmente porque desse jeito a gente não vai mudar coisa alguma. A mudança é que nos muda – “nos faz acessar a potência, “criar canais, poros, portas, pontes”. Quando a gente atravessa e chega lá, a gente vê este lado do lado de lá. Mudam as perspectivas. De acordo com o cara, acessamos o estado onde nosso desejo varia para produzir um outro modo de desejar. Isso é um jeito de revolucionar. De rasgar o véu para habitar esse campo de forças dentro da experiência do tempo que nos atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz desse texto me atravessou no início de mais um ano que se coloca, que se atravessa. Na possibilidade de estarmos juntos aqui todas as quintas-feiras e toda a surpresa que isso pode acarretar. Recebi emails na sequencia da publicação da minha primeira crônica J Fiquei muito feliz com a possibilidade concretizada dessa troca. Conhecer um pouco mais dos leitores, ter a oportunidade de conhecer um pedacinho que seja das coisas que pensam. Obrigada a todos. Cada novo ano se interpõe como bala. Cada vez mais. Entre os rastilhos de pólvora e o furo permanente que nos habitará e com o qual atravessaremos os anos seguintes existe, de presente, a surpresa de podermos reinventar outros modos de desejo para implantar a boa revolução – aquela que acontece e derrama seus resultados feito semente, que cai na terra, vem a chuva, vem o sol, e então germina... Vamos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-9073774200371033064?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/9073774200371033064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/2009-e-bala-cronica-publicada-no-jornal.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9073774200371033064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/9073774200371033064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/2009-e-bala-cronica-publicada-no-jornal.html' title='2009 é bala. crônica publicada no Jornal A Notícia em 12 de fevereiro de 2009.'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8569261672787797077</id><published>2010-02-23T16:15:00.002-03:00</published><updated>2010-02-23T16:15:35.311-03:00</updated><title type='text'>A MATURIDADE</title><content type='html'>No dia 15 de fevereiro completei 18 de casamento. Há 3 dias. A gente fez uma festa bacana lá na praia. Nada demais. Alguns amigos que partilham da nossa amizade boa parte desse tempo, peixinho na brasa e um espumante para coroar. Ah, também uma torta de maçã que adoro: Tart Tartin. Já falei aqui sobre simbologias e o quanto isso faz parte da nossa vida. Até a maçã. Aquela das histórias de Adão e Eva. Da serpente. Que alivia dores de estômago. A maçã do amor. O afrodisíaco da coisa. Pouco antes da gente se casar, quando meus pais comemoravam 25 anos de casamento, eu escutei minha mãe comentar com uma amiga: “Se eu não tivesse ficado casada por 25 anos, não teria vivido para sentir a felicidade que estou sentindo hoje”. Na época eu não entendi. Esse preâmbulo é para dizer que hoje eu entendo. É uma espécie de reparação do meu próprio pensamento e entendimento das coisas. Porque quem está junto durante anos sabe que o dia-a-dia não é feito só de flores (como eu disse semana retrasada, é feito também de saco de sal, de limão, limonada e tanta coisa!). Meu casamento atingiu a maioridade. 18 anos. Isso é ridículo porque maioridade não vem com data marcada. Aliás, nada. Mas é simbologia de novo. A maioridade vem quando a gente investe nela. Percebe pequenas mudanças. Agrega coisas. Manda coisas embora. Dribla asteróides que caem por cima. Às vezes se recupera de bombas e coquetéis molotov. É uma espécie de mistério a convivência. Tudo que se troca. E vai constituindo um e outro. “Amor é quando a gente mora um no outro”. Sábio Quintana. É certo que não há garantias e nada é para sempre. Mas o que é pra sempre? Estou com Vinícius: que seja eterno enquanto dure. Djavan canta: “Só eu sei, os desertos que atravessei”. Foram e são muitos no decurso de uma convivência. Às vezes mais de um por dia. E quando eu me esqueço dos oásis que existem pelo caminho, algo me lembra. E então eu vejo. E vejo também as ilhas. Feito uma que tem lá na praia e demos um upgrade nela pra comemorar e simbolizar isso tudo. Eu quis colocar uma mesa na ilha. Bem embaixo da palmeira. Até o marcineiro abriu uma brecha na agenda e fez o serviço porque era para comemorar aniversário de casamento! As pessoas se encantam com o amor. Mas quero falar da mesa. Resolvi pintar nela uma reprodução da tela “A Dança” de Matisse. Uma imagem que me agrada há muito tempo e que representa tanto a vida. E partimos para a empreitada. Eu tracei as primeiras linhas. Fui esboçando o desenho e aos poucos o desejo de ter ele lá foi se concretizando. Enquanto isso ele adornava a churrasqueira com pinturas rupestres. Depois das tintas, os contornos, o verniz e o desejo estampado. A mesa em volta da palmeira família que plantamos quando chegamos aqui em Santa Catarina. Duas hastes tão pequenas que agora atingem uns 7 metros talvez. A gente vai crescendo juntos. Acomodando nossos desejos nessa vida-fagulha. Um dia de cada vez e um depois do outro. Para sempre e enquanto a gente quiser a gente vai talhando as coisas. Sobrevivendo à elas e ficando cada vez mais amigos. E amantes. E a gente vai olhando o em volta bem de perto. Sem medo. Vai crescendo que nem a palmeira. Até quando Deus quiser. Até quando a gente acreditar. Porque é também uma questão de crença numa intenção. Num desejo. Foi bacana nós e os amigos em torno dela. Em torno do desejo cristalizado. Da mesa e dos 18 anos de convivência. De ter os amigos queridos juntos da gente e desse desejo. Depois eu li um relato sobre a obra. Engraçada coincidência. Ele pintou o quadro em 1910. Nossa reprodução foi em 2010. Exatos 100 anos. Isso sim é maioridade. É beleza que transcende o tempo. Mas a gente segue ensaiando os passos do artista e o desejo de eternizar nossas construções. A vida é uma obra. A gente pincela daqui e dali. Joga um tanto de azul ali. Vai desenhando nosso infinito. Ponto por ponto. A gente dá para ele o tamanho que quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8569261672787797077?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8569261672787797077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/maturidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8569261672787797077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8569261672787797077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/maturidade.html' title='A MATURIDADE'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-1298780997832908342</id><published>2010-02-19T00:43:00.000-02:00</published><updated>2010-02-19T00:43:11.957-02:00</updated><title type='text'>SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS</title><content type='html'>SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Bernardo Soares, semi-heterônimo de Fernando Pessoa, ele disse: “é um semi-heterônimo porque, não sendo a personalidade minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afetividade. Aparece sempre que estou cansado ou sonolento”. Isso não é maravilhoso leitor? Em estado de sonolência você é você mesmo, mas apesar disso você tem limitações técnicas... está sonolento, lembra? Quer dizer: seu raciocínio torna-se limitado e você fica de certo modo, despersonalizado (quase um outro?). Cito isso porque acho incrível a consciência da pluralidade que este homem tinha – todas as personalidades que o habitavam internamente (e ele fez um uso esplendoroso desse conteúdo!!!). Desse imenso conteúdo que se não tivesse tido voz, sabe lá leitor, sabe lá)... O quanto escrever não nos resgata de uma crise e nos coloca nela? Penso nisso às vezes. O quanto escrever nos coloca no “olho do furacão” e daí simplesmente não dá mais para não mexer em tudo. Depois de mexer em uns guardados lá na casa da praia - umas fotos, uns muitos pedaços de jeans (ex calças minhas) juntos numa sacola e o sonho da colcha que comentei com minha mãe quando da vinda dela aqui – os pedaços esperam por ela, por mim... (pela colcha?), e de ter folheado um livreto de Fernando Pessoa que lá estava, fiquei fazendo essas conexões... Rsrsrsrsrs pensou isso? quantos eus, quantos ais! Fernando Pessoa, esse homem sem possibilidades de definição, fundamentou seus heterônimos (até onde sabemos), basicamente por conta da pluralidade (dessas muitas personalidades que habitam nosso mundo interior), da consciência da multifacetada vida portuguesa (ele dizia: “O bom português é várias pessoas – Nunca me sinto tão portuguesamente eu como quando me sinto diferente de mim”), e de sua carga dramática, que fazia, segundo ele, “Voar outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah leitor, no meio da bagunça que armei lá na praia (e da beleza que ficou depois!) eu derivei na profundidade desse homem! Sendo eu uma criatura de sentimentos variáveis, às vezes mais, às vezes menos, se como ele... se eu puder substituir o temperamento pela imaginação e o sentimento pela inteligência... ó! sais minerais! Essas coisas foram me passando em meio a roupas que terminavam de secar no sol de final de tarde, e madeiras velhas que separei para uma fogueira futura, colocando fora, literalmente, coisas que... (porque isso estava guardado?), leituras, enfim – tirando alguns quilos de minha casa e pensando na crônica da semana... Mas com mil carrapatos leitor! Você não sai da minha cabeça!!! E aquele frio na barriga do 1°dia continua, se me conheço, estará sempre comigo. Agora por exemplo, são quinze para as cinco da manhã desse dia que te descrevi. Isso tudo ficou em mim, né? A adrenalina inclusive J e advinha o que aconteceu? Cansada, tão terrivelmente cansada que estava quando deitei, inda perco o sono e aqui estou! Descascando essa coisa toda em palavras escritas. Sonolenta, sem o raciocínio usual, com um outro tipo de lógica? (de uma outra eu?), mas ainda assim eu? Deixa pra lá J. Importa o seguinte: me faz muito feliz estar conectada com você. Obrigada!!!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-1298780997832908342?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/1298780997832908342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/sobre-arrumacoes-e-outras-coisas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1298780997832908342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/1298780997832908342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/sobre-arrumacoes-e-outras-coisas.html' title='SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-8772365168232730494</id><published>2010-02-18T00:11:00.000-02:00</published><updated>2010-02-18T00:11:27.640-02:00</updated><title type='text'>CARNAVAL TECNO-CIENTÍFICO</title><content type='html'>Enquanto passa o carnaval, as batidas de funk, tecno e sertanejo se sobrepõe numa combinação alucinatória, penso. Eu penso muito, ele me diz. Não faz mal – gosto de pensar, articular as idéias dentro do cérebro – as aulas de neurofisiologia... Imagine... O giro cingulado responsável por essa coisa toda. Enquanto penso olho o moço lá no alto da pedra da Prainha; junto outros mais, seu cabelo repicado ao vento, parece que é repicado, deve ter uns dezenove... ele olha e estuda as ondas... abstraio e já estou noutra praia, eu tinha dezenove, os meus cabelos eram ao vento. Agora estou aqui. Estamos todos aqui. Enquanto isso o filho da minha amiga segue narrando suas peripécias. É meu amigo Rui. Filósofo de primeira esse garoto. E sem mais ele arrebata: ir é fácil, voltar é que é difícil. E pela manhã, quando eu acordo e todos ainda dormem (só ele no quintal), enquanto sorvo o primeiro café do dia e administro pensamentos que querem ocupar espaço, olho o tronco com bromélias que adorna a entrada da casa – um caminhão arrastou da praia até a entrada de casa, depois foram 5 homens para erguê-lo e depois eu a fincar-lhe as bromélias – agora tem um naco dele no chão (é Rui que abriu para desvendar o mundo dos cupins e formigas) eu muda olho, ele solta: Tia, sabe que tem uma espécie de formiga que é gigante? É uma formiga pré-histórica – ninguém podia fazer mal pra ela, ela só morre por um motivo – se for atingida no seu ponto vital, bem aqui, e aponta o meio do seu peito, instalado no meio desse corpinho (lindo) de sete anos, que tem também a boca que me fala, o olho que me olha. O filho da minha amiga é um acontecimento. É história que não se repete. Que nem o pedaço do tronco no chão e a bromélia despencada. Que nem a visita dela. A gente não se via há uns... o que? 12 anos? A gente se encontrou em São Paulo e falou vagamente sobre a possibilidade de se reunir no carnaval. Ficou no sonho um tempo, nem chegou a virar limbo (o carnaval chegou antes que ela pudesse mudar de idéia) e lá veio ela – do interior de São Paulo, em seu Uno Mille, com Rui, Sabrina e Júlia (a cachorrinha), os oniguiri (bolinhos de arroz) preparados pela mãe Harue e atravessaram: Indaiatuba-SP, Salto-SP, Itu-SP, Sorocaba-SP, Jaguariaíva-PR, Wensceslau Brás-SP, (onde pararam para fazer xixi, na saída erraram o lado e terminaram por quase chegar em Ourinhos! - E não é que na volta o carro quebra em Wensceslau Brás e lá se vão 500 reais, 5 horas e o sonho de chegar na praia antes das cinco! Saíram 4 da manhã da sexta de carnaval com o plano de chegar em São Francisco por volta das quatro da tarde. Deu que estava na saída de Curitiba às sete da noite. Deu que por volta de dez e meia da noite parou e dormiu em Joinville (achou um hotel ótimo perto da BR, preço ótimo e atendimento melhor ainda, cujo simpático dono deixou até que a cachorrinha dormisse no quarto). Ficaram, sábado cedo acordaram, tomaram café da manhã (onde ela esqueceu a farinha de casca de maracujá que tem lhe feito muito bem) e cedo, antes das 9, estávamos todos em São Francisco. Fazendo o sonho acontecer. O sonho e a história que a gente vai ter para lembrar e contar algum dia. Sabe leitor, isso tudo é muita gordura faturada!!! Estranhou? É meu amigo Rui dando outra vez o ar da sua graça com uma tremenda cara séria! A vida está sempre me surpreendendo e mais e mais eu gosto das pessoas. Pessoas são seres muito antigos. Vivem na terra desde.... é o Rui que sentou ao meu lado e já está entabulando uma outra conversa científica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5486339937513607533-8772365168232730494?l=clotildezingali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://clotildezingali.blogspot.com/feeds/8772365168232730494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/carnaval-tecno-cientifico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8772365168232730494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5486339937513607533/posts/default/8772365168232730494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://clotildezingali.blogspot.com/2010/02/carnaval-tecno-cientifico.html' title='CARNAVAL TECNO-CIENTÍFICO'/><author><name>clotilde zingali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04213597533664489344</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-3HrFlNghfdQ/TpoMi9cxHYI/AAAAAAAAAVI/EnAZ_m28ut4/s220/foto%2BDCE%2Buniville.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5486339937513607533.post-2043819634984307722</id><published>2010-02-17T11:37:00.000-02:00</published><updated>2010-02-17T11:37:11.101-02:00</updated><title type='text'>VIVER FAZ BEM À SAÚDE</title><content type='html'>Falam tanto em coisas que fazem bem para a nossa saúde! Dieta mediterrânea, suco vivo, dieta de acordo com nosso tipo sanguíneo, 10 copos de água por dia, um copo de água em jejum, jejum depois das 20 horas, café. Tomar só água por três dias. Comer só melancia durante uma semana. Arroz e feijão. Jejum absoluto. Incrível. A lista é interminável. É tanto o que nos dizem, tantas novidades e reedições e revisão de coisas e conceitos, que ficamos até na dúvida sobre mudar nossos hábitos... O que é certo afinal? Equilíbrio parece uma opção mais razoável do que “comprar” filosofias e dietas que não nos pertencem. Quando fazemos isso temos que ter em mente o processo das coisas. Pois se a soja faz bem às japonesas, é preciso saber que elas a ingerem quase cotidianamente desde a mais tenra idade. Se yoga faz bem à saúde corporal e mental dos hindus, do mesmo modo é preciso saber que há uma filosofia por trás da prática, uma filosofia implícita na vida. Nos dois casos uma coisa endossa a outra – filosofia e prática - de modo que se saímos “comprando” idéias parciais, viramos marionetes atrás de modismos. Porque vira uma mudança sem profundidade. Equilíbrio é a chave. Até para poder sair dele de quando em quando. Olhar a vida e as coisas incríveis que ela oferece como “pílulas diárias” de saúde. Uma aula que te enche de novos conhecimentos, um professor que te faz “levitar” pelas coisas novas que acrescenta. Um livro que te faz viajar sem sair do sofá, ou da 
